Variante do Lockheed Constellation

Lockheed Constellation L-1049G

O L-1049G, batizado «Super G» pela TWA, foi a versão de maior sucesso comercial do Super Constellation. Nasceu para resolver um problema concreto: os seus antecessores não conseguiam cruzar sem escalas da Europa para Nova Iorque contra os ventos dominantes. Com motores turbocompound mais potentes, depósitos nas pontas das asas e radar meteorológico opcional, voou em dezembro de 1954, entrou ao serviço em 1955 com a Northwest e a TWA, e chegou a dezasseis companhias de quatro continentes, da Lufthansa, que com ele abriu a sua linha do Atlântico Norte, à Air India ou à Cubana. Um dos seus exemplares levou o chanceler Adenauer a Moscovo em 1955, e vários conservam-se hoje na Alemanha, em França e na Índia.

Ficha do Lockheed Constellation

Imagem pendente
17 de dezembro de 1954
Primeiro voo
102
Unidades construídas
8700 km
Alcance
109
Passageiros

História

Do L-1049C ao «Super G»

Em 1953 os motores Wright R-3350 turbocompound ficaram finalmente autorizados para uso civil, e a Lockheed estreou-os no L-1049C. Mas nem o C nem o L-1049E, que acrescentava os pesos de descolagem e aterragem maiores do cargueiro L-1049D, podiam em geral cobrir o trajeto da Europa a Nova Iorque sem escalas contra os ventos dominantes do Atlântico Norte. A resposta foi o L-1049G: tomava como base a célula do C, montava a versão mais potente do motor, o R-3350-972-TC18DA-3, de 3250 hp (2420 kW) cada um, e elevava o peso máximo à descolagem. Acumulava mais de cem alterações em relação ao C. Como a designação L-1049F já estava ocupada pelo transporte militar C-121C, a nova versão civil passou diretamente à letra G.

O que mudava a bordo e por fora

O mais visível eram os depósitos nas pontas das asas, com 1037 galões americanos (3930 litros) entre ambos, que ampliavam o alcance em cerca de 1110 milhas (1790 km). O cliente podia pedir ainda um radar meteorológico Bendix ou RCA alojado no nariz, que mudava a forma do cone dianteiro, e escolher entre hélices Hamilton Standard ou Curtiss Electric. O fabricante anunciava-o para entre 71 e 95 passageiros a cerca de 331 mph (533 km/h). As obras de referência atribuem-lhe de 62 a 95 lugares em configuração habitual e até 109 em alta densidade, um peso máximo à descolagem de 137 500 lb (62 369 kg), um cruzeiro de 340 mph (550 km/h) a 22 600 pés e um alcance de 5400 milhas (8700 km). Alguns dos últimos exemplares receberam os motores TC-18EA do L-1649 Starliner, e para a Varig construiu-se o L-1049G/01, com asa reforçada, mais peso à descolagem e motores R-3350 988-TC-18EA-3.

Primeiro voo e entrada em serviço

O primeiro L-1049G voou em dezembro de 1954: a 17, segundo as fontes em inglês; a 7, segundo a Wikipédia alemã. Em 1955 entrou ao serviço com a Northwest, que segundo a fonte alemã o pôs em linha em janeiro, e com a TWA, que começou a usá-lo no Atlântico nesse mesmo ano e cunhou o apelido «Super G», que acabou por se estender a toda a versão. A Northwest Orient empregou-o entre 1955 e 1957 na rota de Seattle a Tóquio, Okinawa e Manila. A Eastern Air Lines, que estreara o Super Constellation em 1951, também o incorporou.

Dezasseis companhias

Mais de uma centena de L-1049G foram encomendados por dezasseis companhias. A repartição das entregas que recolhe a Wikipédia alemã soma 102 aviões: TWA (28), Air France (14), Eastern (10), Lufthansa (8), KLM (6), Varig (6), Air India (5), Northwest (4), Trans-Canada Air Lines (4), Cubana (3), TAP (3), Thai Airways Co. (3), Iberia (2), Línea Aeropostal Venezolana (2), Qantas (2), Avianca (1) e um para a Hughes Tool Company; a mesma fonte dá noutra passagem 99 vendas, 38 delas conversões de L-1049E. A KLM levou-o a Tóquio e a Sydney. A Cubana foi a primeira companhia latino-americana com Super Constellation, versões E e G, que voavam de Havana para Madrid, Nova Iorque e Cidade do México. Os G da Iberia mantiveram um serviço semanal Madrid-Santa Maria-Havana até 1966. A Air India foi o primeiro operador asiático de uma frota grande de Super Constellation.

A Lufthansa e o voo de Adenauer

Para a Lufthansa, o Super G foi o avião com que começou a voar longas distâncias. O D-ALAK foi, a 1 de abril de 1955, o primeiro quadrimotor da Alemanha do pós-guerra a receber a sua certificação; perdeu-se em janeiro de 1959 durante a aproximação ao Rio de Janeiro. A 8 de junho de 1955 a companhia abriu com um L-1049G a sua linha transatlântica Düsseldorf-Shannon-Nova Iorque, e o D-ALEM foi o seu primeiro avião de longo curso desse ano. Nesse mesmo ano de 1955, o chanceler Konrad Adenauer alugou dois Super Constellation novos da Lufthansa para viajar a Moscovo e negociar a libertação dos últimos prisioneiros de guerra alemães; um deles era o D-ALIN.

Retirada e última etapa na Índia

A chegada do Boeing 707 e do Douglas DC-8 deslocou a maioria dos Super Constellation dos seus operadores originais. Na Índia tiveram uma segunda vida: a Força Aérea e a Marinha receberam antigos L-1049C, E e G da Air India convertidos pela Hindustan Aeronautics para busca e salvamento no mar. Foram retirados entre 1981 e 1983, substituídos pelo Tupolev Tu-142, e a Índia foi o último operador militar do Constellation.

Exemplares conservados

O L-1049G é a versão mais bem representada entre os sobreviventes. O D-ALIN (número de série 4604) está exposto na Flugausstellung de Hermeskeil, na Alemanha. O D-ALEM autêntico (4603), construído em 1955, está no Hangar One do grupo Lufthansa no aeroporto de Frankfurt, enquanto no parque de visitantes do aeroporto de Munique se mostra o antigo F-BHML (4671), último matriculado pela Air Fret, pintado como D-ALEM. Em França conservam-se o F-BGNJ (4519), junto ao aeroporto de Nantes Atlantique, e o F-BHBG (4626), em frente da discoteca Le Moulin, em Le Juch. O IN315 (4614) da Marinha indiana está no museu da aviação naval de Goa. O CF-TGE (4544) da Trans-Canada, no Museum of Flight de Seattle, figura como L-1049G numa fonte e como L-1049C noutra.