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Airspeed AS.5 Courier

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11 de abril de 1933
Primeiro voo
Em serviço
Estado
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O Airspeed AS.5 Courier foi um monoplano britânico de asa baixa, monomotor e de cabine fechada para cinco ou seis ocupantes, um piloto e cinco passageiros, idealizado por Hessell Tiltman, um dos fundadores da Airspeed Ltd, e construído primeiro em York e depois em Portsmouth. O seu lugar na história da aviação deve-o a um elemento que hoje damos por adquirido: foi o primeiro avião britânico com trem de aterragem retrátil a ser fabricado em série. O projeto arrancou em 1931 como um avião moderno e espaçoso para proprietários particulares, mas tomou forma definitiva graças a Sir Alan Cobham, que precisava de uma máquina capaz de voar sem escalas de Inglaterra à Índia reabastecendo no ar. O contrato provisório foi assinado em maio de 1932 e confirmado em agosto; o protótipo, matriculado G-ABXN e movido por um motor radial Armstrong Siddeley Lynx IVC de 240 hp, voou em Portsmouth em abril de 1933, no dia 10 ou 11 consoante a fonte consultada. A tentativa de Cobham, iniciada a 24 de setembro de 1934, terminou numa aterragem forçada em Malta pela rotura do comando dos gases, embora tenha demonstrado que o reabastecimento em voo era praticável. Nessa altura a Airspeed já lançara uma pequena série: ao todo construíram-se 16 Courier contando o protótipo, a maioria da versão AS.5A com motor Lynx e alguns com motores Cheetah ou Napier Rapier. Os Courier trabalharam como pequenos aviões de linha e táxis aéreos em companhias britânicas dos anos trinta; um deles terminou em sexto na grande corrida MacRobertson de Inglaterra à Austrália de 1934, outros dois serviram como bancos de ensaio para o Royal Aircraft Establishment e para o fabricante de motores Napier, e cinco acabaram enredados numa operação de venda à República durante a Guerra Civil Espanhola que nunca chegou a concretizar-se. Com a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos sobreviventes foi requisitada pela Royal Air Force como aviões de ligação, e só um saiu vivo do conflito antes de acabar desmantelado no pós-guerra. A sua herança foi sobretudo técnica: o trem retrátil patenteado pela Airspeed e a fórmula do Courier prolongaram-se no bimotor Envoy e no treinador Oxford, um dos aviões britânicos mais fabricados da sua época.

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História

Um avião para o proprietário particular

Ao longo de 1931, quando o trimotor Ferry estava prestes a ser concluído, o cofundador da Airspeed Hessell Tiltman queria já ter em marcha o projeto seguinte. A equipa de projeto trocava havia algum tempo esboços de um avião para particulares que superasse o que o mercado oferecia então: mais útil, mais amplo e capaz de transportar cinco ou seis pessoas. Tiltman apresentou os primeiros rascunhos ao conselho de administração da empresa, que autorizou a continuação em novembro de 1931. A jovem companhia, porém, andava escassa de capital, e a construção de um protótipo teve de esperar que surgisse um cliente disposto a pagá-lo.

Desde o princípio, Tiltman imaginou um aparelho rápido e avançado face aos seus contemporâneos, que pudesse também servir como transporte de tamanho médio e não apenas como avião de recreio. A peça central dessa ambição seria um trem de aterragem principal que recolhesse em voo. Segundo o historiador H. A. Taylor, a ideia de um trem de acionamento hidráulico pode ter-se inspirado no norte-americano Lockheed Orion, de tamanho semelhante mas de mecanismo manual, embora o próprio Taylor avise que essa filiação poderia ser uma lenda. Nevil Shute, também cofundador da Airspeed, repetiu a história na sua autobiografia Slide Rule e chegou a considerar o do Courier como o primeiro trem retrátil hidráulico.

A encomenda de Alan Cobham

O projeto coincidiu no tempo com as necessidades de Sir Alan Cobham, um dos grandes nomes da aviação britânica do período entre guerras. Cobham preparava um voo sem escalas até à Índia que devia servir de montra das suas técnicas de reabastecimento em voo, e procurava um avião adequado. Em abril de 1932 já havia conversações entre a Airspeed, Cobham e Lord Wakefield, o seu patrocinador, e a 6 de maio de 1932 foi emitido um contrato provisório por um único exemplar.

Cobham e os seus mecenas estavam dispostos a pagar 10 000 libras por esse primeiro avião com o seu motor Armstrong Siddeley Lynx, mas impuseram um calendário muito exigente: a entrega devia ocorrer, o mais tardar, a 6 de abril de 1933, com duras penalizações se o desenvolvimento se atrasasse.

Dúvidas no conselho e construção em York

O trem retrátil não convencia toda a gente. Nos círculos aeronáuticos britânicos havia quem duvidasse de que compensasse a complexidade dos mecanismos de subida e descida, e no próprio conselho da Airspeed Lord Grimthorpe mostrou-se pessimista, ao que parece influenciado por esses críticos externos. Tiltman defendeu a solução com energia, vários conselheiros apoiaram-no e o trem manteve-se. Segundo a enciclopédia Delta, Tiltman seguiu em frente sem entrar em polémicas e deixou que os resultados falassem por ele.

Os acordos com Cobham ficaram fechados em agosto de 1932 e a construção do protótipo começou no mês seguinte nas instalações de York, embora o projeto só tenha sido dado como definitivo em outubro. A montagem fez-se a bom ritmo para entregar o avião o mais depressa possível. O trem, em particular, obrigou a fabricar internamente quase todas as suas peças, porque os fornecedores não ofereciam componentes adequados.

Primeiro voo em Portsmouth

Em março de 1933, a Airspeed mudou-se de York para Portsmouth, onde a câmara municipal lhe ofereceu condições generosas para erguer uma fábrica no aeródromo municipal. O protótipo viajou por estrada até à nova sede, foi montado de novo e, matriculado G-ABXN, levantou voo pela primeira vez em abril de 1933 aos comandos de George Stainforth, piloto do Royal Aircraft Establishment. A data exata varia consoante a fonte: a Wikipédia em inglês e a Aeropedia indicam 10 de abril, enquanto a enciclopédia Delta, a Wikipédia alemã, a Aviastar e a cronologia da Fundação Nevil Shute indicam 11.

Os primeiros voos fizeram-se com o motor Lynx IVC de 240 hp a descoberto, sem carenagem, e mesmo assim o avião aproximou-se do desempenho calculado para a versão definitiva. Mais tarde o motor recebeu um anel carenado do tipo Townend. Os ensaios despertaram tanta curiosidade que técnicos de fabricantes rivais acorriam para os observar. Durante o programa o protótipo sofreu dois incidentes menores, em abril de 1933 em Portsmouth e em junho na base de Martlesham Heath, e em ambos os casos foi reparado rapidamente.

Madeira, contraplacado e um trem que se escondia

O Courier era um monoplano cantilever de asa baixa com cabine fechada, construído sobretudo em madeira. A secção central da asa formava uma peça única com a fuselagem; as secções exteriores montavam-se sobre duas longarinas de abeto em caixão unidas por nervuras de contraplacado, e a asa era revestida a tela exceto no bordo de ataque. A fuselagem era revestida a contraplacado. O estabilizador horizontal, com deriva em consola, podia ajustar-se por meio de um fuso.

A grande novidade era o trem principal retrátil, desenvolvido e patenteado pela Airspeed, que mais tarde cobraria direitos quando o sistema foi aplicado a outros aviões como o Oxford. O piloto acionava-o com uma bomba hidráulica manual. O mecanismo acrescentava cerca de 30 libras de peso, em troca de um ganho de velocidade de cruzeiro de cerca de 20 milhas por hora, uns 32 km/h, graças à menor resistência. Um detalhe prático tornava-o mais tolerante: com o trem recolhido as rodas continuavam a sobressair um pouco por baixo da asa, pelo que uma aterragem com o trem esquecido em cima costumava saldar-se com uma hélice torta e pouco mais. A imprensa aeronáutica da época prestou muita atenção a essa solução.

Combustível à medida

A Airspeed oferecia o avião adaptado a etapas curtas ou longas, com duas configurações de depósitos: uma de 28 galões na secção central da asa e outra de 66 galões repartidos entre dois depósitos centrais e um depósito auxiliar. O protótipo de Cobham levava muitíssimo mais, 275 galões, uns 1250 litros, uma quantidade com a qual não podia descolar por excesso de peso: essa capacidade só fazia sentido se fosse atestada em pleno voo.

Também se ofereceram vários motores. O Lynx foi promovido para uso nas ilhas Britânicas, enquanto o radial Armstrong Siddeley Cheetah foi montado em boa parte dos exemplares. Por volta de dezembro de 1933, a Airspeed oferecia já duas versões básicas: uma pensada para o mercado nacional, a AS.5A com Lynx IVC, e outra colonial destinada aos territórios do Império Britânico, a AS.5B com Cheetah V.

Produção e versões

Animada pelo bom comportamento do protótipo, a Airspeed decidiu no verão de 1933 fabricar o Courier em série. A 4 de setembro de 1933 entregou o primeiro avião de um lote inicial de três ao seu distribuidor, a Aircraft Exchange and Mart, que o levou logo num voo de demonstração à Escócia e noutras viagens promocionais. Entre 1933 e 1934 saíram de Portsmouth 15 aviões de série, que com o protótipo somaram 16 Courier.

A versão principal foi a AS.5A, com motor Lynx IVC e cabine para cinco passageiros, da qual se construíram 11 exemplares segundo as Wikipédias francesa e alemã. A AS.5B montava o Cheetah V, mais potente, e fabricaram-se dois. A AS.5C foi um único avião, o G-ACNZ, comprado pela Napier para afinar o seu motor Napier Rapier IV, um motor em H de 16 cilindros que movia uma hélice de quatro pás em madeira; mais tarde recebeu de novo um Lynx. Houve ainda um AS.5J, o G-ACVG, destinado à Índia, que antes de ser entregue com a matrícula VT-AFY foi convertido ao padrão AS.5A. A Airspeed estudou até um AS.11 Courier inteiramente metálico para o Canadá, que ficou em projeto.

Com o Lynx IVC, o Courier tinha 14,33 m de envergadura, 8,69 m de comprimento, 2,67 m de altura e cerca de 23 m² de área alar. Pesava 1063 kg vazio e até 1769 kg com carga máxima, atingia 246 km/h de velocidade máxima, cruzava a 212 km/h, cobria cerca de 1022 km e chegava a um teto de 4115 m.

O voo para a Índia

O protótipo não chegou a tempo da data de 6 de abril de 1933, mas Cobham também não estava pronto para o seu grande voo. Durante quase um ano ensaiou o reabastecimento em voo, em boa parte a partir de Martlesham Heath, com biplanos Handley Page W.10 como aviões-tanque. Nevil Shute participou em algumas dessas provas e recordaria em Slide Rule como, meio debruçado fora do Courier, tentava apanhar a mangueira que pendia do Handley Page enquanto voavam em formação.

A 24 de setembro de 1934 Cobham descolou de Portsmouth rumo à Índia e chegou a reabastecer no ar a partir de um W.10. A rotura do comando dos gases obrigou-o, porém, a uma aterragem forçada em Malta. O objetivo de ligar Inglaterra e a Índia sem escalas não se cumpriu, mas a viabilidade do método ficou provada, e Cobham continuou a aperfeiçoá-lo nos anos seguintes.

Linhas aéreas, táxis e corridas

Os Courier de série foram vendidos a clientes civis, que os empregaram como pequenos aviões de linha e como táxis aéreos. Várias empresas experimentaram com eles as primeiras rotas regulares: London, Scottish & Provincial Airways, North Eastern Airways, Cobham Air Routes, Channel Airways ou Air Taxis Ltd, e a Portsmouth, Southsea & Isle of Wight Aviation chegou a operar cinco ao longo de vários anos. A 29 de setembro de 1934, o G-ACSY da London, Scottish & Provincial caiu em Shoreham; morreram os seus quatro ocupantes e duas pessoas ficaram feridas em terra.

O tipo gozou também de certa fama nas corridas aéreas. O primeiro avião de série, o G-ACJL, participou em outubro de 1934 na corrida MacRobertson entre Mildenhall e Melbourne, pilotado pelo squadron leader D. E. Stodart e por K. G. Stodart. Foi um dos 11 aviões que chegaram à Austrália dos 20 que tomaram a partida e terminou em sexto; a Aeropedia coloca-o em quarto na classificação com handicap, com um tempo de 100 horas e 24 minutos. Depois ficou na Austrália, onde foi matriculado como VH-UUF.

Bancos de ensaio para a investigação

A sua aerodinâmica avançada fez de dois Courier aviões de investigação. O Ministério da Aeronáutica comprou em 1934 um AS.5A, matriculado K4047, que passou para o Royal Aircraft Establishment de Farnborough. Segundo a enciclopédia Delta, em 1935 voltou à Airspeed para receber dispositivos de sustentação e de travagem, porque era difícil fazer o Courier perder velocidade e pousar: flaps ranhurados Handley Page nos bordos de fuga das secções exteriores, travões aerodinâmicos na secção central junto à fuselagem e ailerons rebatíveis, além de comandos modificados. Remotorizado mais tarde com um Cheetah IX, continuou em serviço até um acidente mortal a 14 de julho de 1943. O segundo avião de ensaios foi o AS.5C da Napier, empregado no desenvolvimento do motor Rapier.

O episódio espanhol

Shute conta em Slide Rule que seis Courier voltaram à empresa quando a companhia que os explorava suspendeu os seus serviços, e que o rebentar da Guerra Civil Espanhola permitiu vendê-los logo a intermediários por mais do que tinham custado novos, a caminho de Espanha por vias pouco claras. Em 1936, uma organização dedicada ao tráfico de armas, o Union Founders' Trust, comprou cinco Courier para os revender à República, mas os protestos dos partidários da não intervenção na Grã-Bretanha travaram a entrega.

Dois trabalhadores da Airspeed simpatizantes da causa republicana tentaram então levar por sua conta o G-ACVE. O avião caiu ao descolar de Portsmouth a 20 de agosto de 1936; Arthur Gargett morreu e Joseph Smith foi condenado a quatro meses de prisão.

Guerra e fim

Ao rebentar a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos Courier que ainda voavam foi requisitada pela Royal Air Force. Segundo a Wikipédia francesa foram nove AS.5A, atribuídos primeiro à National Air Communication Unit e repartidos depois por diferentes esquadrilhas de ligação; com o K4047, a RAF chegou a ter dez Courier em serviço, enquanto a Aeropedia fala de oito requisitados. Voaram também com o Air Transport Auxiliary e com o No. 3 Ferry Pilots Pool, em tarefas de transporte e comunicações. O próprio protótipo de Cobham foi um dos mobilizados.

Só um, o G-ACVF, sobreviveu à guerra. A Delta indica que voltou ao registo civil a 15 de janeiro de 1946; durante pouco tempo passeou turistas em Southend-on-Sea e, segundo a maioria das fontes, foi desmantelado em dezembro de 1947, embora a Aeropedia situe o fim em 1949 por falta de peças sobresselentes. Não se conserva nenhum exemplar.

Legado

O Courier foi um avião de série curta, mas abriu caminho. Demonstrou no Reino Unido que um trem retrátil podia ser fiável e rentável num avião comercial, e deu à Airspeed uma patente que a empresa continuou a explorar. A sua conceção passou para o bimotor AS.6 Envoy, nascido em 1934 como desenvolvimento do Courier, e deste derivou o Oxford, o treinador bimotor que a RAF utilizou aos milhares durante a guerra. Com o seu voo para a Índia, além disso, o Courier ficou ligado aos inícios do reabastecimento em voo, uma técnica que Cobham transformaria no trabalho da sua vida.

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Variantes

Airspeed AS.5 CourierAS.5AAS.5BAS.5CAS.5J
Tipo de aeronaveMonoplano de cabina de ala baja para cinco o seis plazas, con tren retráctil————
Grupo motopropulsorUn motor radial de siete cilindros Armstrong Siddeley Lynx IVC refrigerado por aire, de 240 hp————
Motorização1 × Armstrong Siddeley Lynx IVC1 × Armstrong Siddeley Lynx IVC1 × Armstrong Siddeley Cheetah V1 × Napier Rapier IV—
Potência unitária240 hp240 hp278 hp325 hp Melhor valor da linha—
Comprimento8,7 m————
Envergadura14,3 m————
Altura2,7 m————
Área alar23,2 m²————
Peso vazio1063 kg————
MTOW1769 kg————
Velocidade máxima246 km/h————
Velocidade de cruzeiro212 km/h————
Teto de serviço4115 m————
Razão de subida inicial3,7 m/s————
Alcance1022 km————
Condições de alcanceAlcance de 635 millas (1.022 km); se ofrecían dos depósitos opcionales, de 28 y de 66 galones————
ArmamentoNinguno (avión civil de transporte ligero)————
Carga bélica máxima0 kg————
Capacidade de cargaUn piloto y cinco pasajeros; carga útil no publicada en las fuentes————
Tripulação1 Melhor valor da linha1 Melhor valor da linha———
Passageiros5 Melhor valor da linha5 Melhor valor da linha———
Unidades construídas—11 Melhor valor da linha211

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Sabia… sobre Airspeed AS.5 Courier