Variante do Mitsubishi A6M Zero
Mitsubishi A6M Zero A6M8 Tipo 0 Modelo 64
Última variante do Zero, remotorizada com o Mitsubishi Kinsei 62 de 1.560 cv em lugar do Sakae. Foi o Zero mais rápido (cerca de 573 km/h), mas apenas dois protótipos voaram em 1945: o bombardeio da fábrica do motor e o fim da guerra frustraram uma produção planejada de 6.300 aeronaves.

- 1 de abril de 1945
- Primeiro voo
- 2
- Unidades construídas
História
O A6M8 Tipo 0 Modelo 64 foi o último desenvolvimento do caça embarcado Mitsubishi A6M Zero e o único membro da família a abandonar o Nakajima Sakae em favor do próprio Kinsei 62 da Mitsubishi, um radial de duas fileiras e catorze cilindros com injeção de água-metanol, com potência de 1.560 cv (1.163 kW) na descolagem, cerca de 60 por cento a mais do que o motor do A6M2 original. A designação exige um esclarecimento: na nomenclatura naval japonesa, o Modelo 54 era o protótipo e o Modelo 64 a versão de produção planejada. A fonte francesa acrescenta que o primeiro protótipo foi construído sobre uma célula do Modelo 52 Hei (daí "54"), enquanto o segundo e as máquinas de produção deveriam usar a célula do Modelo 63, daí "64".
Instalar o Kinsei no Zero era uma ideia antiga. Fontes japonesas registram que havia sido examinada oficialmente três vezes antes de finalmente se concretizar. A primeira foi durante o projeto do A6M3, quando o Kinsei Modelo 50 foi considerado ao lado do Sakae 21, que acabou sendo escolhido. A segunda ocorreu no outono de 1943, quando a Marinha planejava reduzir a produção do Sakae para que a Nakajima pudesse concentrar-se no novo Homare: as estimativas mostravam que remotorizar o Modelo 52 reduziria o alcance em cerca de 20 por cento sem ganho real de velocidade, elevaria a carga alar a níveis de interceptor e exigiria quase um ano antes que a produção pudesse começar, de modo que a Marinha preferiu impulsionar o Raiden e abandonou a conversão. A terceira ocasião surgiu em 1945, quando a produção do Sakae na Nakajima cessou por completo para dar prioridade ao Homare de 2.000 cv, e a Mitsubishi foi finalmente autorizada a instalar o seu próprio motor, já comprovado no Ki-100 do Exército e no bombardeiro embarcado Yokosuka D4Y Suisei da Marinha.

O Kinsei tinha diâmetro maior que o Sakae, de modo que o capô e o nariz tiveram de ser extensamente redesenhados. A metralhadora de capô de 13,2 mm do Modelo 52 Hei foi eliminada, a entrada do carburador foi ampliada, foi acrescentado um longo duto de admissão semelhante ao do bombardeiro torpedeiro Nakajima B6N Tenzan, e foi instalado um grande cone de hélice emprestado do Suisei Modelo 33, que usava o mesmo motor. O armamento foi reduzido às armas da asa: duas metralhadoras Tipo 3 de 13,2 mm e dois canhões Tipo 99 de 20 mm. Como o Modelo 62 e o Modelo 63, o Modelo 64 também era destinado ao papel de caça-bombardeiro, incluindo missões de ataque especial: podia carregar uma bomba de 250 kg sob a fuselagem e, para não perder autonomia, dois tanques largáveis de 150 litros sob as asas. Ainda assim, a Marinha insistia que deveria ser, antes de tudo, um caça puro.
O resultado foi o Zero mais rápido de todos: com peso normal carregado superior a 3.100 kg (a fonte espanhola cita um peso normal de decolagem de 3.150 kg), alcançava cerca de 573 km/h (572,3 km/h na documentação japonesa, 309 nós na francesa) e recuperava uma taxa de subida comparável à do A6M5a, junto com boa parte da agilidade que os sucessivos acréscimos de blindagem e armamento haviam corroído. O preço foi o alcance: os tanques haviam perdido capacidade ao serem protegidos, o tanque da fuselagem passou a ser dedicado à mistura água-metanol, e o Kinsei consumia mais combustível que o Sakae, de modo que a lendária autonomia do Zero desapareceu e o Modelo 64 assumiu o caráter de caça de defesa local, o que àquela altura da guerra pouco importava.
O primeiro protótipo foi concluído em abril de 1945 e os ensaios foram animadores o suficiente para que a Marinha encomendasse um ambicioso programa de 6.300 A6M8. Nunca se cumpriu: meses antes, os ataques de B-29 a Nagoya haviam destruído a fábrica da Mitsubishi que construía o Kinsei 62, e o colapso geral da indústria e a escassez de materiais tornaram a produção impossível. A ordem para construir o Modelo 64 em quantidade foi emitida em julho de 1945, mas a rendição chegou antes que qualquer aeronave de produção aparecesse. Apenas os dois protótipos foram concluídos e voados, e ainda estavam em testes quando a guerra terminou; um deles foi posteriormente avaliado pelas forças americanas na Base Aérea de Misawa. Durante décadas quase nenhuma documentação sobre o A6M8 sobreviveu e a forma exata de seu nariz permaneceu um mistério, até que fotografias e desenhos encontrados em anos recentes confirmaram o cone de hélice e a hélice do Suisei. Com ele encerrou-se a história do Zero, um caça que, até o fim, teve de voar com o Sakae.
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