Variante do Lockheed Martin F-22 Raptor

Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Block 30

Primeiro padrão de combate do F-22A: radar AN/APG-77(V)1 com modos ar-solo, base para o Increment 3.1 e a Small Diameter Bomb; entregue a partir do final de 2006.

Ficha do Lockheed Martin F-22 Raptor

Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Block 30
Lockheed Martin F-22A Block 30 Raptor 05-4106

História

O F-22A Block 30 é a configuração que transformou o Raptor de um caça de superioridade aérea com capacidade de ataque limitada numa aeronave de combate multifunção. Dentro do programa F-22, a Força Aérea dos Estados Unidos organizou a produção em blocos de configuração e, em paralelo, a modernização em incrementos de capacidade. Os blocos descrevem como cada aeronave saiu da linha de montagem de Marietta; os incrementos descrevem que pacotes de sensores, armamento e software foram adicionados posteriormente. O Block 30 é o ponto onde as duas linhas se encontram: foi o primeiro padrão de produção concebido desde o início como plataforma de ataque e o recetor do Increment 3.1.

A configuração surgiu do conceito Global Strike que a Força Aérea definiu no início dos anos 2000, quando o debate político questionava o valor de um caça puro em guerras de contrainsurgência. Os relatórios do Government Accountability Office (GAO) de 2005 registam o roteiro de modernização faseado que resultou desse conceito: uma configuração Global Strike Basic, Block 20, com 56 aeronaves construídas sobretudo para missões ar-ar mas com capacidade ar-solo limitada; uma configuração Global Strike Enhanced, Block 30, com 91 aeronaves que realizariam a maior parte das missões de ataque ar-solo e ataque eletrónico, usando radar melhorado para localizar alvos e bombas de pequeno diâmetro para os destruir; e uma configuração Block 40 de 128 aeronaves, abrangendo o Global Strike Full e os incrementos de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento Reforçados. Segundo esse roteiro, as melhorias do Block 30 deveriam ser incorporadas no ano fiscal de 2011.

Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Block 30
F-22A Block 30 Raptor 05-4107 do 36th Operations Group sobrevoando Guam

Os mesmos relatórios do GAO alertavam já em 2005 para atrasos no calendário. Algumas capacidades planeadas para o Block 20, como a busca autónoma e o reconhecimento de alvos melhorado, já tinham sido adiadas para o Block 30, e problemas de financiamento tinham obrigado a Força Aérea a reduzir e atrasar o desenvolvimento das próprias melhorias de ataque eletrónico e da Small Diameter Bomb que definiam esta configuração. Em novembro de 2004 a Defense Contract Management Agency reportou que o contratante propunha reduzir as tarefas planeadas e desenvolver de forma incremental um componente de comunicação chave, para cumprir uma revisão de projeto de sistema prevista para abril de 2005. As 91 aeronaves Block 30 citadas pelo GAO devem, por isso, ser lidas como um plano e não como um número de produção real.

Em termos de hardware, a diferença central entre o Block 30 e os blocos de treino é o radar. O AN/APG-77(V)1, evolução do conjunto de antenas eletronicamente varrido ativo original, que aproveitou tecnologia desenvolvida para o AN/APG-81 do F-35, foi certificado em março de 2007 e instalado em células a partir do Lote 5 de produção. Trouxe desempenho ar-ar melhorado e funcionalidade ar-solo completa: mapeamento de radar de abertura sintética de alta resolução, indicação e seguimento de alvos móveis terrestres, deteção e reconhecimento automáticos, e identificação em combate. A Wikipédia em alemão acrescenta que o Block 30 estendeu a cobertura lateral do radar com duas antenas montadas nos flancos, dando à aeronave uma extensa capacidade de inteligência, vigilância e reconhecimento, a capacidade de realizar a supressão de defesas aéreas inimigas e um melhor desempenho em combate aéreo; segundo a mesma fonte, a versão é entregue desde o final de 2006 e está em serviço desde 2008. Estruturalmente, as aeronaves do Lote 3 em diante já traziam estabilizadores horizontais melhorados, construídos pela Vought.

Sobre essa base veio o Increment 3.1, o primeiro grande pacote de modernização depois do Increment 2, que em 2005 tinha permitido o emprego da bomba guiada JDAM. Segundo o relatório do Congressional Research Service de julho de 2009, os Raptors que então saíam da linha de produção já vinham preparados para receber o Increment 3.1, que atualiza o APG-77 para permitir mapeamento terrestre por radar de abertura sintética, fornece a capacidade de autolocalizar alvos para JDAM usando sensores de bordo, e permite à aeronave transportar e empregar oito Small Diameter Bombs. A Força Aérea planeava começar a implementá-lo no ano fiscal de 2011, e a Small Diameter Bomb foi de facto integrada com o 3.1 em 2011; o pacote incorporava também localização de emissores de rádio e ataque eletrónico. O mesmo relatório descrevia o plano de frota resultante: 34 aeronaves Block 20 para ensaios e treino, 63 Block 30 com código de combate equipados com o Increment 3.1, 83 Block 35 com código de combate equipados com o Increment 3.2, e 3 aeronaves com código de ensaio na Base Aérea de Edwards. Considerava-se também atualizar as 63 aeronaves Block 30 para a configuração Block 35, mais capaz, que a Wikipédia em alemão define como uma atualização de software do Block 30 da versão 3.0 para a 3.2, com integração completa dos mísseis AIM-9X e AIM-120D.

A fronteira entre blocos esbateu-se ao longo dos anos. A produção para os esquadrões operacionais consistiu em 74 aeronaves de treino Block 10/20 e 112 aeronaves de combate Block 30/35, 186 no total, ou 187 contando os Production Representative Test Vehicles e certas aeronaves de desenvolvimento; uma aeronave Block 30 foi dedicada a ciências de voo em Edwards. Até 2020, ao abrigo do Common Configuration Plan, as aeronaves Block 20 do Lote 3 em diante tinham sido atualizadas ao padrão Block 30, elevando a frota Block 30/35 para 149 aeronaves, enquanto 37 permaneceram na configuração de treino Block 20. A Lockheed Martin tinha proposto em 2017 converter também as restantes Block 20, mas a Força Aérea não avançou por outras prioridades orçamentais. Em 2022 a força pediu para desativar todas as suas Block 20, exceto três; o Congresso negou o pedido e proibiu a desativação até ao ano fiscal de 2026. A justificação oficial é que o Block 30/35 continua a ser uma das principais prioridades da Força Aérea e será continuamente atualizado, enquanto a modernização das Block 20 seria proibitiva em termos de custo, cerca de 3,5 mil milhões de dólares. Ainda assim, em setembro de 2025 a Lockheed Martin revelou planos para modificar 35 Block 20 de treino em aeronaves de combate Block 30/35. O GAO tinha alertado em maio de 2012 que o custo do programa de modernização do F-22 tinha mais do que duplicado, de 5,4 para 11,7 mil milhões de dólares.

Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Block 30
F-22A Block 30 Raptor 06-4124 do 422d Test and Evaluation Squadron

As fontes não concordam quanto aos números da frota: a Wikipédia em inglês indica 149 Block 30/35 e 37 Block 20 até 2020; a francesa, 154 Block 30/32 e 32 Block 20 em 2023; a alemã refere 33 Block 20 na proposta de desativação de 2023. A atribuição da Small Diameter Bomb e dos modos SAR também não é unânime, já que a Wikipédia em alemão os atribui ao Block 20, enquanto o GAO e o CRS os situam no Block 30 e no Increment 3.1. Com essas ressalvas, o Block 30 é a configuração que fez do F-22 uma aeronave de ataque de precisão e, junto com o Block 35, forma a frota de combate do Raptor.

Multimédia

Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Block 30
F-22A Block 30 Raptor 05-4107 do 36th Operations Group sobrevoando Guam
Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Block 30
F-22A Block 30 Raptor 06-4124 do 422d Test and Evaluation Squadron
Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Block 30
433d Weapons Squadron F-22A Block 30 Raptor 06-0109
Lockheed Martin F-22 Raptor F-22A Block 30
Lockheed Martin F-22A Block 30 Raptor 05-4093