Variante do Vickers Vanguard
Vickers Vanguard Vickers Type 952
Versão do Vickers Vanguard para a Trans-Canada Air Lines, com motores Tyne 512 mais potentes e uma estrutura reforçada para pesos mais elevados; 23 entregues, em serviço desde 1 de fevereiro de 1961.
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- 21 de maio de 1960
- Primeiro voo
- 23
- Unidades construídas
- 2945 km
- Alcance
- 139
- Passageiros
História
O Type 952 é a versão do Vickers Vanguard construída para a Trans-Canada Air Lines (TCA), a companhia nacional canadiana mais tarde rebatizada Air Canada. Nasceu porque, enquanto a British European Airways (BEA) definia um sucessor do Viscount para as suas rotas europeias curtas, a TCA também se dirigiu à Vickers com a sua própria lista de requisitos: um avião de passageiros semelhante ao Viscount, capaz de servir as suas rotas transcontinentais. Os pedidos canadianos moldaram todo o projeto. A TCA queria uma asa montada em posição baixa, que facilitava o reabastecimento, o degelo e a manutenção e melhorava as hipóteses de sobrevivência numa amaragem; e enquanto a BEA estava interessada em etapas de menos de 1.000 milhas, os depósitos de combustível foram sendo aumentados ao longo de várias revisões para dar um alcance de 4.200 km precisamente para que o avião fosse aceitável para a TCA.
A TCA não se comprometeu de imediato, em parte porque o modelo base não satisfazia inteiramente as suas necessidades, por exemplo na capacidade de correio aéreo. A Vickers reconheceu também que uma configuração de alta densidade para até 139 passageiros atrairia mais operadores, e desenhou o Type 952 para esse mercado. Após uma avaliação particularmente rigorosa, a TCA anunciou no início de janeiro de 1957 uma encomenda de 20 Type 952. Segundo a revista da própria companhia, a escolha resultou de um estudo de sete anos em que engenheiros da TCA «voaram» no papel aviões hipotéticos e concorrentes sobre as rotas da companhia, variando a meteorologia, os circuitos de espera e os fatores mecânicos, até que o DC-8 e o Vanguard surgiram como os mais adequados aos requisitos canadianos. A encomenda foi aumentada para 23 aviões durante 1960.

Em comparação com a versão inicial da BEA, o Type 952 recebeu um motor mais potente e uma fuselagem e uma asa reforçadas para pesos mais elevados. Era propulsionado por quatro turbopropulsores Rolls-Royce Tyne RTy.11 Mk 512 de 4.135 kW (5.545 shp), contra os 3.717 kW (4.985 hp) do Tyne 506 montado nos Vanguard da BEA, e o peso máximo de descolagem subiu para cerca de 66.451 kg. Tinha 37,45 m de comprimento e 10,64 m de altura, com um peso em vazio de 37.421 kg, uma velocidade de cruzeiro de 684 km/h e um teto de 9145 m. Podia transportar até 139 passageiros, embora a TCA tivesse planeado uma cabina mista de turística e primeira classe de apenas 96 lugares. A sua estrutura mais robusta viria a ser a base do Type 953 que a BEA encomendou para substituir o 951.
A revista de bordo da TCA de junho de 1959 expôs o que a companhia esperava: cerca de 160 km/h mais de velocidade do que o Viscount e o dobro dos passageiros; a fuselagem de «dupla bolha», cujos dois grandes porões inferiores deixavam o convés principal inteiramente para os passageiros e permitiam serviços só de carga nas horas da madrugada; o embarque por duas portas com escadas retráteis incorporadas; e 40 janelas ovais fundas ao estilo do Viscount. O presidente da TCA, Gordon McGregor, fez duas aterragens e uma descolagem no 33.º voo de ensaio do Vanguard e resumiu-o dizendo que era tão bom como o Viscount e duas vezes maior. O departamento de engenharia da própria TCA contribuiu para o esforço conjunto com a Vickers e a Rolls-Royce, e a companhia esperava que, uma vez o Vanguard em serviço, seria a primeira companhia intercontinental do mundo a operar uma frota totalmente de turbinas.
Os problemas com o novo motor atrasaram o programa, mas a TCA foi a primeira a pôr o tipo em serviço regular: a 1 de fevereiro de 1961 iniciou os serviços com o Vanguard, com dois voos de Toronto e Montreal para Vancouver com escalas intermédias, um mês antes da BEA. Os 23 aviões passaram para a Air Canada quando a companhia foi rebatizada em junho de 1964, e fotografias da época mostram-nos com matrículas como CF-TKA (Toronto, março de 1971) e CF-TKE (Calgary, 1967). Em 1966, a Air Canada converteu um deles num cargueiro puro, o Cargoliner, que tem página própria; foi o último Vanguard canadiano a ser retirado, em dezembro de 1972.
Depois da Air Canada, muitos Type 952 continuaram a voar com outros operadores. A Europe Aero Service, de França, comprou vários aviões à Air Canada e usou-os sobretudo em voos fretados de passageiros. Um 952, o G-AXOP da companhia britânica Invicta International Airlines, esteve envolvido a 10 de abril de 1973 no acidente mais mortífero da história do Vanguard e o mais mortífero em solo suíço: num voo fretado de Bristol para Basileia-Mulhouse, a tripulação identificou mal os radiofaróis de aproximação durante uma forte tempestade de neve e o avião embateu numa encosta arborizada do Jura, perto de Hochwald, matando 108 das 145 pessoas a bordo. A 6 de fevereiro de 1989, outro 952 convertido em cargueiro, o F-GEJE da Inter Cargo Service, caiu ao mar logo após a descolagem de Marselha-Marignane. O último Vanguard construído, também um Type 952 (número de construção 746), voou até 1984 com a Merpati Nusantara Airlines, da Indonésia, como PK-MVH.
Multimédia

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