Variante do Eurofighter Typhoon

Eurofighter Typhoon FGR4

Designação de serviço da RAF para o Eurofighter Typhoon monolugar multifunção, nascida da atualização ar-superfície do Block 5 da Tranche 1 e consolidada pelo Projeto Centurion.

Ficha do Eurofighter Typhoon

Eurofighter Typhoon FGR4
Eurofighter EF2000 e RAF Typhoon FGR4Ronnie Macdonald from Chelmsford and Largs, United Kingdom (CC BY), vía commons

História

O Typhoon FGR4 é a designação de serviço da Royal Air Force para o seu Eurofighter Typhoon monolugar em configuração multifunção. Não se trata de um modelo de produção separado, mas do resultado de uma decisão britânica sobre capacidades. A RAF colocou os seus primeiros Typhoon em serviço como F2, um caça puramente de defesa aérea que herdava o papel até então desempenhado pelo Tornado F3. Essa primeira geração revelou rapidamente os seus limites: as aeronaves da Tranche 1 só podiam largar bombas guiadas por laser quando um terceiro designava o alvo, e a perspetiva de empregar o tipo no Afeganistão significava que o Reino Unido precisava de uma capacidade de bombardeamento autónoma antes das restantes nações parceiras. Em 2006, o Ministério da Defesa britânico lançou a Change Proposal 193, um programa de 73 milhões de libras para dotar as aeronaves da Tranche 1 Block 5 de uma capacidade ar-superfície «austera», construída em torno da bomba GBU-16 Paveway II e do designador laser Rafael/Ultra Electronics Litening III. As aeronaves com essa atualização foram designadas Typhoon FGR4 pela RAF — fighter, ground attack, reconnaissance — e o rótulo acabou por se estender a toda a frota britânica monolugar multifunção, incluindo os aparelhos posteriores da Tranche 2 e da Tranche 3, que receberam capacidade equivalente pela via principal de desenvolvimento através dos pacotes Phase 1 Enhancement.

O historial operacional do FGR4 abre-se sobre o Mediterrâneo. Em 20 de março de 2011, dez Typhoon de RAF Coningsby e RAF Leuchars chegaram à base aérea de Gioia del Colle, no sul da Itália, para fazer cumprir a zona de exclusão aérea sobre a Líbia junto com Tornado GR4; o movimento tinha sido anunciado em 19 de março e o esquadrão deixou a sua base de origem em vinte e quatro horas, realizando a sua primeira missão operacional dezoito horas após a chegada. Em 21 de março, os Typhoon da RAF realizaram a sua primeira missão de combate de sempre. Nessa fase inicial, atuaram numa função defensiva de contra-ar, cada um armado com seis mísseis Raytheon AIM-120 AMRAAM e dois MBDA ASRAAM, além do canhão Mauser de 27 mm. O emprego surpreendeu muitos observadores, porque a força de linha da frente de Typhoon, de três esquadrões, apenas conseguia cumprir os seus compromissos permanentes de dois alertas de reação rápida, um no Reino Unido e outro a cobrir as Ilhas Falkland. Sobre a Líbia, os aparelhos da Tranche 1 utilizaram a GBU-12 Paveway II; em julho de 2014, uma dezena de Typhoon Tranche 2 da RAF já tinham sido atualizados ao padrão Phase 1 Enhancement, habilitando a Paveway IV, que pode ser regulada para detonar acima ou abaixo de um alvo e atacar com um ângulo escolhido.

Eurofighter Typhoon FGR4
Royal Air Force Eurofighter Typhoon FGR4 (MOD 45160576)SAC Tim Laurence / UK MOD (OGL), vía commons

O passo decisivo foi o Projeto Centurion. Com a retirada do Tornado GR4 da RAF confirmada para março de 2019, o Reino Unido iniciou em 2014 um programa de atualização de 425 milhões de libras para garantir que o Typhoon pudesse assumir as funções de ataque de precisão do envelhecido Tornado. Foi entregue em fases: a Phase 0 cobriu as atualizações multifunção iniciais; a Phase 1/P2EA trouxe a integração do MBDA Meteor e uma capacidade inicial de Storm Shadow; a Phase 2/P3EA acrescentou a capacidade completa de Storm Shadow juntamente com a integração do Brimstone. As aeronaves no padrão Phase 1 foram empregadas operacionalmente por primeira vez no âmbito da Operation Shader sobre o Iraque e a Síria em 2018, e em 18 de dezembro de 2018 a RAF aprovou a entrada em serviço do pacote Centurion completo. Boa parte do trabalho de ensaios coube ao IPA6 (ZJ938), um monolugar de construção britânica inicialmente configurado no padrão Tranche 1 Block 5 e depois atualizado para o Block 8, que realizou o seu primeiro voo em 1 de novembro de 2007 e tinha acumulado mais de 1000 horas de voo até junho de 2022, depois de ter sido pioneiro nos lançamentos do Brimstone 2, do Meteor e do Storm Shadow no âmbito do Centurion. Com o pacote entregue, a BAE Systems e o 41 Squadron avançaram para a iteração seguinte do Centurion, testando em voo o pod de designação Litening 5, uma nova versão do sensor FLIR/IRST PIRATE, o visor montado no capacete BAE Striker II e o decoy ativo descartável BriteCloud da Leonardo, do qual foram lançadas 33 unidades contra ameaças simuladas em abril de 2019.

A própria página de aeronaves da RAF descreve o FGR4 como um caça multifunção de quarta geração extremamente ágil, empregável em policiamento aéreo, manutenção da paz e conflitos de alta intensidade. O seu armamento ar-ar combina o ASRAAM de guiamento infravermelho, o canhão Mauser de 27 mm e o AMRAAM e o Meteor, guiados por radar, para maiores alcances; para o trabalho ar-superfície transporta bombas Paveway IV guiadas por GPS e laser, mísseis Brimstone 2 e o míssil de cruzeiro de longo alcance Storm Shadow. Em reconhecimento armado e apoio aéreo próximo, a configuração típica é um pod de designação Litening V, quatro bombas Paveway IV, seis mísseis Brimstone 2 e o canhão. Os sensores incluem o radar Captor ECR 90, o sistema de busca e seguimento infravermelho PIRATE e o pod Litening V, enquanto o conjunto defensivo inclui medidas de contramedidas e vigilância eletrónica, um avisador de aproximação de mísseis, dispositivos descartáveis e um decoy de radar rebocado. O piloto controla a aeronave através de um sistema hands-on-throttle-and-stick e do conjunto de equipamento de capacete. A Air Forces Monthly atribui ao FGR4 multifunção uma velocidade máxima de supercruzeiro de Mach 1,1, embora numa avaliação em Singapura um Typhoon tenha atingido Mach 1,21 em supercruzeiro num dia de calor com carga de combate.

A estrutura de esquadrões que voa o tipo foi-se consolidando a partir de meados da década de 2000. O No. 29 (R) Squadron formou-se como unidade de conversão operacional do Typhoon, e o No. 3 (Fighter) Squadron tornou-se o primeiro esquadrão operacional de Typhoon em 31 de março de 2006, em RAF Coningsby; os seus Typhoon F2 assumiram as funções de alerta de reação rápida do Tornado F3 em 29 de junho de 2007. O No. XI (F) Squadron formou-se em 29 de março de 2007 e recebeu a sua primeira aeronave multifunção nesse mês de agosto; o No. 6 Squadron formou-se em RAF Leuchars em 6 de setembro de 2010, e o No. 41 (R) Test and Evaluation Squadron começou a operar o Typhoon a partir de Coningsby em 22 de abril de 2013. O No. II (AC) Squadron tornou-se o quinto esquadrão de Typhoon em 12 de janeiro de 2015, em RAF Lossiemouth, e o No. IX (B) Squadron converteu-se do Tornado GR4 para o Typhoon FGR4 em 1 de abril de 2019, como unidade agressora e de defesa aérea. O No. 12 (B) Squadron, anunciado em dezembro de 2017 como unidade conjunta RAF/catari, recebeu o seu primeiro Typhoon FGR4 em julho de 2019 e começou a operar como unidade conjunta RAF-QEAF em Coningsby em julho de 2020. A Strategic Defence and Security Review de 2015 decidiu manter algumas aeronaves da Tranche 1 para fazer crescer a força da linha da frente de cinco para sete esquadrões e para atrasar a data de saída de serviço de 2030 para 2040.

O ritmo operacional não abrandou. Em 3 de dezembro de 2015, seis Typhoon FGR4 foram destacados para RAF Akrotiri para apoiar operações contra o ISIL, atacando alvos na Síria na noite seguinte junto com Tornado. Em outubro de 2016, quatro FGR4 do No. II (AC) Squadron, apoiados por um avião-cisterna Voyager KC3 e um C-17 Globemaster III, foram destacados para a Base Aérea de Misawa, no Japão, para os primeiros exercícios bilaterais da JASDF com forças que não fossem norte-americanas. Em 2019, o No. XI (F) Squadron enviou quatro aeronaves para Ämari, na Estónia, numa missão de policiamento aéreo báltico da NATO de quatro meses, no âmbito da Operation Azotize, e entre novembro e dezembro o No. 1 (F) Squadron voou a partir de Keflavik, na Islândia, realizando mais de 180 interceções de prática e 59 missões de treino num único mês. Em 14 de dezembro de 2021, um Typhoon alcançou o primeiro combate ar-ar operacional da RAF com o tipo, abatendo um pequeno drone hostil com um ASRAAM perto da base da coalizão de Al-Tanf, na Síria. Em 7 de setembro de 2022, durante o SinkEx conjunto Reino Unido/EUA «Atlantic Thunder», um Typhoon do 41 Squadron atingiu o ex-USS Boone com bombas Paveway IV, o primeiro Typhoon da RAF a atingir um alvo naval com munição real. Em setembro de 2023, o mesmo esquadrão aterrou e decolou de uma autoestrada em Tervo durante o exercício finlandês «Baana 23», uma primeira para qualquer operador do Eurofighter. Em 12 de janeiro de 2024, quatro Typhoon lançaram bombas Paveway IV sobre duas instalações militares houthis usadas para lançar ataques com drones e mísseis contra o tráfego marítimo no mar Vermelho, e em 13 de abril desse ano Typhoon baseados em Cipre e na Romênia abateram veículos aéreos não tripulados durante os ataques iranianos a Israel, ao operarem no âmbito da Operation Shader. Em 1 de março de 2026, um Typhoon do 12 Squadron a voar a partir do Catar abateu um UAV iraniano que se aproximava do espaço aéreo catariano, e em maio de 2026 a frota foi empregada no Médio Oriente com o Advanced Precision Kill Weapon System, de origem norte-americana, para destruir drones de forma mais económica.

Eurofighter Typhoon FGR4
Royal Air Force Eurofighter Typhoon FGR 4 ZK344, Royal International Air Tattoo 2025 (2)Julian Herzog (CC BY), vía commons

O 160.º e último Typhoon encomendado pela RAF, o ZK437, foi entregue em 27 de setembro de 2019. O Defence Command Paper publicado em 22 de março de 2021 anunciou a retirada de todos os Typhoon da Tranche 1 até 2025 e a modernização da frota restante; nesse mesmo ano, o Reino Unido lançou o pacote P3Ec, com entrega prevista para 2024, que, entre outras melhorias, substitui os mostradores multifunção por um Large Area Display. Em abril de 2025, o inventário total de Typhoon da RAF era de 137 aeronaves, predominantemente das Tranches 2 e 3, e em setembro de 2025 já tinham sido abatidas 26 das 30 células originais da Tranche 1, restando cerca de 107 plataformas operacionais com serviço previsto pelo menos até 2040. O FGR4 voa hoje a partir de RAF Coningsby e RAF Lossiemouth e mantém funções de alerta de reação rápida no Reino Unido e nas Ilhas Falkland, além das operações Ellamy, Shader, Azotize e Biloxi que marcam o seu historial.

Multimédia

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Royal Air Force Eurofighter Typhoon FGR4 (MOD 45160576)SAC Tim Laurence / UK MOD (OGL), vía commons
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Royal Air Force Eurofighter Typhoon FGR 4 ZK344, Royal International Air Tattoo 2025 (2)Julian Herzog (CC BY), vía commons
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Royal Air Force Eurofighter Typhoon FGR 4 ZK344, Royal International Air Tattoo 2025 (1)Julian Herzog (CC BY), vía commons
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Eurofighter Typhoon FGR4 da Royal Air Force (ZJ914), Radom Air Show, 20230826 1701 9964Jakub Hałun (CC BY SA), vía commons
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Eurofighter Typhoon FGR4Ronnie Macdonald (CC BY), vía commons
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Eurofighter Typhoon FGR4 - Royal Air Force - ZJ935Steve Lyne (CC BY), vía commons
Fontes: Royal Air Force — Typhoon FGR4