Variante do Eurofighter Typhoon

Eurofighter Typhoon IPA9

Monolugar de ensaios instrumentado da Airbus Defence em Espanha (número de série SS051, matrícula C.16-70): primeiro Eurofighter espanhol a voar com o radar de varrimento eletrónico ECRS Mk0, a partir de Getafe, em novembro de 2024.

Ficha do Eurofighter Typhoon

Imagem pendente
1
Unidades construídas

História

O IPA9 é o monolugar com número de série SS051 construído pela EADS em Espanha e designado como Instrumented Production Aircraft (IPA), a categoria de aviões de série que o programa Eurofighter desvia da linha de produção e equipa com telemetria e instrumentação de ensaios para desenvolver e validar sistemas antes da sua introdução nas frotas operacionais. Ao contrário dos protótipos de desenvolvimento, um IPA é um avião de produção em todos os aspetos, o que permite ensaiar numa célula o mais parecida possível com a que os clientes recebem. Dentro dessa família, o IPA9 é o contributo espanhol mais recente e opera a partir das instalações da Airbus Defence em Getafe, onde a empresa fabricou, testou e entregou todos os Eurofighter da Força Aérea espanhola. No registo militar espanhol figura com a matrícula C.16-70 e foi fotografado com o código de unidade 14-28 na base de Albacete, sede da Ala 14, o que reflete a sua dupla condição de avião de ensaios da indústria e célula pertencente à frota nacional.

A sua existência acrescenta um nono aparelho a uma frota de IPA que as fontes de referência costumam descrever como mais curta: a lista mais citada para no IPA8 alemão, dedicado ao radar Captor-E, e uma das tabelas consultadas nem sequer chega a esse oitavo avião. Convém ter presente essa discrepância ao ler as contagens do programa, que em muitos casos não incluem as incorporações posteriores dos parceiros.

O episódio que dá relevância própria ao IPA9 chegou a 29 de novembro de 2024, quando descolou de Getafe no seu primeiro voo com o radar de varrimento eletrónico ECRS Mk0 instalado no nariz. Foi o primeiro Eurofighter espanhol a voar com esta família de radares de antena ativa (AESA), destinada aos 20 aviões do primeiro lote do programa Halcón, com o qual a Espanha renova a sua frota de combate e substitui os EF-18 Hornet. O antecedente contratual remonta a 2020, quando a Espanha e a Alemanha assinaram contratos para adquirir 115 radares Captor-E para equipar os seus Eurofighter das tranches 2 e 3 e os aparelhos de nova construção; desses, cinco correspondiam à Espanha, para outros tantos aviões da tranche 3, e o resto à Alemanha. Posteriormente a Espanha adquiriu mais 20 radares como parte do equipamento do primeiro lote de Halcón, sendo precisamente essa integração a que o IPA9 começou a validar em voo.

O radar que o IPA9 estreou é um exemplar inicial, ainda sem todas as características do modelo de produção, daí a denominação Mk0. O Mk0 é a versão de base desenvolvida em conjunto pela Hensoldt, Indra e Leonardo e integrada nos Eurofighter do Kuwait e do Qatar. Está previsto que o conjunto instalado no avião vá sendo atualizado durante a campanha de ensaios para se aproximar do padrão Mk1 e que, mais tarde, os testes se repitam com um ECRS Mk1 propriamente dito. Este Mk1, desenvolvido pela Hensoldt e pela Indra para os Eurofighter alemães do programa Quadriga e os espanhóis do programa Halcón, incorpora um recetor multicanal, um campo de observação mais amplo, melhor reconhecimento de alvos e maior alcance de deteção, além de capacidades de guerra eletrónica; será também retroadaptado a aviões mais antigos da Luftwaffe. Tecnicamente, o ECRS Mk1 é a última evolução da linha que arranca no radar ECR90, derivado por sua vez do Ferranti Blue Vixen que desde os anos noventa equipou os Sea Harrier da Marinha britânica, embora as sucessivas evoluções tenham deixado pouco ou nada do desenho original. Em paralelo, em setembro de 2024 o Reino Unido tinha feito voar pela primeira vez o ECRS Mk2 num Typhoon da Royal Air Force, pelo que o voo do IPA9 colocou a Espanha como segundo parceiro a pôr no ar um radar E-Scan de nova geração num avião de ensaios próprio.

O papel do IPA9 é, portanto, o de banco de ensaios voador do radar que definirá a capacidade multifunção, ar-ar e ar-superfície, da próxima geração de Eurofighter espanhóis: o ECRS Mk1 permitirá seguir alvos próximos sem deixar de varrer o espaço a centenas de quilómetros à procura de outras ameaças, mesmo em ambientes com fortes interferências eletrónicas. Para além do seu número de série, da sua matrícula e desta campanha de ensaios do radar, as fontes disponíveis não publicam a data do seu primeiro voo como avião nem o detalhe de outras campanhas a que tenha sido atribuído, ficando o resto do seu historial por documentar.