Variante do Lockheed Martin F-22 Raptor

Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Increment 2

Primeiro passo do programa de modernização do F-22A (2005): lançamento supersónico de bombas JDAM de 1.000 lb, além de melhorias no IFDL e no AMRAAM, aplicado à frota Block 20.

Ficha do Lockheed Martin F-22 Raptor

Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Increment 2
Lockheed Martin F-22A Block 20 Raptor 04-4077

História

O F-22A Increment 2 não é uma variante de fábrica com designação própria, mas sim a primeira das configurações de capacidade que a Força Aérea dos Estados Unidos aplicou ao Raptor já em serviço. Concebido como o caça de superioridade aérea do programa ATF, o F-22 tinha sido projetado para derrotar caças soviéticos avançados que nunca chegaram a existir; quando entrou em serviço, em meio ao debate sobre a sua relevância para guerras de contrainsurgência, a USAF decidiu dar-lhe uma capacidade robusta de ataque ao solo. Para isso, estabeleceu um programa de modernização em 2003, organizado em incrementos numerados e atualizações do Operational Flight Program (OFP), com a ideia de incorporar avanços tecnológicos e respostas a novas ameaças ao longo da vida da aeronave. A abordagem revelou-se inicialmente difícil e dispendiosa devido à arquitetura de aviónica altamente integrada do F-22, cujos processadores de base já eram considerados obsoletos e sem capacidade suficiente para além das primeiras fases.

Documentos da época descreviam o programa como uma sequência de espirais de desenvolvimento ligadas ao conceito Global Strike. Em 2004 o Government Accountability Office (GAO) enumerou cinco espirais planeadas ao longo de mais de dez anos, a partir de 2003: Global Strike Basic, prevista para o ano fiscal de 2007, cujo conteúdo era precisamente a capacidade de lançar a Joint Direct Attack Munition (JDAM) a velocidades e distâncias superiores às de qualquer plataforma anterior, juntamente com uma atualização das capacidades ar-ar; Global Strike Enhanced, em dois incrementos por volta de 2009 e 2011, com radar melhorado e armamento ar-solo adicional; e depois Global Strike Full e ISR Reforçado por volta de 2013 e 2015. Em 2005 o GAO ligou essas fases a três configurações de célula: Block 20 para o Global Strike Basic, Block 30 para o Global Strike Enhanced e Block 40 para as fases finais. O que essa nomenclatura chamava Global Strike Basic é o que mais tarde ficou conhecido como Increment 2, razão pela qual o Congressional Research Service (CRS) o resumiu em 2012 como a atualização que permite às aeronaves Block 20 lançar JDAM guiadas a velocidades supersónicas e dá ao caça uma capacidade AMRAAM reforçada.

Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Increment 2
Lockheed Martin F-22A Block 20 Raptor 04-4072

Segundo a enciclopédia em língua inglesa, o Increment 2 foi implementado em 2005. Na prática, isso significava que o Raptor podia substituir quatro dos lançadores de mísseis do seu compartimento principal por duas grades, cada uma carregando uma JDAM GBU-32 de 1.000 lb (454 kg) com guiamento GPS/inercial, mantendo dois AIM-120 no mesmo compartimento; até à chegada do Increment 3.1 e da Small Diameter Bomb (SDB), esse par de JDAM constituía toda a carga ar-superfície da aeronave. A combinação de cruzeiro supersónico e altitude elevada do F-22 dá às suas JDAM cerca do dobro do alcance efetivo das mesmas armas lançadas a partir de plataformas convencionais: num ensaio, um Raptor a voar a Mach 1,5 e 50.000 pés (cerca de 15.000 m) atingiu um alvo móvel a cerca de 24 milhas de distância. O relatório do CRS de 2009 acrescenta que o Increment 2 também melhorou a ligação de dados intra-formação (IFDL) para proporcionar conectividade entre F-22A. As fontes concordam que a aeronave não consegue autodesignar alvos para armas guiadas por laser, uma limitação que o Increment 2 não resolveu.

A modernização sobrepôs-se à produção. Segundo a tabela de blocos da Wikipédia em alemão, o Block 20 — a configuração de base da frota Global Strike — começou as entregas em 11 de maio de 2005 e totalizou 43 células, que essa fonte descreve como em serviço desde 2007, com componentes de radar partilhados com o F-35, processadores CIP baseados em COTS e comunicação bidirecional MIDS. A cronologia da enciclopédia em inglês não coincide totalmente: situa a certificação do radar AN/APG-77(V)1 com modos ar-solo em março de 2007 e a sua instalação a partir do Lote 5, ao mesmo tempo que atribui o mapeamento SAR e a SDB ao Increment 3.1 em 2011; e atribui a receção Link 16 ao Increment 3.2, não ao Increment 2. A Wikipédia em alemão, por sua vez, afirma que o terminal JTIDS do F-22 só podia receber dados, não transmitir. Tais discrepâncias entre blocos, lotes e incrementos são comuns na literatura sobre o Raptor e não podem ser resolvidas a partir de uma única fonte.

Em 1 de maio de 2009 a USAF tinha aceitado 139 F-22A dos 187 programados, e a maioria já incluía o Increment 2. O plano desse ano previa 34 Block 20 para ensaios e treino, 63 Block 30 com código de combate equipados com o Increment 3.1 e 83 Block 35 com código de combate com o Increment 3.2; quando se debateram compras adicionais, os responsáveis do programa reconheceram que as novas aeronaves poderiam sair da linha na configuração anterior (Increment 2) ou na mais recente disponível (3.1). As Block 20 tornaram-se assim a frota de treino, na qual os novos pilotos realizam cerca de 90% das suas horas de conversão.

Do ponto de vista financeiro, o grupo de análise de custos do Gabinete do Secretário da Defesa estimou em março de 2003 que a modernização completa custaria 11,7 mil milhões de dólares, incluindo desenvolvimento, produção e a modificação retroativa de algumas aeronaves; em 2005 a própria Força Aérea calculava cerca de 4,1 mil milhões de dólares até ao ano fiscal de 2011 para os dois primeiros incrementos (blocos 20 e 30). Em maio de 2012 o GAO concluiu que o custo previsto da modernização e das melhorias de fiabilidade relacionadas tinha mais do que duplicado, de 5,4 para 11,7 mil milhões de dólares, e que a entrega da capacidade plena tinha atrasado sete anos, de 2010 para 2017, devido a requisitos adicionais, problemas de ensaio e flutuações de financiamento; criticou também o facto de gerir o esforço como uma série de atualizações, em vez de um programa de aquisição autónomo, ter dificultado a supervisão. O Increment 2, já implementado quando esses relatórios foram publicados, foi o único passo da sequência a chegar à frota dentro do calendário original; os seguintes (3.1, 3.2A e 3.2B) são abordados nas suas próprias entradas.

Multimédia

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