Variante do Tupolev Tu-95
Tupolev Tu-95KM
Portador de mísseis estratégico soviético (OTAN «Bear-C») derivado do Tu-95K: sistema K-20 com o míssil Kh-20M, aviónica e navegação renovadas e, em alguns aviões, equipamento de reconhecimento eletrónico e de recolha de amostras de ar.
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- Unidades construídas
História
O Tu-95KM (izdeliye «VKM» na documentação soviética, «Bear-C» para a OTAN) foi a última evolução do Tu-95 portador de mísseis armado com o sistema K-20 antes de a linha passar ao míssil Kh-22. O seu ponto de partida foi o Tu-95K, o «Bear-B», primeiro portador do míssil de cruzeiro Kh-20, e a sua versão Tu-95KD, que tinha ganho uma sonda de reabastecimento em voo por mangueira e cesto: os trabalhos nesse sistema começaram em maio de 1960 e ficaram concluídos em 1961 e, segundo a Wikipédia em língua russa, 24 Tu-95K foram modificados desta forma.
O que abrange exatamente a designação é um dos pontos em que as fontes divergem. A GlobalSecurity e a FAS explicam que nos anos 1960 vários bombardeiros Tu-95K e Tu-95KD receberam um novo sistema radiotécnico e de navegação e foram redesignados Tu-95KM, embora assinalem que algumas fontes ocidentais o consideram um avião de construção nova e não uma conversão. As fontes russas conciliam as duas leituras: a Wikipédia em russo atribui à variante 23 aviões de construção nova, produzidos entre 1962 e 1965, mais 24 Tu-95KD modernizados para o míssil Kh-20M com a nova aviónica, e data essa modernização de 1968; o Ugolok Neba acrescenta que no final dos anos 1960 todos os Tu-95KD, tanto os construídos em fábrica como os convertidos, tinham passado por ela e adotado a nova designação. A MilitaryFactory fala igualmente de vinte e três exemplares concluídos. Do lado ocidental, as estimativas compiladas pela FAS situam a primeira deteção do Bear-C em fevereiro de 1962.
A diferença em relação ao modelo anterior estava no equipamento. Segundo o Ugolok Neba, o radar de pontaria defensiva PRS-1 deu lugar ao PRS-4; o conjunto de contramedidas SPS-2 ao SPS-3; o recetor de alerta SPO-2 ao SPO-3; o radioaltímetro RV-2 ao RV-UM; o radiogoniómetro automático ARK-5 ao ARK-11; e o rádio RSIU-4 ao RSIU-5. O avião recebeu também um sistema de voo e navegação Put-1B, um sistema de rumo KS-6D, um medidor Doppler de velocidade e deriva DISS-1, um sistema de radionavegação de curto alcance RSBN-2S e um rádio 1-RSB-70A. Alguns aviões receberam o sistema de informações eletrónicas Romb-4, que captava emissões durante a própria missão, e vários Tu-95KM foram equipados com dois contentores de filtros sob as asas para a recolha de amostras de ar: este reconhecimento de radiação realizava-se sobretudo perto dos locais onde potências estrangeiras efetuavam ensaios nucleares, sobretudo a China.
Exteriormente, o Bear-C assemelhava-se aos Tu-95KD das últimas séries. A GlobalSecurity identifica como traço distintivo dois pares de radomes de reconhecimento em lados opostos da parte traseira da fuselagem, e a Wikipédia em língua inglesa destaca os seus sistemas de reconhecimento melhorados como o aspeto mais notável da variante.
A arma também foi modernizada: o míssil Kh-20 passou a Kh-20M e o sistema melhorado no seu conjunto recebeu o nome Tu-95K-20. Segundo o Ugolok Neba, o seu raio de ação máximo era de 6.340 a 8.250 km, o Kh-20M era lançado a 450 a 600 km do alvo e o portador tinha de se aproximar até 260 a 380 km dele, o que era aceitável nos anos 1960. O seu ponto fraco era o guiamento: o sistema tinha de seguir continuamente tanto o míssil como o alvo, e o Kh-20M só passava ao autoguiamento no troço final. Isso deixava-o vulnerável às interferências ativas e expunha o avião portador.
Em serviço, a Wikipédia em russo situa o Tu-95KM no 1006.º regimento de bombardeiros pesados de Uzin, na região de Kiev, que operou o Tu-95K, o Tu-95KM e o Tu-95K-22 antes de passar ao Tu-95MS em 1985, e no 182.º regimento da Guarda, que recebeu o KM depois do Tu-95K, e mais tarde o K-22, e operava a partir de Mozdok. Essa unidade sofreu o incidente de 16 de maio de 1984: de noite e com mau tempo, deflagrou um incêndio na cauda de um Tu-95KM, provavelmente causado por uma avaria no equipamento de oxigénio. O chefe das instalações de tiro, Nikolai Filovchenko, prendeu ao seu próprio arnês o operador de rádio, cujo paraquedas estava a arder, para que os dois pudessem saltar com um único paraquedas; nenhum sobreviveu. O avião aterrou em segurança no seu aeródromo de origem e o incêndio foi extinto.
Um Tu-95KM teve também uma carreira invulgar: serviu como laboratório voador no instituto de ensaios da Força Aérea em Vladimirovka e foi adaptado como portador do protótipo experimental 105.11 do projeto aeroespacial Spiral, um papel que a MilitaryFactory descreve como avião-mãe do Mikoyan 105.11. Segundo a Wikipédia em russo, todos os restantes foram depois convertidos em Tu-95K-22, o Bear-G armado com o Kh-22; a GlobalSecurity conclui que se crê que nenhum continue operacional na sua configuração original.