Variante do Vought F4U Corsair
Vought F4U Corsair F4U-4
O F4U-4 foi a última versão do Corsair a entrar em combate na Segunda Guerra Mundial e a que sustentou o apoio aéreo aproximado da Marinha e dos fuzileiros na Coreia. Com o motor R-2800-18W de compressor de dois estágios e injeção de água, uma hélice de quatro pás e uma cabine redesenhada, atingia cerca de 718 km/h e mais de 12 600 m de teto. A Vought entregou 2356 exemplares até 1947 e as Honduras mantiveram-no em serviço até 1979.

- 2052
- Unidades construídas
- 1617 km
- Alcance
História
Origem: a resposta aos novos caças japoneses
A Marinha dos Estados Unidos precisava de um Corsair capaz de se medir com os caças japoneses melhorados que começavam a aparecer no Pacífico. A resposta da Chance Vought foi o F4U-4, precedido pelo protótipo XF4U-4 (novo motor e novo capô). A Vought testou ainda dois F4U-4X, os números de série 49763 e 50301, que serviram de banco de ensaio para a nova versão do R-2800: com eles experimentou depósitos fixos nas pontas das asas, que não interessaram à Marinha, e uma hélice contrarrotativa de seis pás da Aeroproducts, que não passou à produção. Segundo a Vought, o primeiro F4U-4 de série voou em setembro de 1944; o Museu Pima situa a introdução do modelo em abril desse ano, e a Wikipédia em inglês data as entregas à Marinha do início de 1945.
O que mudava em relação ao F4U-1
O coração do F4U-4 era o Pratt & Whitney R-2800-18W, um radial de 18 cilindros em dupla estrela com compressor de dois estágios, de 2100 hp (cerca de 1600 kW). Com injeção de água e álcool subia a 2450 hp (cerca de 1830 kW) durante períodos curtos como potência de emergência de guerra. Acionava uma nova hélice Hamilton Standard de quatro pás com 13 pés e 2 polegadas (cerca de 4 m) de diâmetro. A entrada de ar do carburador, de tipo descendente, passou do bordo de ataque da asa para uma entrada sob o capô, o que obrigou a reposicionar os escapes.

A cabine foi totalmente redesenhada: nova cobertura com melhor efeito de bolha, assento blindado em forma de concha que se dobrava para facilitar o acesso ao rádio e um painel de instrumentos reagrupado. Foram suprimidos os depósitos alares sem blindagem, de 62 galões americanos (230 l) cada um, para ganhar manobrabilidade à custa do alcance máximo. Para o papel de caça-bombardeiro acrescentaram-se pontos de fixação de foguetes nos painéis exteriores da asa; o avião podia levar oito foguetes de 5 polegadas (12,7 cm) ou até 4000 libras (cerca de 1820 kg) no suporte ventral e nos pilones, e mantinha todas as cargas externas do F4U-1D. Os primeiros F4U-4 estavam armados com seis metralhadoras de calibre .50 (12,7 mm); as versões de canhão levavam quatro peças de 20 mm. Os pilotos alcunharam-no «4-Hog».
Desempenho
As fichas da Vought indicam para o F4U-4 uma velocidade máxima de 446 mph (cerca de 718 km/h), uma razão de subida inicial de 3870 pés por minuto (19,7 m/s), um teto de serviço de 41 500 pés (12 649 m) e um peso bruto de 14 670 libras (cerca de 6650 kg) face a um peso em vazio de 9206 libras (cerca de 4175 kg). O alcance em velocidade de cruzeiro, com dois depósitos largáveis de 150 galões, era de cerca de 1015 milhas (cerca de 1633 km); o Museu Pima e a MCARA indicam 1005 milhas (1618 km). A Wikipédia em inglês cifra a velocidade em 448 mph (721 km/h) e a subida em mais de 4500 pés por minuto, contra os 2900 do F4U-1A.
Produção
No final de 1944 a Chance Vought fabricava 300 Corsair por mês, um avião completo a cada 82 minutos. No final da guerra, a empresa dedicava-se quase por inteiro ao F4U-4 e tinha produzido mais de 1900 antes da rendição japonesa. A Goodyear obteve um contrato para 2500 aviões equivalentes, designados FG-4; chegou a completar 12, mas o contrato foi cancelado e nunca foram entregues. O F4U-4 continuou em produção limitada até ao verão de 1947, quando tinham sido entregues 2356 unidades (a Wikipédia em espanhol indica 2365). Da série derivaram versões próprias: o F4U-4B com quatro canhões, os caças noturnos F4U-4E e F4U-4N com radar na ponta da asa direita, o F4U-4K, um alvo radiocomandado experimental, e nove F4U-4P com uma câmara oblíqua atrás da asa que mantinham todo o armamento.
Segunda Guerra Mundial
O F4U-4 chegou à frente em junho de 1945, a tempo da ofensiva final contra o território metropolitano japonês. Foi a última variante do Corsair a entrar em combate na Segunda Guerra Mundial, embora o seu serviço nessa guerra tenha sido limitado.
Coreia: o cavalo de batalha do apoio aproximado
Na Coreia, entre 1950 e 1953, o Corsair foi empregue sobretudo em apoio aéreo aproximado, e o F4U-4 e a sua versão de canhões F4U-4B foram os pilares dos esquadrões de ataque dos fuzileiros. A 3 de julho de 1950 o porta-aviões Valley Forge, com os esquadrões VF-53 e VF-54, lançou 16 Corsair armados com foguetes contra Pyongyang, junto com Skyraider e Panther. A 3 de agosto de 1950 oito F4U-4B do VMF-214 descolaram do porta-aviões de escolta Sicily para atacar instalações inimigas, a primeira ação de um esquadrão de fuzileiros na guerra; dias depois juntou-se-lhes o VMF-323 a partir do Badoeng Strait. A 11 de agosto de 1950, perto de Kosong, o capitão Vivian M. Moses, do VMF-323, tornou-se o primeiro aviador dos fuzileiros morto na Coreia. Para o desembarque de Inchon o Boxer embarcou um grupo aéreo improvisado com 64 F4U-4B. Em junho de 1951 o VMF-323 trocou os seus F4U-4B por F4U-4 ao embarcar no Sicily e voltou aos -4B ao regressar a terra em setembro.

As armas habituais eram bombas, napalm e foguetes não guiados: o HVAR de 5 polegadas, o ATAR com carga oca antitanque e, por vezes, dois Tiny Tim sob a barriga. Na batalha do reservatório de Chosin, o tenente Thomas J. Hudner, do VF-32 do porta-aviões Leyte e aos comandos de um F4U-4, aterrou deliberadamente o seu avião junto ao do seu camarada, o alferes Jesse L. Brown, abatido por fogo antiaéreo e preso nos destroços. Brown, um dos primeiros aviadores navais afro-americanos, morreu ali; Hudner recebeu a Medalha de Honra. Face ao MiG-15 o Corsair estava ultrapassado, embora um F4U-4B pilotado por Jesse Folmar tenha chegado a abater um.
Honduras
A Força Aérea Hondurenha operou nove F4U-4, juntamente com dez F4U-5N, -5NL e -5P, de 1956 a 1979. Os seus Corsair foram o núcleo dos bombardeamentos hondurenhos na guerra de 1969 com El Salvador, o último conflito em que se enfrentaram caças de pistão.
Multimédia





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