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MBB Bo 105

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16 de fevereiro de 1967
Primeiro voo
Em serviço
Estado

O MBB Bo 105 é um helicóptero ligeiro bimotor polivalente concebido na República Federal da Alemanha pela Bölkow, integrada desde 1969 na Messerschmitt-Bölkow-Blohm (MBB), e depois fabricado pela Eurocopter, hoje Airbus Helicopters. Voou pela primeira vez em 16 de fevereiro de 1967 em Ottobrunn, perto de Munique, foi certificado em 13 de outubro de 1970 e foi o primeiro helicóptero alemão do pós-guerra a alcançar sucesso internacional. O seu traço definidor é o «rotor Bölkow»: a primeira cabeça de rotor rígida e sem articulações do mundo, fabricada em titânio, com quatro pás de plástico reforçado com fibra de vidro aparafusadas diretamente ao cubo. Essa arquitetura reduziu a manutenção, deu à aeronave uma manobrabilidade inédita — foi o primeiro helicóptero capaz de fazer um loop e o único com certificação acrobática — e acumulou mais de seis milhões de horas sem uma única falha de rotor até 1991. Dois turbomotores Allison 250 e a redundância dos seus sistemas tornaram-no ideal para o socorro sanitário, a polícia e o voo tático a baixa altitude. Na Alemanha consolidou a rede de socorro aéreo do ADAC, da DRF e do Ministério do Interior, equipou as polícias dos Länder e, como Bo 105 P (PAH-1) com seis mísseis HOT e Bo 105 M (VBH), serviu nos Heeresflieger com 312 unidades até à sua retirada em dezembro de 2016. A Espanha produziu-o sob licença na CASA para as FAMET nas versões ATH, GSH e LOH, operacionais em Almagro até finais de 2017; foi também fabricado na Indonésia, nas Filipinas e no Canadá, e voou nos Países Baixos, na Suécia, no México, na Coreia do Sul e em dezenas de outros operadores. A produção terminou em 2001 com 1.404 unidades construídas na Alemanha e cerca de 1.640 no total, para operadores de 55 países. O seu sucessor direto é o EC 135, nascido como Bo 108, e a Airbus considera-o o pioneiro tecnológico dos atuais H135 e H145.

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Categoria

Helicóptero

Desenho de três vistas

Desenho de três vistas de Desenho de três vistas
Desenho de três vistasMBB Bo 105 – desenho de reconhecimento em três vistas

História

Um vazio no mercado: a origem do projeto

A história do Bo 105 começa na Alemanha do pós-guerra, quando a construção aeronáutica voltou a ser autorizada depois de anos de proibição aliada e a indústria do país teve de recuperar de repente um enorme atraso técnico. Ludwig Bölkow, que fundara em 1955 a Bölkow Entwicklungen KG em Ottobrunn, perto de Munique, começou a trabalhar em helicópteros com o engenheiro Emil Weiland. Segundo a fonte alemã, os estudos daquilo que viria a ser o Bo 105 começaram já em 1961; a fonte inglesa situa o início formal do desenvolvimento em 1964, embora reconheça que o trabalho sobre o rotor sem articulações era anterior. Perante fabricantes consolidados dos Estados Unidos e da França, o pequeno gabinete bávaro procurou um nicho que ninguém ocupava: um helicóptero ligeiro que fosse seguro graças a dois motores e à redundância de todos os sistemas críticos, com rotor de cauda alto para proteger o pessoal em terra, fácil de pilotar, apto para o socorro sanitário e barato de manter.

O capital para o desenvolver proveio em 60 % de empréstimos do Governo federal, reembolsáveis caso o aparelho tivesse êxito comercial. A Bölkow repartiu ainda o risco com os seus fornecedores: a especialista em transmissões ZF Friedrichshafen concebeu a caixa de engrenagens e cedeu-a gratuitamente para os protótipos, e outros fornecedores fizeram o mesmo com os seus sistemas. A empresa passou a chamar-se Bölkow GmbH em 1965 e, antes de a produção em série começar, fundiu-se em 1969 com a Messerschmitt e com a Hamburger Flugzeugbau (Blohm) para formar a Messerschmitt-Bölkow-Blohm, MBB, o nome pelo qual o helicóptero se tornaria famoso.

Protótipos e primeiro voo

O programa de ensaios foi dividido em fases porque tudo era novo ao mesmo tempo: célula, rotor e motor. O primeiro protótipo, V1, foi testado em 1966 com um rotor principal tomado do britânico Westland Scout, mas foi destruído num incidente de ressonância em solo. O segundo, V2, já montava o rotor rígido da Bölkow e dois turbomotores Allison 250-C18 em vez dos motores previstos para a série. Com ele, o piloto-chefe de ensaios Wilfried von Engelhardt realizou em Ottobrunn o primeiro voo do Bo 105, em 16 de fevereiro de 1967, um voo de 18 minutos; a primeira apresentação pública teve lugar em maio desse ano. A Sud Aviation colaborou no desenvolvimento e modificou um Alouette II com o rotor do Bo 105 para explorar o seu envelope de voo. O terceiro protótipo, V3, voou em 20 de dezembro de 1967 com os turbomotores MAN Turbo 6022 inicialmente previstos para a produção; no final a série adotou os Allison, e a versão Bo 105 B com motor MAN nunca chegou a ser construída. Os protótipos de pré-série V4 e V5 voaram pela primeira vez em 1 de maio de 1969, e ao todo foram fabricados seis aparelhos de pré-série, do V1 ao V6.

MBB Bo 105
Um MBB Bo 105 retirado de serviçoBenguet (CC BY SA), vía commons

Em 13 de outubro de 1970 a autoridade aeronáutica alemã certificou o Bo 105 A, e as primeiras entregas foram para o serviço de socorro aéreo do ADAC e para a polícia da Baviera. Em 1972 chegaram as certificações da FAA norte-americana e da CAA britânica, que abriram caminho às encomendas de exportação.

O rotor Bölkow: a inovação decisiva

O que distingue o Bo 105 de tudo o que veio antes é o seu rotor principal. Foi o primeiro helicóptero do mundo com uma cabeça de rotor rígida, sem articulações de batimento nem de arrasto: um bloco maciço de liga de titânio ao qual as quatro pás são aparafusadas diretamente, com elementos de elastómero interiores para amortecer o batimento e rolamentos de rolos cónicos para a mudança de passo. Os movimentos que noutros helicópteros são absorvidos pelas articulações são aqui absorvidos pela flexibilidade das próprias pás, fabricadas em plástico reforçado com fibra de vidro (GFK); foi também a primeira utilização dessa técnica em pás de série, e o conjunto ficou conhecido como «rotor Bölkow».

As vantagens eram múltiplas. Ao eliminar peças móveis, a manutenção simplificou-se e o custo operacional baixou; a revista Defensa assinalava em 1979 que as pás tinham uma vida útil de 10.000 horas. A fiabilidade revelou-se excecional: até 1991 a frota tinha acumulado mais de seis milhões de horas de voo sem uma única falha do sistema de rotor. E a resposta aos comandos era imediata e precisa, o que fez do Bo 105 o primeiro helicóptero capaz de fazer um loop completo e até voar invertido. Segundo a MBB, a célula está homologada para 3,5 g positivos e 1 g negativo. Essa agilidade, aliada à sua resistência ao capotamento dinâmico na descolagem e à segurança dos dois motores, tornou-o idóneo tanto para o voo tático a muito baixa altitude como para o trabalho sanitário. Em 2005, o Bo 105 CB obteve a certificação para voo acrobático, a única concedida até hoje a um helicóptero; os Flying Bulls da Red Bull operam dois aparelhos na Europa e dois nos Estados Unidos, com pilotos como Rainer Wilke e Aaron Fitzgerald.

MBB Bo 105
MBB BO 105 FlygvapenmuseumBene Riobó (CC BY SA), vía commons

Em termos de conceção, o Bo 105 é um bimotor da classe das duas toneladas com célula convencional semimonocoque em liga leve. A cabina admite dois pilotos e três passageiros num banco traseiro amovível, ou um doente em maca carregado pelas portas traseiras tipo concha; a versão alongada permite até duas macas. Com depósitos auxiliares, a autonomia ronda as cinco horas, e em caso de falha de um motor o voo pode continuar com velocidade e alcance reduzidos. Para uso marítimo eram oferecidos flutuadores de emergência, bote, pás dobráveis e patins altos.

Evolução da família civil

A versão inicial Bo 105 A montava dois Allison 250-C18 de 235 kW. Em 1972 foi substituída pelo Bo 105 C com Allison 250-C20 de 298 kW, e a partir de 1975 o Bo 105 CB, com os 250-C20B de 313 kW, tornou-se o modelo principal de produção, com massa máxima que passou de 2.100 para 2.300 kg. O Bo 105 CS, alongado 25 cm para o transporte executivo, foi entregue a partir de 1977, e o Bo 105 CBS, com a mesma cabina alongada e uma janela adicional, nasceu em 1980 para o mercado norte-americano de assistência médica, onde foi chamado «Twin Jet»; a Boeing Vertol foi parceira na produção e comercialização nos Estados Unidos, e, juntamente com a Carson Helicopters, produziu sob licença o Executaire, uma versão esticada 24,5 cm que vendeu mal. O Bo 105 D foi a variante com certificação britânica da CAA, e a designação CDN corresponde aos construídos pela Eurocopter Canada.

Em 1984 surgiu o Bo 105 LS, com a célula do CBS e motores Allison 250-C28C de 373 kW para operar em condições de calor e altitude; o LS A3 foi certificado em julho de 1986 com 2.600 kg de massa máxima, e em 1995 o «Superlifter» elevou a massa de missão para 2.850 kg. O seu programa de certificação foi realizado nos Andes chilenos e a produção ficou nas mãos da Eurocopter Canada, que entregou o último LS A3 em maio de 2009. Em 1994 chegou o Bo 105 CBS-5, também chamado EC Super Five, com um rotor mais eficiente herdado de um programa de melhoria da Bundeswehr e a transmissão ZF FS 72E, com massa máxima de 2.500 kg.

Houve também derivados que não vingaram. O Bo 106, com cabina alargada para sete lugares, voou em 25 de setembro de 1973, mas ficou-se por um único exemplar (D-HDCI, número de série 84) que a DRF comprou em 1981 e reconverteu num Bo 105 CB-2. Entre 1973 e 1975 a MBB desenvolveu o programa de alta velocidade HGH com o quarto protótipo, D-HAPE: em 25 de setembro de 1973 alcançou 200 nós (373 km/h) sem asas, e em 4 de março de 1975, com carenagens aerodinâmicas, asas auxiliares de 6,20 m de envergadura e patins curtos, chegou aos 404 km/h em voo picado ligeiro, superando a meta dos 400 km/h para um helicóptero de rotor rígido. Esse mesmo aparelho conserva-se hoje no Deutsches Museum de Munique.

O helicóptero com que a Alemanha Federal aprendeu a socorrer

Com o Bo 105 construiu-se, a partir dos anos setenta, a rede alemã de socorro aéreo. O «Christoph 1», o primeiro helicóptero de socorro operado regularmente na República Federal, foi um Bo 105 A, e durante os primeiros anos quase todos os helicópteros sanitários do país foram deste tipo, nas mãos do ADAC, do Ministério do Interior (com os seus helicópteros de proteção civil) e da Deutsche Rettungsflugwacht (DRF). Face aos seus contemporâneos, a cabina era relativamente espaçosa e permitia levar o doente deitado com a equipa médica, ainda que as pernas do doente ficassem inacessíveis em voo; a versão CBS, 25 cm mais comprida, aliviou esse problema e deu lugar a novos equipamentos. Nos Estados Unidos, a revista Flying atribuía em 1998 à MBB 35 % do mercado de serviços médicos de emergência, entre o Bo 105 e o BK 117, um modelo mais recente derivado do primeiro. O primeiro Bo 105 sanitário da Escócia entrou ao serviço em 1989 e a última ambulância aérea britânica do tipo foi retirada em novembro de 2015.

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PNP-114 MBB BO-105 Peruvian National PoliceAeroprints.com (CC BY SA), vía commons

A retirada do socorro alemão foi imposta pela regulamentação: o Bo 105 não cumpria os requisitos de desempenho da JAR-OPS 3, aplicada de forma faseada a partir de 1 de outubro de 1998, e a partir de 2010 deixou de poder ser usado em operação comercial. O ADAC substituiu a sua última unidade, em Senftenberg, no final de 2007; o Ministério do Interior completou a renovação em 2008 e a DRF no final de 2009. A substituição coube ao EC 135 e ao BK 117.

Polícias dos Länder

A redundância e a baixa manutenção tornaram o Bo 105 atrativo para as polícias alemãs, que até então voavam monomotores franceses (Alouette II e III, Gazelle) dependentes de peças estrangeiras. A Baviera começou a operar um Bo 105 alugado em 17 de junho de 1971 e chegou a ter oito até 2006; Hesse incorporou o primeiro em 25 de junho de 1973; Baden-Vurtemberga recebeu o seu em 24 de abril de 1974 e a Renânia-Palatinado em 6 de junho de 1974. Após o acidente de um Alouette III em junho de 1978, a polícia da Renânia do Norte-Vestefália decidiu voar apenas bimotores sobre a densamente povoada bacia do Ruhr, e operou seis Bo 105 de novembro de 1978 até 2006. Hamburgo, Saxónia-Anhalt e Turíngia também o utilizaram, esta última até 2019.

Os Heeresflieger: VBH e PAH-1

Em 1973 a aviação do Exército alemão recebeu os primeiros dez Bo 105 C para ensaios. Após quatro anos de avaliação, em 1975 decidiu-se adquirir uma versão anticarro armada com até seis mísseis teleguiados por fio Euromissile HOT, o Bo 105 P ou PAH-1 (Panzerabwehrhubschrauber), e em 1977 o Ministério da Defesa escolheu o Bo 105 C como base do helicóptero de ligação e observação VBH, o Bo 105 M, com transmissão reforçada e rotor de cauda de maior potência, que substituiu o Alouette II. No total foram entregues 312 aparelhos: 100 Bo 105 M e 212 Bo 105 P, estes entre 1979 e 1984, a um ritmo previsto de seis por mês.

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Unmarked MBB BO 105 Carabineros De Chile ( )Aeroprints.com (CC BY SA), vía commons

O PAH-1 tinha a célula reforçada, um radar Doppler Singer AN/ASN-129 e a mira giroestabilizada SFIM APX M397 sobre o teto da cabina, com ampliações de 3,2 e 10,8, através da qual o comandante apontava os HOT, alojados em três tubos de cada lado. A revista Defensa descrevia em 1979 o HOT como um míssil de segunda geração de 32 kg, com 4.000 m de alcance e 260 m/s. A tática previa enxames de quatro aparelhos que se aproximavam em formação por clareiras da floresta, reabasteciam em zonas avançadas (com 560 litros o raio de ação rondava os 230 km, cerca de duas horas de voo) e atacavam à distância máxima, à altura das copas das árvores, retirando-se após o disparo. O seu ponto fraco era a vulnerabilidade: carecia de proteção contra a artilharia e as armas de infantaria. Os próprios comandos consideravam-no uma solução provisória, insatisfeitos com a sua incapacidade de combater de noite e com a sua autoproteção; daí nasceria o Eurocopter Tiger. Em 1983 instalaram-se avisadores de radar AN/APR-39, e o programa de melhoria contratado em 1986 produziu o PAH-1A1, que chegou às unidades a partir de 1991 com rampas HOT escalonadas, sistema de orientação digitalizado, proteção das tomadas de ar e pás com 10 % mais rendimento. Os projetos de escolta com mísseis Stinger (BSH) e de mira infravermelha noturna para o HOT-2 (PAH-1 Fase 2) foram cancelados em 1993.

O Tiger foi substituindo o PAH-1A1 até 2013; no exercício Griffin Strike, no final de agosto de 2013 na escola de artilharia de Idar-Oberstein, um Bo 105 da Bundeswehr disparou pela última vez um HOT real. Os Bo 105 M tinham sido retirados em 2004, o que abriu uma lacuna de helicóptero de ligação e de escola que se cobriu desarmando 67 PAH-1 entre 2006 e 2014 para os converter em Bo 105 P1M. Estes voaram até ao fim no centro internacional de formação de Celle, e em 13 de dezembro de 2016 os Heeresflieger despediram-se do tipo com uma formação de 18 aparelhos após 37 anos de serviço e mais de 1,38 milhões de horas de voo; as suas tripulações chamavam-se a si próprias «Bohicans». Uma dúzia de Bo 105 M excedentes foram revistos como Bo 105 E-4 em Donauwörth, onde o primeiro voou em 25 de janeiro de 2007; os dois primeiros aterraram em Tirana em 24 de abril de 2007 para a força aérea da Albânia, no âmbito de um contrato de 10 milhões de euros. Na Suécia o Bo 105 serviu como Hkp 9 (20 unidades) em funções anticarro e de socorro, e os Países Baixos operaram 30 Bo 105 M até 2006.

Espanha: os Bölkow das FAMET

A Espanha foi um dos grandes clientes do Bo 105 e um dos países que o produziram sob licença. Nos anos setenta, o Exército de Terra escolheu-o como espinha dorsal das Fuerzas Aeromóviles del Ejército de Tierra (FAMET): a compra, por cerca de 200 milhões de marcos, compreendia 60 aparelhos novos mais uma vintena de segunda mão chegados antes para formar engenheiros, mecânicos e tripulações, e o acordo com a MBB fixava que a Construcciones Aeronáuticas S.A. (CASA) os montasse e os pusesse em voo em Getafe, com cerca de 30 % de material nacional como compensação. Os primeiros 14 chegaram voando da Alemanha; um deles foi trazido pelo capitão José Antonio Borrego Serrano no Natal de 1981 desde Lübeck, com escalas em Berlim, Luxemburgo, Lyon, Marselha, Girona, Saragoça e Colmenar Viejo. Todos os construídos pela CASA têm o número de série «S4»; ao todo saíram de Getafe 115 aparelhos, e os que não se destinaram às FAMET foram entregues na sua maioria ao exército iraquiano ou aos Estados Unidos.

As FAMET receberam três versões: o Bo 105 ATH (HA.15), anticarro com seis mísseis HOT, o mais numeroso; o Bo 105 GSH (HR.15), de reconhecimento armado, com um canhão Rheinmetall Rh 202 de 20 mm sob a fuselagem, 525 projéteis e patins mais altos para o alojar; e o Bo 105 LOH, de observação, inicialmente desarmado. Serviram no Batallón de Helicópteros de Ataque I (BHELA I) da base «Coronel Sánchez Bilbao» de Almagro (Ciudad Real) até 31 de dezembro de 2017, após 37 anos de atividade e cerca de 113.000 horas de voo, tendo o Tigre assumido o seu lugar. Parte dos aparelhos com potencial de horas passou para a Guardia Civil, que já operava o tipo, e outros servem para a formação de mecânicos no campus de Fuenlabrada da Universidad Rey Juan Carlos. Um Bo 105 ATH/GSH está exposto desde 1 de julho de 2016 nos jardins do Museu do Exército de Toledo, assinalando o 50.º aniversário da Aviación Ligera del Ejército de Tierra.

Licenças e clientes no resto do mundo

O êxito exportador levou à abertura de linhas de montagem fora da Alemanha. Na Indonésia, a MBB concedeu nos anos setenta uma licença à IPTN (hoje Indonesian Aerospace) no âmbito de um programa para desenvolver a indústria aeronáutica do país; em dez anos o fabrico do NBO-105 tinha-se tornado totalmente local, e foram construídas 122 unidades, a maioria para as forças armadas indonésias, até ao encerramento da linha em 2009. Nas Filipinas, a Philippine Aerospace Development Corporation produziu 44 aparelhos entre 1977 e 1997. Já em 1979 a revista Defensa constatava que o tipo tinha sido escolhido pela polícia de cinco estados alemães e pelos Países Baixos, Filipinas, Argentina, Chile e Espanha, e que a carteira de encomendas se aproximava do milhar.

MBB Bo 105
CCG MBB BO 105andrewfjohnson (CC BY), vía commons

A Marinha do México operou Bo 105 armados em reconhecimento marítimo a partir das suas lanchas patrulha da classe Uribe adquiridas no início dos anos oitenta; em 2005 concluiu-se a modernização de 11 deles com FLIR, GPS, radar de busca, novas pás e suportes de armamento, e em novembro de 2014 a Jet Rescue inaugurou com um Bo 105 a primeira ambulância aérea civil de helicóptero do país. No final dos anos noventa, a Coreia do Sul adquiriu uma versão de combate do CBS-5 coproduzida pela Eurocopter e pela Korea Aerospace Industries, o KLH, com equipamento de missão coreano; há 12 em serviço, e os últimos dez Bo 105 fabricados na Alemanha destinaram-se a esse cliente. A lista de operadores militares e governamentais vai do Barém, Brunei, Colômbia, Peru e Uruguai até ao Quénia, Nigéria, Serra Leoa, Jordânia, Emirados Árabes Unidos ou Trindade e Tobago.

Fim da produção e legado

A produção na MBB e na Eurocopter Deutschland durou mais de trinta anos. A MBB foi absorvida pela DASA em 1989, e em 1992 a divisão de helicópteros fundiu-se com a da francesa Aérospatiale para formar a Eurocopter, rebatizada Airbus Helicopters em 2013. As últimas entregas alemãs foram 17 CBS-5 para o Ministério do Interior, unidades avulsas para as polícias russa e grega em 1997 e para Baden-Vurtemberga em 2001, e os dez KLH coreanos; a produção encerrou formalmente em 2001, com 1.404 aparelhos construídos na Alemanha e cerca de 1.640 somando as licenças do Canadá, Espanha, Indonésia e Filipinas, entregues a operadores de 55 países. O último Bo 105 produzido, um LS do Canadá, foi comprado em 2009 pela empresa canadiana de ambulâncias aéreas Dam Helicopters.

O seu sucessor direto foi o EC 135, desenvolvido inicialmente como Bo 108 a partir da técnica do Bo 105 e que levou o rotor sem articulações um passo mais além, até ao rotor sem rolamentos. A Airbus Helicopters afirma que o H135 e o H145 são herdeiros tecnológicos do Bo 105. Em maio de 2014 a frota tinha ultrapassado os 8 milhões de horas de voo, com cerca de 700 aparelhos ainda ativos; em fevereiro de 2017, ao completarem-se 50 anos do primeiro voo, a Airbus estimava em cerca de 400 os que continuavam em serviço, entre eles o mais veterano, dedicado a trabalhos aéreos nas ilhas Malvinas. Em 2011 um Bo 105 com a pintura amarela do ADAC foi instalado como parte de uma obra do artista Alfred Gockel no nó rodoviário de Kamen. O tipo também protagonizou episódios sombrios: em 27 de junho de 2017 um Bo 105 sequestrado da polícia judicial venezuelana atacou o Supremo Tribunal e o Ministério do Interior em Caracas, e em 8 de setembro de 2026 um Bo 105 dos Flying Doctors da Malásia despenhou-se perto de Long Lellang, com cinco mortos.

Dados técnicos (Bo 105 CB)

Segundo a Jane's, o Bo 105 CB mede 11,86 m de comprimento total com rotores e 3,00 m de altura, com um rotor principal de 9,84 m de diâmetro e perfil NACA 23012. A sua massa vazia é de 1.276 kg e a máxima à descolagem de 2.500 kg, com 570 litros de combustível. É movido por dois turbomotores Allison 250-C20B de 313 kW cada. A velocidade máxima é de 242 km/h, a de cruzeiro de 204 km/h e a nunca excedida de 270 km/h; o alcance é de 657 km com combustível padrão e de 1.112 km com depósitos auxiliares, a autonomia de três horas e meia, o teto de serviço de 5.200 m e a velocidade ascensional de 8 m/s. O armamento opcional inclui lança-foguetes SNEB ou SNIA, seis HOT, oito TOW ou quatro Stinger ar-ar.

MBB Bo 105
MBB Bo 105 em serviço militarJoaeq (CC BY SA), vía commons

Variantes

Bo 105 V1-V6Bo 105BBo 106Bo 105E-4Bo 105ABo 105ATH (HA.15)Bo 105CBo 105CBBo 105CBSBo 105CBS-5 Super FiveBo 105CSBo 105GSH (HR.15)Bo 105HGHBo 105LOHBo 105LS A1Bo 105LS A3Bo 105LS A3 SuperlifterBo 105LS B-1Bo 105M (VBH)Bo 105P1MBo 105P (PAH-1)Bo 105P (PAH-1A1)IAe Bumblebee-001NBO-105
Primeiro voo16 de fevereiro de 196720 de dezembro de 196725 de setembro de 197325 de janeiro de 2007
Motorização2 × Allison 250-C182 × MAN Turbo 6022 A32 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C182 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C202 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C202 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C28C2 × Allison 250-C28C2 × Allison 250-C28C2 × PW105B2 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C20B2 × Allison 250-C20B
Potência unitária235 kW298 kW313 kW313 kW313 kW373 kW Melhor valor da linha373 kW Melhor valor da linha298 kW298 kW
Comprimento11,9 m11,9 m12,6 m Melhor valor da linha
Envergadura6,2 m
Altura3 m3 m Melhor valor da linha
Peso vazio1276 kg Melhor valor da linha1670 kg
MTOW2300 kg2500 kg2400 kg2500 kg2600 kg2850 kg Melhor valor da linha2400 kg2500 kg
Velocidade máxima242 km/h270 km/h Melhor valor da linha
Velocidade de cruzeiro204 km/h220 km/h Melhor valor da linha
Teto de serviço5200 m
Razão de subida inicial8 m/s Melhor valor da linha8 m/s Melhor valor da linha
Alcance657 km Melhor valor da linha320 km555 km
Alcance de transferência1112 km
Carga útil691 kg
Tripulação1
Passageiros4
Unidades construídas61112110067212 Melhor valor da linha122

Imagens

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MBB/Eurocopter Bo 105 en exposición estática, AERO Friedrichshafen 2018Matti Blume (CC BY SA), vía commons
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Um MBB Bo 105 retirado de serviçoBenguet (CC BY SA), vía commons
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MBB BO 105 FlygvapenmuseumBene Riobó (CC BY SA), vía commons
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PNP-114 MBB BO-105 Peruvian National PoliceAeroprints.com (CC BY SA), vía commons
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Unmarked MBB BO 105 Carabineros De Chile ( )Aeroprints.com (CC BY SA), vía commons
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CCG MBB BO 105andrewfjohnson (CC BY), vía commons
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MBB Bo 105 em serviço militarJoaeq (CC BY SA), vía commons
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Bo 105 en el festival aéreo internacional de Gijón, 2023 (2)David Álvarez López from Gijón, España (CC BY), vía commons
MBB Bo 105
Bo 105 en el festival aéreo internacional de Gijón, 2023 (1)David Álvarez López from Gijón, España (CC BY), vía commons
MBB Bo 105
Eurocopter BO-105 de evacuación médica Aeromed (N7062X)Tomás Del Coro from Las Vegas, Nevada, USA (CC BY SA), vía commons
MBB Bo 105
MBB Bo 105 del piloto acrobático Kirby Chambliss (2)Noah Wulf (CC BY SA), vía commons
MBB Bo 105
MBB Bo 105 del piloto acrobático Kirby ChamblissNoah Wulf (CC BY SA), vía commons
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NBO-105CB 4 del Ejército de Indonesia (IPTN)M Radzi Desa (GFDL), vía commons
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Bölkow BO105 com matrícula G-SIVKJames from Cheltenham, Gloucestershire (CC BY SA), vía commons
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Eurocopter Bo 105 sobre Land's EndCraig Sunter from Manchester, UK (CC BY), vía commons
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Eurocopter Bo 105 de la policía alemanabomberpilot (CC BY SA), vía commons
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Eurocopter Bo 105 en vuelobomberpilot (CC BY SA), vía commons
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MBB Bo 105 de evacuación médica CALSTAR (N623MB)Bill Larkins (CC BY SA), vía commons
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MBB BO-105 de Carabineros de Chile (C-19)Aeroprints.com (CC BY SA), vía commons
MBB Bo 105
MBB BO-105 de Carabineros de Chile (C-16)Aeroprints.com (CC BY SA), vía commons
MBB Bo 105
BO-105 de la Fuerza Aérea de Baréin
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Helicópteros EC-135 y Bö-105 de la Policía NacionalOutisnn (CC BY SA), vía commons
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Bo 105 de la Guardia Civil españolaJordi.mimo (CC BY SA), vía commons
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Guardia Civil, imagen de archivo: aeropuerto de Huesca Pirineos, 2008UKBERRI.NET Uribe Kosta eta Erandioko agerkari digitala (CC BY), vía commons
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Bölkow Bo 105 matriculado en PoloniaZalasem1 (CC BY SA), vía commons
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Cabina de un Bölkow Bo 105Zalasem1 (CC BY SA), vía commons
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Cabina de vuelo de un Bö-105CB de la Policía españolaOutisnn (CC BY SA), vía commons
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Bo 105 de emergencias de la Protección Civil alemana (Bundesarchiv)Bundesarchiv (CC BY SA), vía commons
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Bo 105 de la Protección Civil alemana (Bundesarchiv)Bundesarchiv (CC BY SA), vía commons
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MBB/Eurocopter Bo 105 estacionadoCarlosVdeHabsburgo (CC BY SA), vía commons
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MBB Bo 105 en el Paris Air Show, 1989

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