Variante do Eurofighter Typhoon
Eurofighter Typhoon Tranche 4
O quarto lote de produção do Eurofighter Typhoon, lançado pela Alemanha em 2020 no âmbito do Projeto Quadriga e adotado por Espanha através do programa Halcón: o primeiro padrão construído em torno do radar AESA ECRS.
- 14 de julho de 2026
- Primeiro voo
História
A Tranche 4 é o quarto lote de produção do Eurofighter Typhoon e o primeiro concebido desde o início em torno de um radar de antena ativa de varrimento eletrónico. Surgiu da necessidade da Alemanha de retirar os seus Eurofighter da Tranche 1, aeronaves configuradas quase exclusivamente para superioridade aérea e com capacidade ar-superfície muito limitada, cuja atualização para padrões posteriores teria sido desproporcionadamente cara. Berlim lançou o Projeto Quadriga em 2019 com esse objetivo, e o Bundestag aprovou a compra em 5 de novembro de 2020: 38 caças por 5,4 mil milhões de euros, com o contrato assinado com a Airbus em 11 de novembro do mesmo ano. As fontes discordam quanto à repartição interna da encomenda: os registos enciclopédicos alemão e italiano e parte da imprensa especializada descrevem 31 monolugares e sete bilugares, enquanto a cronologia do programa e a cobertura posterior do voo inaugural indicam 30 monolugares e oito bilugares; o total de 38 mantém-se consistente em ambos os casos. Dessas 38 células, 34 destinam-se ao serviço operacional e quatro são reservadas como aeronaves «instrumentadas» para o desenvolvimento contínuo do sistema de armas junto com a indústria, em paralelo com um centro nacional de ensaios e avaliação do Eurofighter onde trabalham em conjunto a Luftwaffe, as agências de aquisição e certificação da Bundeswehr e os fabricantes.
A diferença essencial em relação à Tranche 2 e à Tranche 3 está na aviónica. A Tranche 4 transporta de série um radar AESA da família Captor-E, rebatizado em 2020 no âmbito do programa European Common Radar System: as aeronaves alemãs e espanholas recebem o ECRS Mk 1, desenvolvido pela Hensoldt como autoridade de projeto em conjunto com a espanhola Indra, sob contrato da Airbus Defence and Space. O Mk 1 parte da base de exportação ECRS Mk 0 — o padrão que voa nos Typhoon do Kuwait e do Catar — e acrescenta um novo recetor digital multicanal e módulos de transmissão/receção de banda larga que abrem caminho a funções de guerra eletrónica e ataque eletrónico, juntamente com um campo de observação mais amplo, reconhecimento de alvos melhorado e maior alcance de deteção. Com ele, o caça pode seguir alvos próximos ao mesmo tempo que continua a varrer centenas de quilómetros de espaço aéreo em busca de novas ameaças. O programa prevê também retroequipar o Mk 1 em 110 Eurofighter da Luftwaffe já em serviço, 79 da Tranche 2 e 31 da Tranche 3. O resto do pacote da Tranche 4 inclui um sistema de gestão de missão redesenhado, mostradores de cockpit modernizados com maior fusão de dados e a integração de armas de nova geração; no caso alemão, isso incluiu uma encomenda feita ao gabinete federal de equipamento da Bundeswehr para kits de guiamento GBU-54 Laser JDAM. As aeronaves alemãs, em contrapartida, prescindem do sensor infravermelho de busca e seguimento PIRATE, omitido por razões orçamentais.
A Espanha tornou-se o segundo cliente deste padrão. O programa Halcón, aprovado pelo Conselho de Ministros espanhol em dezembro de 2021, ganhou forma em junho de 2022 com uma encomenda de 20 Eurofighter da Tranche 4 — 16 monolugares e quatro bilugares — destinados a substituir os EF-18 do Ala 46 na base aérea de Gando, nas Ilhas Canárias, com entregas previstas a partir de 2026 e montagem final em Getafe. Um segundo lote, o Halcón II, foi anunciado em setembro de 2023 e assinado em 20 de dezembro de 2024 para mais 25 aeronaves; o seu padrão exato é objeto de discordância entre as fontes, descrito ora como configuração Tranche 4+, ora diretamente como Tranche 5. Os ensaios em voo do radar começaram em Espanha antes da Alemanha: em 29 de novembro de 2024, a aeronave instrumentada IPA9, matrícula C.16-70, decolou de Getafe com um ECRS Mk 0 preparado para uma evolução posterior até ao padrão de produção.
As primeiras aeronaves de série surgiram em 2026. Em 1 de junho de 2026, a Airbus apresentou em Getafe o primeiro Eurofighter Halcón I para o Ejército del Aire y del Espacio espanhol, saído da linha de montagem e a aguardar o primeiro ensaio de motor e o voo inaugural. Na Alemanha, a Airbus expôs na sua fábrica de Manching, durante o Airbus Defense Summit, um monolugar com o número de produção GS0115 e a matrícula militar 34+03, numa altura em que nenhuma Tranche 4 alemã tinha ainda voado. O voo inaugural seguiu-se pouco depois, em julho de 2026, com a célula 34+02 pilotada pelo piloto de ensaios da Airbus Stefan Auer num Production Flight Acceptance Test com pouco mais de uma hora de duração. As entregas do lote alemão deverão estar concluídas em 2030, e Manching tem 58 Eurofighter em produção, entre os 38 aparelhos da Tranche 4 e os 20 da Tranche 5 contratados em outubro de 2025 — um lote que, dados os atrasos no programa Long Term Evolution, se baseará tecnicamente na própria Tranche 4. A Airbus estima a vida útil esperada destas células em «bem além de 2060». O padrão também avançou no mercado de exportação: a Itália encomendou 24 aeronaves em 23 de dezembro de 2024 e a Turquia, depois de levantado o veto alemão, assinou em 27 de outubro de 2025 a compra de 20 aeronaves de raiz ao Reino Unido por cerca de 8 mil milhões de libras.