Variante do Hawker Siddeley Harrier
Hawker Siddeley Harrier T.8
Biplace de treino do Fleet Air Arm da Royal Navy, obtido a partir de 1995 pela conversão de biplaces Harrier já existentes com um cockpit inspirado no do Sea Harrier FA2, mas sem radar. Serviu no 899 Naval Air Squadron, em RNAS Yeovilton, para formar os pilotos do Sea Harrier FA2 até à dissolução da esquadra em 2005; os sobreviventes acabaram no Fleet Air Arm Museum e nas mãos de um operador civil norte-americano.
Ficha do Hawker Siddeley Harrier
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História
Porque é que a Marinha precisava de outro biplace
O Harrier T.8 é o último dos Harrier biplaces navais. Como todos os treinadores da primeira geração, conservava a fuselagem alongada, os cockpits em tandem e a deriva mais alta do Harrier biplace, mas tinha uma missão concreta: preparar os pilotos da Royal Navy para o Sea Harrier FA2. Não era um avião de construção nova. A lista de variantes do Harrier descreve-o como um treinador naval modificado a partir de biplaces anteriores e equipado com aviónica do Sea Harrier F(A).2, e não recebeu o radar do caça.
A sua origem está no 899 Naval Air Squadron, a esquadra-quartel-general do Sea Harrier em RNAS Yeovilton entre março de 1980 e março de 2005. Ao princípio, os pilotos navais aprendiam a voar aviões de descolagem curta e aterragem vertical na 233 Operational Conversion Unit da RAF, com biplaces Harrier T4. Em setembro de 1983 a esquadra recebeu os seus próprios biplaces, três Harrier T4N, aos quais se juntaram em 1987 vários T4A provenientes da RAF, e em 1989 assumiu em exclusivo toda a formação de pilotos do Sea Harrier. O T4N era a versão naval do T.4A, com aviónica — exceto o radar — baseada na do Sea Harrier FRS.1; a Sea Harrier Association assinala que carecia de radar e de boa parte da instrumentação do FRS1.
Do T.4N ao T.8
O Sea Harrier FA2 mudou o panorama. Em junho de 1993 criou-se dentro do 899 uma unidade de avaliação operacional da nova versão, inicialmente em Boscombe Down; a esquadra recebeu os FA2 a partir de setembro desse ano e começou a formar pilotos neles em março de 1994. A chegada do FA2 exigia também um treinador atualizado, e a solução foi converter os biplaces existentes: o primeiro T8 foi entregue em maio de 1995. Segundo a Sea Harrier Association, estes aviões não levavam radar, mas tinham uma disposição de cockpit mais representativa do FA2, de modo que o aluno encontrava no biplace os instrumentos que depois usaria no caça monolugar. As fontes não coincidem quanto à célula de partida: a história da esquadra fala de T4N modernizados, enquanto outros relatos descrevem conversões de T.4 existentes ou de variantes de treino anteriores. Algumas referências de modelismo chamam-lhe também T.8N.
Cores e serviço em Yeovilton
Os T.8 foram pintados primeiro em cinzento Dark Sea Grey, com um falso nariz de radar preto que imitava a silhueta do monolugar, e mais tarde adotaram o esquema britânico de alta visibilidade para treinadores, preto brilhante integral. Voavam a partir de Yeovilton, a casa da aviação naval britânica, onde um foi fotografado em 2005 a descolar da rampa ski-jump de imitação que servia para ensaiar as descolagens a partir de porta-aviões; essa rampa foi desmontada em 2008. Os biplaces partilharam a rotina da esquadra com os FA2 até ao fim: em 23 de março de 2005, quando o 899 Naval Air Squadron foi dissolvido em Yeovilton, a última passagem em formação de quatro foi feita por dois FA2 e dois T8, seguidos de uma formação de jatos clássicos que tinham servido na esquadra. A última esquadra de primeira linha de Sea Harrier desapareceu em 2006.
Depois da Marinha
Vários T.8 sobreviveram. O ZD993, que tinha servido tanto na Royal Air Force como no Fleet Air Arm e ainda ostentava o preto brilhante do 899, foi comprado no Reino Unido pela empresa norte-americana Nalls Aviation após uma negociação de quase três anos, para o converter no primeiro Harrier de treino em mãos civis. O seu proprietário, o antigo aviador do Corpo de Fuzileiros Navais Art Nalls, já voava um Sea Harrier FA2 privado e explicou que o cockpit dianteiro do biplace era quase idêntico, o que abria a porta à formação de pilotos civis no tipo. O avião estava em tão bom estado que se chegou a pensar em atravessar o Atlântico em voo, mas foi desmontado e enviado por mar, com a previsão de o ver nos festivais aéreos dos Estados Unidos em 2015. Como curiosidade, um Harrier T.4 exposto no California Science Center, o XZ145, está pintado exatamente da mesma forma e leva até a matrícula do ZD993.
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Outro T.8 passou para o Fleet Air Arm Museum de Yeovilton, que reúne provavelmente a maior coleção do mundo de aviões V/STOL, com o protótipo Hawker P.1127, os Sea Harrier FRS1 e FA2 e um Harrier GR9. Lacunas: as fontes consultadas não indicam nem o número exato de conversões, nem as datas de cada uma, nem a do primeiro voo do tipo.
Multimédia
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