Variante do Lockheed P-38 Lightning
Lockheed P-38 Lightning P-38F
O P-38F foi a versão com a qual o Lightning da Lockheed deixou de ser uma promessa de pré-série e se tornou um caça de primeira linha: as fontes francesas descrevem-no como a primeira variante do P-38 considerada plenamente apta para o combate. Sucedeu na linha de montagem aos 210 P-38E e foram fabricados 527 exemplares, propulsionados por dois Allison V-1710-49/53 de 988 kW (1325 cv). A sua novidade mais visível foram os suportes sob a asa, situados por dentro dos motores, que admitiam tanques lançáveis ou até 2000 libras (cerca de 900 kg) de bombas. Essa capacidade permitiu-lhe protagonizar a Operação Bolero, o traslado em voo de caças para a Grã-Bretanha através da Gronelândia e da Islândia no verão de 1942, e, a partir da subsérie P-38F-15, estrear um ajuste de combate de 8° nos flaps Fowler que melhorava a curva. Com o P-38F chegou também a primeira vitória das Forças Aéreas do Exército sobre um avião alemão, um Fw 200 Condor abatido perto da Islândia a 14 de agosto de 1942. Depois, os grupos 1.º, 14.º e 82.º levaram-no para o norte de África após a Operação Torch, onde combateu desde novembro de 1942 até à campanha da Tunísia, e no Pacífico voou sobre a Nova Guiné e a partir de Guadalcanal. Mais pesado e gastador do que os seus antecessores, arrastou problemas de fiabilidade e de alcance sem tanques, mas abriu o caminho de todas as versões posteriores.
Ficha do Lockheed P-38 Lightning
- 527
- Unidades construídas
História
Uma versão de transição convertida em caça de combate
Depois dos 210 P-38E, a linha de Burbank passou em 1942 a fabricar o P-38F. A Wikipédia inglesa situa o arranque em fevereiro de 1942 e a espanhola em abril do mesmo ano; em qualquer caso, foi a versão que assumiu o testemunho justamente quando os Estados Unidos precisavam de caças de longo alcance em várias frentes ao mesmo tempo. A Wikipédia francesa resume o seu papel com uma fórmula clara: mais pesado do que os seus antecessores mas dotado de motores mais potentes, o P-38F foi a primeira versão do Lightning considerada apta para o combate. A italiana acrescenta que, se os P-38E tinham sido empregues sobretudo na defesa do território metropolitano, os P-38F foram os verdadeiros modelos de referência iniciais.
Construíram-se 527 unidades, com dois motores Allison V-1710-49/53 de 1325 cv (988 kW) segundo a Wikipédia alemã. Parte delas procedia de uma encomenda alheia: os 524 aviões que a Royal Air Force tinha encomendado como Lightning II, com motores V-1710 da série F, foram cancelados e o resto da encomenda foi completado para a aviação americana como P-38F-13-LO, P-38F-15-LO e os seus equivalentes da série G. Do P-38F derivou ainda uma versão de reconhecimento fotográfico, o F-4A, da qual se fabricaram 20 exemplares.
Suportes subalares e tanques lançáveis
O que distinguia o P-38F era a instalação de suportes sob a asa, por dentro dos motores, capazes de levar tanques de combustível ou um total de 2000 libras (910 kg) de bombas. Por trás dessa solução estava o tenente Benjamin Kelsey, que no final de 1941 tinha convencido a Lockheed a incorporar o equipamento para tanques externos, apesar de a doutrina oficial da época desaconselhar os caças de grande alcance; os P-38F foram também modificados nesse sentido. Em março de 1942 o general Arnold pediu ensaios com tanques maiores, de 300 a 310 galões, e Kelsey informou de um alcance de traslado de 2500 milhas (4000 km). Por falta de existências, porém, o plano de traslado acabou por recorrer aos tanques pequenos de 150 a 165 galões.
A partir da subsérie P-38F-15 os flaps Fowler receberam uma posição de manobra de combate: estendidos a 8°, permitiam ao Lightning curvar mais fechado do que muitos monomotores contemporâneos em troca de um pouco mais de resistência. Não apagava por completo os seus defeitos, porque os primeiros P-38 tinham ailerons duros e uma taxa de rolamento inicial baixa, e exigiam experiência; essa foi uma das razões pelas quais a Lockheed enviou o seu representante a Inglaterra e depois ao Pacífico.
A Operação Bolero e o Condor da Islândia
Na primavera de 1942 Arnold comentou que os caças podiam evitar os submarinos alemães atravessando o Atlântico pelo ar, e Roosevelt apoiou a ideia. A 23 de junho de 1942 os primeiros sete P-38, guiados por dois B-17 e com dois tanques pequenos cada um, descolaram de Presque Isle (Maine) rumo à Escócia, com escalas em Goose Bay, na pista gronelandesa de Bluie West One e em Keflavik (Islândia). Houve perdas por mau tempo, pouca visibilidade, falhas de rádio e erros de navegação, mas em julho e agosto de 1942 quase 200 P-38F, mais alguns E modificados, completaram o trajeto: o P-38 foi assim o primeiro caça das Forças Aéreas do Exército a chegar à Grã-Bretanha e o primeiro entregue através do Atlântico pelos seus próprios meios. Kelsey pilotou um deles e aterrou na Escócia a 25 de julho.
Os aviões do 1.º Grupo de Caça fizeram escala na Islândia, e ali produziu-se um marco. A 14 de agosto de 1942, enquanto dois P-38 do 27.º Esquadrão simulavam um combate com um P-40 da defesa da ilha, avistou-se um Focke-Wulf Fw 200 Condor que recolhia dados meteorológicos e de navegação. O subtenente Joseph Shaffer, do 33.º Esquadrão, alcançou-o primeiro; o subtenente Elza Shahan rematou o ataque com o seu P-38F-1-LO, número de série 41-7540, e o quadrimotor caiu ao mar. Foi o primeiro avião da Luftwaffe destruído pelas Forças Aéreas do Exército, e ambos os pilotos receberam a Estrela de Prata.
Escolta na Europa e salto para o norte de África
Em Inglaterra, o P-38F não conquistou todos. Pesava mais e consumia mais do que os seus antecessores, os seus motores sofriam problemas de fiabilidade e, sem tanques externos, que escasseavam enquanto a batalha do Atlântico continuava aberta, o seu alcance reduzia-se. Apesar de ser o caça de maior alcance disponível em número para a 8.ª Força Aérea, os planeadores de bombardeamento olhavam-no com desconfiança. O general Spaatz defendeu-o com uma frase célebre: preferia um avião que voasse como um demónio, ainda que tivesse alguns defeitos, a outro com defeitos que não voasse assim.
Após 347 saídas sem encontrar o inimigo, os grupos 1.º e 14.º passaram para a 12.ª Força Aérea para a Operação Torch. O alcance permitiu-lhes atravessar o golfo da Biscaia contornando Espanha e Portugal e reabastecer em Marrocos; instalaram-se em Tafaroui (Argélia) e entraram em combate a 11 de novembro de 1942. A 22 de novembro o tenente Mark Shipman, do 14.º, conseguiu o primeiro abate de um P-38 no norte de África, um bimotor italiano, e mais tarde somou um Bf 109 e um enorme transporte Me 323. Em dezembro o 14.º tinha ficado tão diminuído que o 82.º Grupo voou do Reino Unido para cobrir a lacuna; o seu primeiro abate chegou a 7 de janeiro de 1943, por obra de William Sloan. Após outro castigo em janeiro, o 14.º retirou-se para se reorganizar e só voltou em maio.
O «diabo de cauda bifurcada»
A 5 de abril de 1943, 26 P-38F do 82.º Grupo reclamaram 31 aviões inimigos destruídos, um dia que ajudou a assentar a superioridade aérea sobre a Tunísia. Dessa época procede o suposto apelido alemão «der Gabelschwanz Teufel», o diabo de cauda bifurcada. A Lockheed conta que um piloto alemão abatido perto de Tunes o repetia apontando para o céu; a Wikipédia inglesa adverte, em contrapartida, que a história foi divulgada pela revista Life em agosto de 1943 com a intenção evidente de melhorar a reputação do P-38, e que não existe testemunho alemão independente anterior.
No Pacífico: Nova Guiné e Guadalcanal
Segundo a Wikipédia francesa, o P-38F recebeu o seu batismo de fogo em agosto de 1942 nas Aleutas, e o seu primeiro emprego maciço chegou com o desembarque no norte de África e as operações da Nova Guiné no outono desse ano. No Pacífico Sul, os P-38 eram enviados desmontados e voltavam a montar-se no destino. O P-38F-15-LO 43-2178, por exemplo, serviu no 339.º Esquadrão de Caça do 347.º Grupo (13.ª Força Aérea), com o número de nariz 143 e o nome «Velma G» na carenagem do motor esquerdo; era pilotado por George T. Chandler e operou a partir da pista Fighter 2 (Kukum) de Guadalcanal. O P-38F estava então menos motorizado do que o P-38G que lhe seguiu, mas em junho de 1943 Murray Shubin abateu com um deles, a que chamou «Oriole», cinco Zero confirmados e possivelmente seis sobre Guadalcanal, e converteu-se em ás num só dia.