Variante do Fokker F28 Fellowship
Fokker F28 Fellowship F.28 Mk 4000
Versão de fuselagem longa e asa prolongada do Fokker F28 Fellowship, com motores Spey 555-15H e até 85 lugares; lançada com a Linjeflyg em 1976, foi a variante de maior sucesso da família.
Ficha do Fokker F28 Fellowship

- 20 de outubro de 1976
- Primeiro voo
- 1668 km
- Alcance
- 85
- Passageiros
História
O F.28 Mk 4000, habitualmente chamado F28-4000, foi a grande revisão do Fokker F28 Fellowship, o bimotor a jato regional que a Fokker tinha apresentado como projeto no Salão Aeronáutico de Hannover a 28 de abril de 1962 e cujo protótipo voou pela primeira vez a 9 de maio de 1967. A meados da década de 1970, as primeiras versões, o Mk 1000 de fuselagem curta e o Mk 2000 alongado, tinham consolidado o tipo nas frotas regionais de todo o mundo, mas a Fokker reconheceu que eram necessárias mais capacidade, melhor desempenho e uma cabina mais confortável para continuar a ser competitiva face a rivais como o BAC One-Eleven e o Douglas DC-9. A resposta foi um par de versões que partilhavam o mesmo pacote de melhorias: o Mk 3000 sobre a fuselagem curta do Mk 1000 e o Mk 4000 sobre a fuselagem longa do Mk 2000.
Alterações em relação às versões anteriores

O Mk 4000 manteve o comprimento do Mk 2000, cerca de 29,6 m, e acrescentou uma asa com um prolongamento de envergadura de 60 polegadas (cerca de 1,5 m) e estrutura reforçada, que melhorava a sustentação e o comportamento em pistas curtas. Para evacuar uma cabina que podia receber até 85 passageiros numa configuração de classe única, foram instaladas duas saídas de emergência sobre a asa em cada lado. A propulsão provinha de dois turbofans Rolls-Royce Spey 555-15H mais silenciosos, de cerca de 9.850 lbf (43,9 kN) de empuxo cada um, e o peso máximo à descolagem subiu para 33.110 kg, um aumento significativo em relação ao Mk 1000 e ao Mk 2000. O posto de pilotagem foi redesenhado e a cabina recebeu o chamado interior “wide-look”, com bagageiras superiores fechadas e um aspeto menos tubular. A Aeropedia descreve-o também como um modelo de maior alcance, com maior capacidade de combustível, capaz de voar etapas de até 3.781 km. A aviónica manteve-se analógica durante toda a produção, embora as aeronaves posteriores e as modernizações feitas pelos operadores tenham introduzido melhorias graduais.
Certificação e cliente de lançamento
Segundo a Wikipédia, o primeiro protótipo apareceu a 20 de outubro de 1976 (a Modern Airliners indica essa data como a do seu primeiro voo), e a versão foi aprovada a 13 de dezembro de 1976, dia em que obteve o seu Certificado de Aeronavegabilidade segundo os arquivos de história da Fokker citados pela Ready for Takeoff. A companhia sueca de voos internos Linjeflyg foi o seu cliente de lançamento: o Mk 4000 foi, de facto, concebido como uma versão à medida da Linjeflyg, e entrou ao serviço da companhia no final de 1976. A Linjeflyg operou o F28 de 1973 a 1992, com três Mk 1000 e dezassete Mk 4000, e em 1992 era o maior operador de F28 do mundo; a 1 de janeiro de 1993 a empresa foi integrada na SAS.
Operadores

Além da Linjeflyg, a Ready for Takeoff cita entre os seus principais operadores a Garuda Indonesia, a Piedmont Airlines, a USAir e a Turkish Airlines. Na Austrália, a East West Airlines encomendou dois F-28-4000 a 30 de maio de 1980, o VH-EWA (c/n 11195) e o VH-EWB (c/n 11205), e um terceiro no início de 1982, o VH-EWC (c/n 11207); seguiu-se o VH-EWD (c/n 11208), e a sua frota passou a incluir F-28-4000 de 72 lugares ao lado de dois Mk 3000 de 65 lugares. No final de 1981, a Airlines of Western Australia anunciou a encomenda de dois Mk 4000 para substituir os seus Mk 1000; tornaram-se o VH-FKI (c/n 11183) e o VH-FKJ (c/n 11186). A Lloyd Aviation Jet Charter operou o VH-LAR (c/n 11212, ex PH-EXZ) a partir de Adelaide e ganhou com ele um contrato de cinco anos para servir os empreendimentos de gás e petróleo da Santos no Sul da Austrália e em Brisbane; a aeronave passou a VH-FKO em 1990 e chegou a voar em fretamento para a Qantas entre Adelaide, Moomba, Jackson e Brisbane. Operadores como a Linjeflyg e a MacRobertson Miller Airlines atingiram uma utilização diária superior a oito horas de calço a calço, fazendo a aeronave percorrer várias etapas curtas por dia.
Operação e desempenho
Concebido para voo regional intensivo em etapas de uma a duas horas, necessitava de cerca de 1.680 m de pista com o peso máximo à descolagem e de cerca de 1.040 m para aterrar, o que abria aeroportos secundários a que os aviões de corredor único maiores não chegavam. Com carga paga completa podia voar cerca de 1.850 km. Os pneus de baixa pressão do trem principal permitiam operar a partir de pistas semipreparadas, uma característica valiosa em África e em partes da América do Sul, e os seus motores silenciosos convinham tanto aos aeroportos europeus sensíveis ao ruído como aos aeródromos de altitude dos Andes. Com o tempo, o envelhecimento das frotas, a crescente escassez de peças sobresselentes depois de a Fokker ter encerrado a produção em 1987, as normas mais estritas de ruído e emissões e o seu consumo de combustível levaram à sua retirada.
Incidentes, legado e aeronaves preservadas

A 22 de setembro de 2008, um F28-4000 que operava o voo 504 da Icaro Air de Quito para o Aeroporto Francisco de Orellana abortou a descolagem após um alarme de incêndio no compartimento de carga dianteiro. A experiência operacional com o Mk 4000 serviu de base ao desenvolvimento do Fokker 100, que voou em 1986, e do Fokker 70, que se lhe seguiu em 1993. Sobrevivem vários exemplares: o PK-MGJ (c/n 11175), transformado em cinema em Baturraden, na Java Central; o XY-ADW (c/n 11114), um bar no Sky Palace Hotel em Naypyidaw; o XY-AGH (c/n 11161), no Museu dos Serviços de Defesa em Naypyidaw, com as cores da Myanma Airways; e o XY-AGA (c/n 11232), no Instituto de Formação da Aviação Civil do Aeroporto Internacional de Yangon.
Multimédia


















