Versão do Atlas (família)
Atlas (família) Atlas-Centaur
Um Atlas encimado pelo Centaur, o primeiro estágio de foguetão a queimar hidrogénio líquido. Após um desenvolvimento atribulado que quase acabou em cancelamento, lançou os sete Surveyor, o Pioneer 10 e 11, vários Mariner e muitos satélites Intelsat nas suas versões LV-3C, SLV-3C e SLV-3D.
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- 8 de maio de 1962
- Primeiro lançamento
- Não
- Reutilizável
História
Um estágio de hidrogénio para o Atlas
O Atlas-Centaur foi o lançador descartável norte-americano criado ao colocar o estágio Centaur, o primeiro estágio de foguetão a queimar hidrogénio e oxigénio líquidos, sobre um Atlas derivado do míssil SM-65D. A Convair, fabricante do Atlas, desenhou o Centaur especificamente para esse propulsor e deu-lhe a mesma estrutura de tanques estabilizada por pressão, o que permitia construí-lo na linha de montagem do Atlas. O hidrogénio oferecia um desempenho notável, mas tinha de ser mantido mais frio do que o oxigénio líquido e a sua baixa densidade exigia tanques muito grandes. A experiência anterior vinha do programa secreto Suntan da Força Aérea, o avião de reconhecimento Lockheed CL-400 de meados da década de 1950, cujos avanços a Convair e outros aproveitaram para estágios de foguetão. Os motores do Centaur foram construídos pela Pratt & Whitney ao abrigo de um contrato governamental separado.
Para transportar um estágio superior tão grande, a Convair preparou uma versão especial do Atlas D: uma secção propulsora MA-5 com turbobombas duplas em cada motor, uma estrutura reforçada e tanques alongados. A insistência em modificar componentes do Atlas em vez de desenhar novos —por razões de calendário e de orçamento e para aproveitar a linha existente— tornou o desenvolvimento mais difícil.
Um programa que quase morreu
O projeto começou em 1958 sob a Advanced Research Projects Agency (ARPA) e passou para a NASA em julho de 1959. A Força Aérea manteve a supervisão geral porque pretendia usar o Centaur para o ADVENT, uma rede de satélites militares de comunicações que nunca saiu do papel; o Centaur encontrou rapidamente trabalho com as sondas Mariner e Surveyor. A falta de fundos alongou o calendário: o primeiro voo, previsto para janeiro de 1961, atrasou-se mais de um ano.
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O primeiro veículo (Atlas 104D com Centaur F-1) chegou a Cape Canaveral em outubro de 1961 e foi erguido na nova LC-36A, onde esteve sete meses enquanto se perseguiam fugas de hidrogénio através do septo intermédio e falhas de orientação e de propulsão. Descolou a 8 de maio de 1962 (a 9, segundo o Gunter's Space Page) e, 54 segundos depois, o Centaur desfez-se e arrastou consigo o Atlas: um painel de isolamento tinha-se soltado cedo demais, o hidrogénio sobreaqueceu e a pressão do tanque excedeu a resistência da estrutura. Uma investigação do Congresso, em junho de 1962, qualificou a gestão do programa de «fraca», e Wernher von Braun propôs substituí-lo por um Saturn I com um estágio Agena. A NASA transferiu o Centaur do centro Marshall para o Lewis Research Center, no Ohio, onde uma equipa liderada por Abe Silverstein corrigiu os painéis e outras falhas de conceção. Em novembro de 1962 o presidente Kennedy sugeriu cancelá-lo, mas foi convencido de que a experiência com motores de hidrogénio era vital para o Apollo, e o Centaur passou a ser um projeto de alta prioridade.
Voos de ensaio
O AC-2 voou a 27 de novembro de 1963, cinco dias após o assassinato de Kennedy, e o Centaur redesenhado funcionou sem falhas, com os painéis de isolamento aparafusados ao estágio. O AC-3 (30 de junho de 1964) perdeu o controlo depois de falhar o atuador hidráulico de orientação de um motor. No AC-4 (11 de dezembro de 1964), que levava uma maqueta de massa do Surveyor, o Centaur não conseguiu reacender porque os seus foguetes de assentamento tinham sido reduzidos para poupar peso. O AC-5, a 2 de março de 1965, foi o primeiro Atlas-Centaur com os motores propulsores MA-5 melhorados: as pré-válvulas de combustível dos propulsores abriram apenas parcialmente, os motores desligaram-se aos 1,7 segundos e o foguetão caiu de volta sobre a LC-36A na maior explosão de plataforma que Cape Canaveral tinha visto até então. Um segundo inquérito do Congresso queixou-se de que se tinham gasto 600 milhões de dólares com poucos resultados, mas a NASA argumentou que nenhuma outra empresa era capaz de construir os tanques-balão do Centaur. Com a LC-36B posta em serviço à pressa, o AC-6 voou com êxito a 11 de agosto de 1965.
Do LV-3C ao SLV-3D
O primeiro estágio foi inicialmente um Atlas D modificado, o LV-3C, que voou com os Centaur A, B, C e D e lançou o Surveyor 1 a 30 de maio de 1966. A partir do AC-13 (Surveyor 5, 8 de setembro de 1967) o veículo passou ao núcleo SLV-3C normalizado, sem a secção dianteira cónica necessária para o Agena. Todas as sete sondas Surveyor voaram em Atlas-Centaur, e o SLV-3C lançou também os observatórios OAO 2 e OAO 3, os satélites ATS 4 e ATS 5, o Mariner 6, 7 e 9 para Marte —o Mariner 8 perdeu-se em 1971— e os primeiros satélites Intelsat IV. A 3 de março de 1972, uma versão com um terceiro estágio sólido Star-37E estabilizado por rotação enviou o Pioneer 10 rumo a Júpiter.
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O SLV-3D manteve o mesmo Atlas com um Centaur melhorado, primeiro o D1A e depois o D1AR. Lançou o Pioneer 11 rumo a Júpiter e Saturno a 6 de abril de 1973, o Mariner 10 a 3 de novembro de 1973, as duas naves Pioneer Venus de 1978, os observatórios HEAO 1, 2 e 3, satélites Intelsat IV, IVA e V, a série Comstar e quatro satélites FLTSATCOM da Marinha para órbita de transferência geossíncrona. Sofreu duas falhas notáveis: o AC-33 (20 de fevereiro de 1975), cujo computador de orientação se reiniciou quando um cabo não se soltou na separação dos propulsores, e o AC-43 (setembro de 1977), destruído por um incêndio na secção de impulso causado por um tubo mal soldado que passara seis anos armazenado junto ao mar. O último SLV-3D descolou a 19 de maio de 1983 com um Intelsat V.
Legado
Depois de o Agena ser retirado em 1978, todos os Atlas posteriores voaram com Centaur, exceto alguns mísseis Atlas E/F recondicionados. A numeração AC prosseguiu pelos Atlas G, I, II e III —variantes com páginas próprias— desde o AC-1, em 1962, até ao AC-206, em 2005. Segundo a Wikipédia em inglês, os veículos Atlas-Centaur com primeiro estágio Rocketdyne fizeram 167 lançamentos entre 1962 e 2004, quando foram substituídos pelo Atlas V, com motor RD-180, que não se chama Atlas-Centaur nem partilha a série AC.
Grupo motopropulsor
Primeiro estágio Atlas com a secção propulsora MA-5 (dois motores propulsores largáveis e um sustentador, a queimar RP-1 e oxigénio líquido); estágio Centaur com dois motores Pratt & Whitney RL10 de hidrogénio/oxigénio líquidos, nas versões sucessivas RL10A-1, RL10A-3, RL10A-3-1 e RL10A-3-3. As missões Pioneer 10 e 11 acrescentaram um terceiro estágio sólido Star-37E.
Multimédia
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