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Por que a URSS precisou construir um novo avião para transportar o seu transbordador Buran?

Resposta direta

O transporte marítimo, terrestre e ferroviário tinha-se tornado obsoleto e ineficiente à escala da URSS para mover o Buran e as suas peças. O Atlant só transportava 50 t, enquanto os planos previam levar 200 t para Baikonur. E nem o An-124 Ruslan, então o maior avião de carga do mundo, conseguia transportar o Buran às costas.

Por que a URSS precisou construir um novo avião para transportar o seu transbordador Buran?
Antonov An-225 Mriya, janeiro de 2022, Aeroporto Internacional de Atenas (aeroporto Eleftherios Venizelos)

Uma rede de transporte sobrecarregada

Para mover as peças do programa e o próprio Buran, a logística marítima, terrestre e ferroviária tinha-se tornado obsoleta e ineficiente à escala da União Soviética. A redução das estruturas em terra em Baikonur e o início da fabricação de lançadores pesados aumentaram ainda mais as cargas que era necessário mover por via aérea. O avião que cumpria essa função era o Myasishchev VM-T Atlant, uma variante do bombardeiro soviético Myasishchev M-4 Molot, que desempenhou o mesmo papel até o Mriya estar disponível, algo que só aconteceu depois de o Buran já ter voado. O Atlant conseguia transportar cargas de 50 t, enquanto os projetos previstos contemplavam levar até 200 t para Baikonur.

Por que o An-124 não era suficiente

A Antonov já tinha construído o An-124 Ruslan, então o maior avião de carga do mundo, mas nem esse gigante conseguia levar o Buran sobre a fuselagem. O seu uso para o lançamento aéreo de um veículo espacial também não era totalmente adequado, devido ao estabilizador vertical, que ficava no caminho dos motores do veículo espacial. A Antonov não podia modificar essa característica do An-124, porque o avião estava quase terminado e aprovado pela maioria dos reguladores aéreos que lhe concederam a certificação.

Um avião concebido em parte para o orbitador

Tal como o seu homólogo norte-americano, o orbitador Buran viajava dos seus pontos de aterragem até ao complexo de lançamento sobre as costas de um grande avião a jato, o Antonov An-225 Mriya, concebido em parte para essa tarefa e o maior avião do mundo a voar repetidamente. Apesar de ser o maior avião de carga do mundo, o Mriya não era realmente rentável e só era usado quando a carga era demasiado volumosa para caber num An-124.

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