Variante do Junkers F 13
Junkers F 13 Junkers-Larsen JL-12
Conversão de ataque ao solo de um JL-6 (o F 13 montado nos EUA) apresentada por John M. Larsen em 1921-1922: motor Liberty de 400 hp, blindagem no ventre e 30 metralhadoras Thompson, 28 delas disparando para baixo. O Exército não a comprou.
.jpg)
- 1
- Unidades construídas
História
Um avião de linha em dificuldades
O Junkers-Larsen JL-12 nasceu de uma crise comercial. A empresa de Nova Iorque de John M. Larsen, a Junkers-Larsen Aircraft Corporation, montava e vendia nos Estados Unidos, sob a designação JL-6, os monoplanos de passageiros Junkers F 13 enviados de Dessau. Entre maio de 1920 e fevereiro de 1921, quatro voos postais terminaram em incêndios destrutivos que mataram sete aviadores e tripulantes. Segundo o museu Junkers, a causa foi o benzol usado como combustível: desgastava as tubagens de borracha e também solidificava com frio extremo, de modo que as condutas ficavam entupidas, racharam com a vibração e pingavam combustível quando o aparelho regressava a um ar mais quente. No início de 1921, Larsen ainda tinha oito aparelhos por vender, e os acidentes tornavam-nos muito difíceis de colocar. A Military Matters acrescenta que a comissão de controlo aliada apreendeu onze F 13 desmontados em caixotes no porto de Hamburgo, cortando também o fornecimento a Larsen.
A conversão militar
À procura de outra saída, Larsen fez converter pelo menos um JL-6 para uso militar e deu a essa versão a designação JL-12. O museu Junkers classifica-o como Infanterieflugzeug (avião de apoio à infantaria), datado de 1921; o cliente pretendido era o Exército dos Estados Unidos. O motor alemão BMW foi substituído por um Liberty americano de 400 hp (294 kW segundo o museu Junkers). A revista britânica Flight, que o apresentou em 2 de fevereiro de 1922 como um monoplano de ataque blindado totalmente metálico, explicou que se tratava de uma modificação do Junkers construída em liga de alumínio de fabrico americano, com chapa blindada - presumivelmente na parte inferior da fuselagem - e reforçada inteiramente com aço. A Military Matters descreve essa blindagem como uma chapa ventral de alumínio de qualidade aeronáutica que, somada ao revestimento do JL-6, dava uma espessura total de cerca de 5 mm: pouca proteção, ainda que mais do que a maioria dos aparelhos da época levava.
Trinta metralhadoras Thompson
O que tornava o JL-12 único era o seu armamento. Segundo a Flight, transportava 30 metralhadoras Thompson: uma bateria principal de 28 no piso da fuselagem, dividida em duas secções - 12 diretamente atrás do assento do piloto, dispostas com uma ligeira inclinação para a frente, e 16 na retaguarda, seis delas apontando diretamente para baixo e as restantes ligeiramente para trás - mais duas outras operadas de forma independente pelo piloto ou pelo atirador a partir da cabine. Três alavancas controlavam o disparo: uma acionava a secção de 12 armas, outra a de 16 e a terceira as 28 em conjunto. Cada tambor levava 100 cartuchos e a carga de combate era de três tambores por arma; segundo o fabricante, a substituição de todos os carregadores demorava apenas quatro minutos. Chegou mesmo a afirmar-se que balançar o aparelho com os ailerons produzia um varrimento lateral eficaz. O número de armas varia consoante a fonte: o museu Junkers fala de entre 12 e 28 armas instaladas no porão, e a Wikipédia em inglês de uma bateria de 30 metralhadoras Thompson.
Como se pretendia combater
A tática prevista, tal como descrita pela Flight, consistia em mergulhar sobre o inimigo - infantaria ou comboios -, voar baixo sobre ele enquanto abria fogo, e depois subir rapidamente para uma altitude mais segura, onde o atirador renovaria os tambores antes da passagem seguinte. O museu Junkers resume-o como um ninho de metralhadoras voador: os canos sobressaíam pelo piso do aparelho e o atirador, sentado ao lado do piloto, disparava-os com um gatilho central ao passar sobre o alvo.
Desempenho anunciado
A Flight publicou estes números: envergadura de 49 pés (cerca de 14,9 m), comprimento total de 32 pés (cerca de 9,75 m), peso vazio de 2900 lb (pouco mais de 1,3 t), peso com carga máxima de 5000 lb (cerca de 2,27 t), combustível para cinco horas (800 lb, cerca de 363 kg), piloto e atirador 352 lb (cerca de 160 kg), um leque de velocidades de 55 a 145 mph (cerca de 89 a 233 km/h) e um raio de ação de 400 milhas (cerca de 644 km). Na subida, alcançava 1000 pés (cerca de 305 m) em 45 segundos e 10.000 pés (cerca de 3 km) em menos de doze minutos; Larsen afirmava que era tão rápido quanto um avião de reconhecimento e muito manobrável em velocidade. A ficha técnica do museu Junkers dá uma velocidade máxima de 230 km/h, uma massa à descolagem de 2270 kg, um comprimento de 9,60 m, uma altura de 4,10 m, uma área alar de 43 m² e uma tripulação de dois, mas uma envergadura de 17,75 m que não coincide com o número dado pela Flight.
O voo até Washington
A Flight relatou que, em 21 de outubro de 1921, um JL-12 pilotado pelo capitão B. H. Pearson descolou às 9h15 do aeródromo da empresa em Central Park, Long Island, e chegou a Washington às 11h45, tendo percorrido cerca de 200 milhas (cerca de 320 km) em duas horas e meia contra um vento de frente de 60 mph (cerca de 97 km/h) a 2500 pés (cerca de 760 m), uma média de 80 mph (cerca de 129 km/h). Larsen afirmou que o aparelho tinha sido submetido aos testes mais severos e que tanto o voo como o desempenho da bateria tinham sido perfeitos.
Sem comprador
Apesar da publicidade, o Exército dos Estados Unidos não procurava na altura um novo avião de ataque. Segundo a Military Matters, os esforços de venda prosseguiram até 1922 sem resultado e o JL-12 desapareceu dos registos; o seu destino final é desconhecido. As fontes documentam apenas um aparelho convertido - o museu Junkers diz que pelo menos um JL-6 foi convertido - e não há registo de nenhuma encomenda. Continua a ser um dos derivados mais estranhos do F 13: um transporte civil de cabine fechada transformado numa plataforma de tiro vertical, uma ideia que não teve sucessor.
%2C_21_October_1921_(National_Photo_Company).jpg)
Multimédia
%2C_21_October_1921_(National_Photo_Company).jpg)
.jpg)