Variante do Supermarine Spitfire

Supermarine Spitfire Mk III

Protótipo experimental (Supermarine Type 330) com o Merlin XX de duas velocidades, asa encurtada, trem reforçado com portas completas nos alojamentos das rodas e roda de cauda retrátil. Voou pela primeira vez a 16 de março de 1940 sobre a célula do Mk I N3297. A escassez de motores Merlin XX, reservados para o Hurricane II, e o bombardeamento das fábricas da Supermarine deixaram-no fora de produção, mas as suas características passaram para o Mk V e para as marcas posteriores, e o N3297 tornou-se o protótipo do Mk IX.

Ficha do Supermarine Spitfire

Imagem pendente
16 de março de 1940
Primeiro voo
2
Unidades construídas

História

O Spitfire Mk III (Supermarine Type 330) foi a primeira tentativa séria de redesenhar o caça de Reginald Mitchell depois de o Mk I estar em serviço, e nunca passou do estado de protótipo. O seu ponto de partida era o novo Rolls-Royce RM 2SM, mais tarde conhecido como Merlin XX, cujo compressor de duas velocidades prometia um desempenho em altitude muito superior ao do Merlin II e III de um só andar. Em torno desse motor, a equipa dirigida por Joseph Smith reuniu um conjunto de alterações aerodinâmicas e estruturais destinadas a levar o projeto a uma nova geração: a envergadura foi reduzida para 30 ft 6 in (9,3 m) e a área da asa para 220 pés quadrados (20,4 m²), a fuselagem alongou-se ligeiramente até 30 ft 4 in (9,2 m), o trem principal reforçado foi inclinado duas polegadas para a frente para melhorar a estabilidade no solo, painéis suplementares fechavam por completo os alojamentos das rodas em voo e a roda de cauda passou finalmente a ser totalmente retrátil. O para-brisas foi redesenhado com um painel laminado à prova de bala interno, substituindo a placa exterior que acrescentava resistência, e com painéis laterais laminados óticamente planos.

A célula utilizada foi a do Mk I N3297, extensamente modificada, e voou pela primeira vez a 16 de março de 1940. A asa mais curta e mais truncada melhorava a razão de rolamento, mas havia a preocupação de que à distância pudesse ser confundida com o Messerschmitt Bf 109, pelo que mais tarde se instalaram no protótipo asas de planta padrão; a versão de série havia de usar uma asa de forma convencional capaz de levar canhões ou metralhadoras — a chamada asa de tipo C ou "universal", que podia receber quatro canhões de 20 mm, oito metralhadoras de .303 in, ou dois canhões e quatro metralhadoras. Com o Merlin XX o Mk III alcançou 400 mph (640 km/h) a 21 000 ft (6400 m), um ganho substancial sobre as marcas então em serviço. O Air Ministry passou grandes encomendas e o projeto parecia destinado ao êxito.

Dois golpes desviaram-no do caminho. O bombardeamento das fábricas da Supermarine em setembro de 1940 destruiu muitas das plantas do Mk III e um conjunto de asas do Mk III em construção, atrasando os trabalhos. De forma mais decisiva, o fornecimento limitado de motores Merlin XX teve de ser atribuído à série Hurricane II, a única maneira de manter em condições de combate o caça da Hawker, mais lento mas mais fácil de construir. A Rolls-Royce oferecia entretanto o Merlin 45, que podia ser instalado numa fuselagem de Mk I ou Mk II com perturbação mínima: era essa a via para sustentar a produção em volume sem grandes mudanças nas linhas de montagem. O Mk III manteve-se vivo até ao início de 1941, com a ideia de o construir ao lado do Mk V, e foi finalmente cancelado em março de 1941; a prioridade passou inteiramente para a série Mk V.

No início de 1941 um Mk V, o W3237, foi também convertido à configuração Mk III — sem a roda de cauda retrátil — e substituiu o N3297 quando este foi para a Rolls-Royce. O W3237 tornou-se um aparelho de ensaios, usado em provas de aterragem em porta-aviões e noutros trabalhos experimentais da Supermarine, e ainda voava em setembro de 1944. O N3297 foi para Hucknall como célula de desenvolvimento de grupos motopropulsores: instalaram-se-lhe asas padrão de tipo A e, em setembro de 1941, um Merlin 60 de dois andares originalmente concebido para o bombardeiro de grande altitude Wellington Mk VI. Voou nessa forma pela primeira vez a 27 de setembro de 1941, no mesmo mês em que o Focke-Wulf Fw 190 entrou em serviço e se instalou a crise que obrigou a RAF a suspender todas as operações diurnas sobre a Europa ocupada, exceto as mais importantes. Jeffrey Quill descreveu o aumento de desempenho em relação ao Mk VB como um "salto quântico", e uma segunda célula, a R6700, foi modificada para o mesmo motor. Renumerado como Type 348, o aparelho tornou-se o protótipo do Mk IX e o antecessor direto das séries Mk VII, VIII e IX.

O Mk III nunca chegou, portanto, a um esquadrão, e ainda assim quase nada nele se perdeu: a asa universal, o trem reforçado e inclinado, as portas dos alojamentos das rodas, a roda de cauda retrátil e o novo para-brisas com blindagem interna reapareceram todos no Mk Vc e nas marcas posteriores, e a sua célula foi a ponte para os Spitfire com Merlin de dois andares.

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