Variante do Consolidated B-24 Liberator
Consolidated B-24 Liberator B-24M
Versão final de produção do Consolidated B-24 Liberator, construída entre dezembro de 1944 e junho de 1945 pelas duas fábricas que ainda montavam o bombardeiro: a Consolidated em San Diego e a Ford em Willow Run. Retomou as poupanças de peso ensaiadas no B-24L e tornou-as padrão, com uma torreta de cauda A-6B aligeirada, posições abertas para os atiradores de cintura e a torreta ventral retrátil Sperry restaurada. Foram concluídos 2.593 exemplares, e com a guerra já decidida muitos deles voaram pouco mais do que o trajeto da fábrica até ao ferro-velho.
Ficha do Consolidated B-24 Liberator
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- 2593
- Unidades construídas
História
O B-24M foi o último elo da cadeia de produção do Liberator. Quando começou, em dezembro de 1944, o programa tinha-se reduzido a duas fábricas — a Consolidated em San Diego e a Ford em Willow Run — face às cinco que tinham produzido o B-24J. A variante respondia a um problema concreto: o Liberator tinha vindo a ganhar peso a cada versão sucessiva à medida que se acumulavam torretas, blindagem e equipamento, e esse peso estava a corroer a altitude de cruzeiro e a margem de manobra de que os grupos de bombardeiros precisavam. O B-24L tinha atacado a questão eliminando a pesada torreta de cauda motorizada e deixando no seu lugar uma instalação leve com duas metralhadoras de 12,7 mm operadas manualmente, muitas vezes montadas num depósito antes de a aeronave chegar à sua unidade operacional. O B-24M manteve a filosofia mas abandonou a improvisação: trazia como padrão de fábrica uma versão aligeirada da torreta de cauda A-6B, pelo que a aeronave saía da linha já com o seu armamento de cauda definitivo, em vez de depender de uma oficina intermédia.
O resto da configuração reflete o mesmo equilíbrio entre peso e proteção. As posições dos atiradores de cintura foram deixadas abertas, sem os revestimentos que tinham sido acrescentados ao longo do caminho, e a torreta ventral retrátil Sperry regressou à aeronave depois de ter sido retirada de parte da série anterior, embora algumas máquinas tenham sido entregues sem ela, consoante a fábrica e o bloco. A alteração mais visível surgiu a meio da produção: a partir do bloco 20 introduziu-se um para-brisas com menos armação para melhorar a visibilidade a partir do posto de pilotagem, um pormenor que distingue os últimos Liberators à primeira vista. As fontes discordam sobre se essa mudança se limitou às aeronaves construídas pela Ford ou se também chegou às de San Diego, e a discrepância fica aqui registada em vez de resolvida.

A designação passou também por um episódio administrativo confuso. Durante algum tempo foi aplicada a 115 B-24L de produção tardia, construídos pela Ford sem torreta de cauda; essas aeronaves acabaram por ser redesignadas de volta a B-24L, para corresponder às máquinas equivalentes produzidas pela Consolidated em San Diego. A repartição final da versão foi de 916 aeronaves construídas em San Diego e 1.677 em Willow Run, 2.593 no total, uma cifra que torna o B-24M uma das variantes numerosas do programa, apesar do seu ciclo curto de pouco mais de sete meses. A produção cessou em junho de 1945, com a guerra na Europa já terminada e a campanha do Pacífico a entrar na sua fase final.
Esse calendário moldou o seu destino. Boa parte da produção do B-24M saiu da fábrica quando as encomendas de bombardeiros pesados estavam a ser canceladas, e um número indeterminado voou apenas o trajeto entre a fábrica e o ferro-velho, sem chegar a uma unidade operacional. As que combateram fizeram-no nos últimos meses da guerra em ambos os teatros: um B-24M do 448th Bombardment Group partiu-se ao meio depois de ser atacado por um caça a jato Messerschmitt Me 262 sobre a Europa, enquanto no Pacífico o B-24M-20-CO 44-42151 «Bolivar Jr.» serviu no 431st Bomb Squadron do 11th Bomb Group. Está também documentado que o 451st Bombardment Group lançou bombas com o B-24M 44-50443.
Fora do serviço americano, o B-24M fez parte dos 287 Liberators — modelos B-24D, B-24J, B-24L e B-24M — fornecidos à Royal Australian Air Force, que perdeu 33 deles em combate ou em acidentes, com mais de 200 australianos mortos, e manteve o tipo em serviço até 1948, quando foi substituído pelo Avro Lincoln. A China foi o outro grande recetor: dos 138 Liberators vendidos por Lend-Lease em 1944-45, apenas 37 B-24M tinham sido efetivamente recebidos até ao fim da guerra, embora cerca de 48 tenham acabado por chegar e ter sido usados pela força aérea nacionalista durante a Guerra Civil Chinesa. Dois deles foram capturados pelo lado comunista e continuaram a voar com a Força Aérea do Exército de Libertação Popular até 1952.
Sobrevivem vários exemplares significativos da versão. O 44-41906, no Castle Air Museum em Atwater, Califórnia, foi construído em San Diego como B-24M-5-CO, passou à Marinha dos EUA como PB4Y-1 BuNo 90155 para servir de transporte ao Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, voou depois como C-87 civil com a Salem Engineering Company até 1951 e mais tarde na Bolívia com a Compañía Boliviana de Aviación e a Bolivian Overseas Airways até 1973; o museu comprou-o em 1982 e hoje ostenta as marcações «Shady Lady» e um número de série fictício na deriva. O 44-41956, um B-24M-10-CO atribuído à RAAF como A72-176 na No. 7 Operational Training Unit em East Sale, foi retirado de serviço a 23 de março de 1948, comprado nesse mesmo ano por um proprietário privado e transferido para a sua propriedade em 1952; encontra-se em restauro em Werribee, Victoria, com asas e cauda de outro Liberator. O mais viajado é o 44-51228, um B-24M-20-FO de Willow Run atribuído ao Wright Aeronautical Development Center para investigação sobre formação de gelo: retirado de serviço em 1954 como o último B-24 Liberator em serviço na USAF, exposto em Lackland a partir de 1956, transferido para o Imperial War Museum em Duxford em 1999 e apresentado restaurado no American Air Museum em 2002 com as cores de «Dugan», numa cerimónia de dedicação em março de 2001 com a presença de George H. W. Bush.
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