Variante do Eurofighter Typhoon

Eurofighter Typhoon IPA4

Quarta Instrumented Production Aircraft do Eurofighter Typhoon e a primeira célula de produção monolugar, montada pela EADS-CASA em Getafe; voou em 27 de fevereiro de 2004 e foi utilizada em ensaios ambientais, de comunicações, do MIDS e de armamento ar-superfície.

Ficha do Eurofighter Typhoon

Eurofighter Typhoon IPA4
Panorâmica A380 em Getafe - Eurofighter IPA4 à direitaisol (CC BY SA), vía commons
27 de fevereiro de 2004
Primeiro voo
1
Unidades construídas

História

O IPA4 foi a quarta das Instrumented Production Aircraft do programa Eurofighter Typhoon e a atribuída a Espanha na divisão de tarefas de ensaio em voo das quatro nações. Ao contrário dos três primeiros IPA, todos biplace, foi a primeira aeronave de produção monolugar a sair de uma linha de montagem final: a linha da EADS-CASA em Getafe, para a qual a Eurofighter GmbH anunciou em março de 2003 a entrega dos primeiros componentes principais da célula então conhecida pelo seu número de produção, PS001. Ao serviço da Força Aérea Espanhola recebeu a matrícula C.16-04. Imediatamente antes do seu primeiro voo, a aeronave foi pesada para determinar a sua massa e centro de gravidade; o resultado confirmou que a previsão de massa para a aeronave de produção monolugar estava bem alinhada com o requisito contratual, com uma massa básica vazia de 11 toneladas, e permitiu aos parceiros concluir que todas as aeronaves da Tranche 1 deveriam situar-se dentro dos limites contratuais.

O primeiro voo teve lugar em Getafe em 27 de fevereiro de 2004, com o piloto de ensaios Alfonso de Castro aos comandos. A data atrasou-se em relação ao plano original do consórcio, que no final de 2003 ainda esperava o primeiro voo antes do fim do ano. Nesse momento o IPA4 era o Typhoon mais avançado já voado, oferecendo o mais alto nível de integração de hardware e software do sistema de armas, e voou também com um motor EJ200 de padrão melhorado, testado em voo pela primeira vez nesse voo. O seu papel principal era prosseguir a certificação do projeto e da funcionalidade dos sistemas perante as nações clientes, com um plano de ensaios dirigido à verificação das novas funções de comunicações áudio e do MIDS.

A sua campanha mais conhecida foi a de clima frio. Em 9 de dezembro de 2004 a aeronave chegou à base aérea de Vidsel, na Suécia, para três meses de Cold Environmental Trials, destinados a verificar o comportamento operacional da célula e dos seus sistemas a temperaturas constantemente entre -25 e -31 °C. Durante os ensaios o IPA4 forneceu mais de 45 provas de desempenho, tanto em terra como nos 17 voos que realizou, e demonstrou um funcionamento sem falhas de toda a aeronave e dos seus sistemas de bordo, incluindo o reabastecimento e o carregamento e descarregamento de várias cargas externas até um peso máximo de aterragem pouco inferior a 19 toneladas. Como inicialmente o tempo não estava suficientemente frio para as condições previstas, a equipa aproveitou o tempo para ensaios não programados, como a rolagem em pistas geladas e cobertas de neve. Os ensaios terminaram em 8 de março de 2005 e a aeronave regressou a Getafe em 10 de março, fazendo escala na base aérea alemã de Laage, sede da JG 73.

Em julho de 2005 a EADS-CASA iniciou ensaios de longa duração em condições operacionais na base da Força Aérea Espanhola de Morón, perto de Sevilha, transferindo para lá o IPA4 e a estação móvel de telemetria, para ensaios de clima quente com temperaturas de 40 °C ou mais, com corredores de voo sobre o Atlântico que permitiam também voo supersónico a baixa altitude. A Força Aérea Espanhola apoiou o programa de 41 voos colocando a sua estação terrestre do MIDS em Morón e fazendo voar um ou dois Eurofighter operacionais em missões conjuntas com a aeronave de ensaios, enquanto a EADS-CASA operava uma segunda estação a partir da base aérea de Talavera. Para este trabalho a aeronave foi atualizada ao padrão Block 2B, que acrescentou o sensor infravermelho de visão frontal PIRATE e o subsistema de meios de defesa DASS.

Na divisão de trabalho do armamento ar-superfície, o IPA4 concentrou-se na bomba guiada por laser GBU-16: depois de concluídos os ensaios de compatibilidade eletromagnética com a arma, foi utilizado em 2006 em ensaios de flutter e vibração, largadas em fosso e separações reais, juntamente com ensaios básicos de manuseamento ao longo do verão. Em 4 e 5 de maio de 2006 realizou as primeiras largadas de armamento ar-superfície da história do programa, com Alfonso de Castro a descolar de Morón acompanhado por um F-18 da Força Aérea Espanhola. Em 19 de março de 2007 a frota de ensaios do Typhoon atingiu as 5000 horas de voo numa missão do IPA4 pilotada por Carlos Esteban Pinilla e dedicada à recolha de dados ambientais com um míssil ar-ar Meteor; nesse mesmo ano a aeronave realizou também ensaios de largada de bombas guiadas por laser em Morón.

Em 31 de março de 2009 o IPA4 disparou um AMRAAM contra um alvo-drone Mirach no sul de Espanha, utilizando a ligação de dados MIDS: os dados do alvo foram transmitidos pelo IPA5, que tinha voado até Morón em 12 de março para o ensaio. Em meados de 2009 a aeronave foi atualizada ao padrão da Tranche 2 e continuou a ser utilizada em ensaios de sistemas ambientais e de comunicações, trabalho do MIDS e ensaios do Meteor. Desde o final de 2012 tem sido utilizada na avaliação de software; juntamente com o IPA7 concluiu os voos de ensaio da Phase 1 Enhancement em 28 de outubro de 2013. Em janeiro de 2014 constava entre os 41 Eurofighter entregues a Espanha, contabilizado separadamente das 18 aeronaves de série da Tranche 1.