Variante do Handley Page Herald

Handley Page Herald HPR.3 Herald

Protótipo original do Herald com quatro motores radiais Alvis Leonides Major de 650 kW, asa alta e cabine pressurizada para 44 passageiros. Voou pela primeira vez em Radlett a 25 de agosto de 1955 e, depois de perder todas as encomendas para os rivais turboélice, foi reconstruído como o HPR.7 Dart Herald.

Ficha do Handley Page Herald

Handley Page Herald HPR.3 Herald
Protótipo HPR 3 Herald G-AODE no SBAC Show de Farnborough, 1955RuthAS (CC BY), vía commons
25 de agosto de 1955
Primeiro voo
2
Unidades construídas
2640 km
Alcance
44
Passageiros

História

O HPR.3 Herald foi a forma original do Herald e o único membro da família concebido como aeronave a motores de pistão. Surgiu em meados da década de 1950 no gabinete de projeto da Handley Page (Reading) Limited, a antiga fábrica da Miles Aircraft que o grupo absorvera após a guerra e que já produzira o Miles Marathon, um pequeno avião de alimentação quadrimotor de asa alta. O novo projeto manteve a fórmula de asa alta do Marathon e boa parte da experiência de projeto nele acumulada, mas era uma aeronave muito mais ambiciosa: um avião regional rápido de curto alcance destinado a substituir o Douglas DC-3 em rotas secundárias e, muito particularmente, em países em desenvolvimento onde as pistas eram curtas e as instalações de manutenção escassas.

A decisão que selaria o destino do HPR.3 foi tomada após extensa consulta a operadores do DC-3. Essas pequenas companhias aéreas viam o turboélice como uma tecnologia arriscada e cara, pelo que a Handley Page optou por motores de pistão, e quatro deles, porque a empresa preferia a garantia de uma configuração quadrimotor. O motor escolhido foi o novo Alvis Leonides Major, um radial de 14 cilindros em duas fileiras de 870 hp (650 kW) que acionava hélices de três pás. Quase no mesmo momento, e para o mesmo mercado, a Fokker fez a escolha oposta para o seu F27 Friendship, que equipou com dois turboélices Rolls-Royce Dart; o contraste entre os dois programas tornar-se-ia a lição industrial do Herald.

No papel, o HPR.3 era uma aeronave bastante conseguida. A sua cabine pressurizada acomodava até 44 passageiros e podia ser rapidamente convertida para transporte de carga; a asa alta, o trem de pouso com roda de nariz e as grandes portas na frente e na traseira da cabine facilitavam o carregamento em aeródromos sem equipamento de terra. Os grandes flaps davam-lhe um excelente desempenho de descolagem e aterragem curtas, permitindo operar a partir de pistas com menos de 460 m. Foi projetado para cruzeiro a 360 km/h, para voar 2.640 km e para subir inicialmente a mais de 1.800 ft/min. A equipa comercial despertou considerável interesse e, em agosto de 1954, o projeto foi batizado de «Herald», palavra escolhida precisamente porque se traduzia facilmente para francês e espanhol, línguas de boa parte da clientela pretendida.

Quando o primeiro protótipo, matriculado G-AODE, descolou de Radlett a 25 de agosto de 1955, a Handley Page detinha 29 encomendas da Queensland Airlines e da Australian National Airways, na Austrália, e da Lloyd Aéreo Colombiano. O voo inaugural antecipou-se em três meses ao do Friendship, e duas semanas depois a aeronave foi demonstrada no salão de Farnborough. A empresa esperava atingir o ponto de equilíbrio após 75 vendas e tinha esperança de vender até 300 Heralds, com as primeiras entregas previstas para 1958 à companhia aérea independente britânica Air Kruise.

O castelo de cartas desmoronou-se em poucos meses. O Rolls-Royce Dart já tinha demonstrado no Vickers Viscount que o turboélice era fiável e económico, e o mercado deixou de o temer. A Queensland Airlines e a Australian National Airways cancelaram as suas encomendas em favor do Friendship; o contrato colombiano foi travado por problemas cambiais, e o interesse da Air Kruise terminou quando esta foi absorvida pela British Aviation Services. Antes de o segundo protótipo estar concluído, a Handley Page viu-se sem uma única encomenda e com um produto que o mercado considerava ultrapassado pelos seus motores: como diria a imprensa especializada, o HPR.3 parecia um avião de outra época.

A administração reuniu-se para decidir se continuava. O investimento já feito era tão avultado que a empresa optou por prosseguir e redesenhar a aeronave em torno de dois turboélices Dart 527 de 1.910 shp, acionando hélices de passo variável Dowty Rotol de quatro pás e 3,81 m de diâmetro; a asa foi reforçada para suportar os novos motores, a fuselagem foi alongada em 51 cm e a capacidade de combustível foi aumentada. O resultado foi designado HPR.7 Dart Herald. O próprio G-AODE foi convertido para esse padrão e voltou a voar a 11 de março de 1958; o segundo protótipo, que nunca voou com motores de pistão, surgiu como Dart Herald no final desse ano e foi mais tarde reconstruído como protótipo da Series 200, voando nessa configuração a 8 de abril de 1961. A produção da família prosseguiu até 1968 e atingiu cerca de cinquenta células, muito longe das 300 sonhadas em 1955.

O protótipo original teve um fim dramático. A 10 de agosto de 1958, já como Dart Herald, o G-AODE voava de Woodley para Farnborough para participar no salão quando sofreu uma avaria grave num motor; as linhas de combustível romperam-se e deflagrou um incêndio que ardeu através dos suportes do motor. O piloto de ensaios, Squadron Leader Hedley Hazelden, conseguiu pousar a aeronave num campo perto de Milford, próximo de Godalming, onde a célula se partiu e ardeu; as nove pessoas a bordo, dois pilotos e sete passageiros, sobreviveram todas. A aterragem foi reconhecida na época como um feito extraordinário de pilotagem. Com ela desapareceu o primeiro Herald, uma aeronave tecnicamente moderna que tinha perdido a sua oportunidade por ter escolhido o motor errado.