Festivais aéreos
Duxford Battle of Britain Air Show 2021
18 de setembro de 2021 – 19 de setembro de 2021Realizado
O 85.º aniversário do Spitfire e o maior público do ano em Duxford: o Battle of Britain Air Show de 2021, realizado nos dias 18 e 19 de setembro no IWM Duxford, aproveitou o alívio das restrições sanitárias para encher o aeródromo apesar de coincidir com o Goodwood Revival, e reuniu catorze Spitfire civis mais outros três do Battle of Britain Memorial Flight.
O programa abriu com um trio de Spitfire de três gerações — o Mk Ia do IWM com Dave Ratcliffe, o Mk IX da Aero Legends com Charlie Brown e o Mk XIV da Aircraft Restoration Company com Mark Levy — que deu origem a uma perseguição em fila. A contribuição da RAF limitou-se ao BBMF, com o Mk XIVe TE331 e o Mk IIa P7530 no sábado e o Mk IX MK356 no domingo. Entre os caças históricos destacaram-se o Spitfire IX PT879 da coleção Teichman com marcas soviéticas, o Mk Vb BM597 do Historic Aircraft Collection com as cores do 303.º esquadrão polaco e, juntos pela primeira vez, quatro Hurricane Mk I com histórico de combate: R4118, V7497, P3717 e P9202. Completaram o fim de semana o Hawk 75 e o P-40F da The Fighter Collection, o Corsair e o Bearcat, o Catalina e a sequência da USAAF encabeçada pelo B-17G Sally B.
Cartaz desta edição
Exibição em voo
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História
História do certame, comum a todas as suas edições.
Um aeródromo que esteve na batalha
O Duxford que hoje acolhe este certame não é um cenário escolhido por conveniência: é o aeródromo onde ocorreu parte daquilo que o certame comemora. O terreno foi escolhido em 1917 como aeródromo de instrução do Royal Flying Corps e, em 1925, tornou-se base de caça. Em agosto de 1938, o terceiro Spitfire de série, o K9789, foi entregue ali ao Esquadrão 19 da RAF, a primeira unidade a receber o caça da Supermarine; este pormenor explica por que razão a silhueta do Spitfire está tão associada ao nome de Duxford.
Em julho de 1940, Duxford era uma estação setorial do Grupo 12 do Fighter Command. Nesse mesmo mês chegou o Esquadrão 310 (checoslovaco), equipado com Hurricane e composto por pilotos que tinham fugido de França; seguiram-se o 302 (polaco) e o 611 auxiliar. A partir deste aeródromo, Douglas Bader, ao comando do Esquadrão 242, desenvolveu a tática do «Big Wing»: fazer descolar em conjunto três esquadrões, e mais tarde cinco, de Spitfire e Hurricane para enfrentar as formações alemãs com uma massa de caças em vez de unidades isoladas. A ideia foi contestada dentro do próprio Fighter Command e acabou por provocar mudanças na chefia. A 15 de setembro de 1940, o dia hoje recordado como Battle of Britain Day, os esquadrões de Duxford descolaram duas vezes para repelir os aparelhos alemães que se dirigiam a bombardear Londres.
De base da RAF a museu
O último voo operacional a partir de Duxford realizou-se em julho de 1961 e a estação encerrou como base da RAF. Em 1968, o terreno serviu de cenário para a rodagem do filme «Battle of Britain», e em 1969 o Ministério da Defesa declarou-o excedentário. A autorização definitiva chegou em fevereiro de 1976: Duxford tornou-se a primeira extensão do Imperial War Museum. O primeiro certame aéreo já se tinha realizado em 1973, e o crescimento do público foi rápido: uma exibição de junho de 1976 reuniu 45 000 pessoas, a temporada de 1977 fechou com 167 000 visitantes e a de 1978 com 340 000.
Esse crescimento assentou nas coleções que se encontram no terreno. O próprio IWM reúne cerca de 200 aeronaves, além de veículos, artilharia e embarcações; a Duxford Aviation Society, constituída em 1975, guarda a coleção civil com o Concorde e o Comet; a estas juntam-se operadores privados como a The Fighter Collection e a Aircraft Restoration Company, dedicada à restauração. É essa concentração de aparelhos em condições de voar que permite que um único fim de semana de setembro reúna em Duxford mais Spitfire do que em qualquer outro local.
O aeródromo mantém uma pista de relva de 880 m e outra de betão de 1503 m orientada 060/240. O seu historial não está isento de acidentes: em 2002, um Aero L-39 Albatros de operação privada sofreu uma falha nos travões na aterragem, saiu da pista e imobilizou-se sobre a autoestrada M11; o piloto em formação morreu depois de se ejetar junto ao solo. O sucedido não ocorreu durante este certame, mas levou a reduzir o comprimento utilizável da pista de 1350 para 1200 m, por margem de segurança.
Quando nasceu este certame em concreto
Duxford organiza exibições aéreas há meio século, mas o que hoje se chama Duxford Battle of Britain Air Show é um evento monográfico relativamente recente. O seu antecedente documentado é o Battle of Britain Anniversary Air Show de 19 e 20 de setembro de 2015, montado para o 75.º aniversário da batalha. Quanto ao momento exato em que a série arranca, as fontes não coincidem: umas situam em 2015 o momento em que a Batalha de Inglaterra passa a ser o tema fixo do certame de setembro, outras adiam-no para 2017. Por isso, esta ficha não declara um ano de primeira edição: prefere-se a lacuna assumida a escolher uma das duas versões.
O que se mantém constante desde então é a fórmula. O certame ocupa um fim de semana de setembro — o mês da batalha —, é organizado pelo próprio Imperial War Museum e constrói-se em torno de três elementos: a concentração de Spitfire e Hurricane trazidos por operadores de todo o Reino Unido, a recriação de ambiente em terra (música ao vivo, feira a vapor, grupos de recriação histórica vestidos de 1940) e um final de exibição, o Duxford Big Wing, que devolve ao ar a formação massiva que Bader ensaiou a partir deste mesmo aeródromo. A Battle of Britain Memorial Flight da RAF é visitante habitual, e os seus aparelhos — Lancaster, Dakota, Spitfire e Hurricane — trazem a ligação com a unidade oficial de comemoração.
Convém não confundi-lo com os outros eventos do calendário aéreo de Duxford: o Summer Air Show de julho, a Flying Evening de agosto e o Flying Finale de outubro são eventos distintos, com o seu próprio cartaz; o de setembro é o monográfico da batalha.
Edições memoráveis
O aniversário de 2015 abriu com uma recriação de descolagem de alarme, com os pilotos a correr para os seus aparelhos; opôs um Buchón e um Me 108 no papel de intrusos a um Spitfire e um Hurricane, colocou o Blenheim recém-restaurado em formação com três Hurricane e encerrou com 17 Spitfire em formação seguidos de uma perseguição em cauda. Os Red Arrows encerraram o domingo.
Em 2019, a formação de encerramento chegou aos 15 Spitfire e o guião recriou cenas do filme de 1969.
A edição de 2020 foi cancelada devido à pandemia de covid-19.
A de 2021, a 18 e 19 de setembro, coincidiu com o 85.º aniversário do Spitfire e celebrou-o em grande: 17 exemplares distintos de nove versões, do Mk I de motor Merlin ao Mk XIV de Griffon — catorze de operadores civis e três da Battle of Britain Memorial Flight —, com uma formação inicial de Mk I, Mk IX e Mk XIV que, segundo as crónicas do certame, nunca se tinha visto antes. Foi ainda o certame com mais público daquela temporada em Duxford.
Em 2022, a 10 e 11 de setembro, o final reuniu 16 Spitfire e 4 Hurricane, e a edição registou o primeiro regresso a Duxford de helicópteros da força aérea checa desde o pós-guerra; o fim de semana rondou os 30 000 visitantes.
Em 2023, a 16 e 17 de setembro, formou-se pela primeira vez em 28 anos a Battle of Britain Memorial Flight junto ao B-17G «Sally B», e houve uma homenagem à piloto Carolyn Grace.
Em 2024, a 14 e 15 de setembro, voaram 14 Spitfire e um Saab B 17 apareceu num certame aéreo britânico pela primeira vez em quase duas décadas.
A edição de 2025, antecipada para 6 e 7 de setembro, juntou mais de meia centena de aparelhos, do Typhoon da RAF ao Lancaster da Battle of Britain Memorial Flight, com o Big Wing novamente como encerramento.
A edição de 2026
Nos dias 12 e 13 de setembro de 2026, o certame constrói-se em torno de outro aniversário: os 90 anos do primeiro voo do Spitfire. O IWM anuncia-o como a maior concentração de Spitfire do Reino Unido desse ano. Ao Big Wing de Spitfire e Hurricane juntam-se o B-17, o Avro Anson e a Battle of Britain Memorial Flight com Dakota III, Spitfire e Hurricane IIc; os Red Arrows voam apenas no sábado, com sete Hawk T1. O cartaz completa-se com P-38 Lightning, B-25J Mitchell, P-51D Mustang, Corsair F4U-4, Bearcat F8F-2, Catalina, Lysander, Blenheim e vários Buchones, mais duas raridades continentais: um MiG-17F polaco que só voa no domingo e um Breguet Alizé francês. A direção da exibição está a cargo de Al Lockwood. Em terra continuam a música ao vivo, a feira a vapor e os grupos de recriação histórica, com as D-Day Darlings como atração musical. A entrada é apenas antecipada: não se vendem bilhetes no próprio dia.
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