Variante do Consolidated B-24 Liberator

Consolidated B-24 Liberator B-24H

A versão do B-24 Liberator que introduziu de fábrica uma torreta de nariz para contrariar os ataques frontais dos caças. Trouxe também um compartimento de bombardeiro redesenhado, uma torreta dorsal «high-hat», uma torreta de cauda com melhor visibilidade e posições de cintura fechadas e desalinhadas. Foram construídos 3.100 exemplares, a maioria na fábrica da Ford em Willow Run.

Ficha do Consolidated B-24 Liberator

Consolidated B-24 Liberator B-24H
Liberators Consolidated B-24H do 576.º BS em voo sobre o Canal da Mancha, em 1944 (342 FH-3A15676 71048AC)
3100
Unidades construídas

História

O B-24H respondeu a um problema tático específico: a vulnerabilidade do Liberator ao ataque frontal. As primeiras versões de produção traziam um nariz «estufa» com molduras e cerca de duas dezenas de painéis envidraçados e metralhadoras móveis em rótula, uma potência de fogo que se revelou insuficiente contra caças que se aproximavam de frente a velocidades combinadas que por vezes ultrapassavam as 500 milhas por hora. O B-17 tinha enfrentado a mesma dificuldade, e no caso do Liberator a improvisação em campo e em depósito antecedeu a resposta industrial. No Pacífico, o tenente-coronel Marion Unruh, do 5th Bomb Group, propôs deslocar a torreta de cauda motorizada do B-24D para a parte superior do nariz, uma ideia que melhorava simultaneamente o peso e o equilíbrio e a potência de fogo frontal, enquanto um posto ligeiro e aberto com duas metralhadoras bastava na cauda, onde os atacantes não se aproximavam tão depressa. O Hawaiian Air Depot converteu mais de duzentos B-24D de nariz «estufa» segundo esse critério, reconhecíveis por um posto de bombardeiro rebaixado sob a torreta, e o Oklahoma City Air Depot produziu a sua própria versão, com um queixo mais profundo, janelas laterais e mais espaço para o bombardeiro.

A solução de fábrica surgiu quando as Army Air Forces pediram à Emerson que adaptasse o seu projeto existente de metralhadora de cauda para uma metralhadora de nariz. Depois de trabalhar com engenheiros da Consolidated, o projeto passou para a Ford em Willow Run, que o integrou na produção a partir do final de junho de 1943: no último dia desse mês, a fábrica entregou o primeiro Liberator de fábrica com torreta de nariz, um B-24H da Ford equipado com a torreta elétrica Emerson A-15. O primeiro B-24H foi formalmente aceite pelo Exército dois meses depois, em agosto de 1943, três meses antes do B-24G comparável da North American. O acionamento elétrico da A-15 dava ao atirador uma pontaria mais rápida do que as instalações hidráulicas, e montava um par de metralhadoras de 12,7 mm com mira compensadora; tornou-se a torreta de nariz preferida na produção posterior do Liberator, exceto na fábrica da Consolidated em San Diego, que usava em vez disso torretas de cauda hidráulicas A-6B modificadas, montadas no nariz.

Consolidated B-24 Liberator B-24H
B-24H "High Hopes" sobre Neuburg, Áustria, março de 1945

A instalação da torreta obrigou a um redesenho completo da fuselagem dianteira. O compartimento do bombardeiro foi reconstruído, com uma janela de mira de três painéis a substituir o antigo vidro «estufa», e as portas do trem de pouso do nariz tiveram de ser alteradas para abrir para fora em vez de para dentro. As fontes apontam para cerca de cinquenta as alterações de célula necessárias para acomodar a instalação. O B-24H melhorou também o resto do armamento defensivo: a torreta dorsal Martin A-3C deu lugar à A-3D, com uma cúpula de Plexiglas mais alta, o chamado «high hat», e a torreta de cauda Consolidated A-6 foi substituída pela A-6B, com janelas maiores, em ambos os casos para ampliar o campo de visão do atirador. As posições de cintura foram fechadas com janelas de Plexiglas, tornando mais suportável um posto brutalmente frio, e ao longo da produção foram desalinhadas lateralmente para que os dois atiradores de cintura deixassem de interferir um com o outro, seguindo o mesmo caminho do B-17G.

Foram construídos no total 3.100 B-24H. A maioria veio de Willow Run, onde a experiência de linha de montagem da Ford finalmente cumpriu a sua promessa: em março de 1944 a fábrica completava uma aeronave a cada cem minutos, ao mesmo tempo que enviava subconjuntos para os outros membros do Liberator Production Pool. As fontes consultadas discordam quanto à repartição exata da produção: uma atribui o modelo à Consolidated (Fort Worth), à Ford (Willow Run) e à Douglas (Tulsa), enquanto outra nomeia a North American (Dallas) como fabricante do tipo, e o material não contém uma tabela fábrica a fábrica comparável à disponível para o B-24J. Uma convenção administrativa turva ainda mais as contagens: subconjuntos feitos pela Ford e completados por outras empresas, e qualquer célula retrofitada com o piloto automático C-1 ou uma mira de bombardeio da série M-1, eram designados B-24J, pelo que a fronteira entre H e J é tanto documental como técnica. Em substância, o B-24J era muito semelhante ao H, diferindo sobretudo nesses itens de equipamento normalizados.

O B-24H serviu como bombardeiro pesado nas principais frentes europeias e deu origem a usos derivados. O Liberator de reconhecimento fotográfico F-7 foi desenvolvido a partir do B-24H, do bloco construído pela Ford. Algumas células tornaram-se «assembly ships», pintadas em esquemas vistosos com a letra de identificação do grupo nos lados da fuselagem para reunir formações; o armamento e a blindagem foram retirados, por vezes incluindo a torreta de cauda, e nos modelos H usados desse modo a torreta de nariz foi removida e substituída por um nariz do tipo «carpetbagger». Após incidentes em que pistolas de sinalização foram disparadas acidentalmente dentro da fuselagem traseira, algumas dessas aeronaves receberam pistolas pirotécnicas fixas através dos lados da fuselagem. No serviço britânico, os modelos H fornecidos por Lend-Lease tinham designações próprias: Liberator B.Mk VI quando mantinham o armamento americano mas montavam uma torreta de cauda Boulton Paul, e Liberator GR.Mk VI quando o Coastal Command os equipava para reconhecimento marítimo e luta antissubmarina.

Multimédia

Consolidated B-24 Liberator B-24H
B-24H "High Hopes" sobre Neuburg, Áustria, março de 1945
Consolidated B-24 Liberator B-24H
B-24H "Calamity Jane" sobre a refinaria de Szony, Budapeste, junho de 1944
Consolidated B-24 Liberator B-24H
Ford B-24H-10 FO Liberator (n.º de série 42-52249, "Fords Folly") do 741.º Esquadrão de Bombardeio, 455.º Grupo de Bombardeio, em voo
Consolidated B-24 Liberator B-24H
Consolidated B-24H-10 CF Liberator (n.º de série 42-64500) do 743.º Esquadrão de Bombardeio, 455.º Grupo de Bombardeio, perdido em 11 de junho de 1944
Consolidated B-24 Liberator B-24H
Ford B-24H-15 FO Liberator (n.º de série 42-52749, "Scrappy") do 492.º Grupo de Bombardeio, pintado de preto para operações noturnas, Harrington, março de 1945
Consolidated B-24 Liberator B-24H
Ford B-24H-15 FO Liberator (n.º de série 42-52425, "The Tweachewous Wabbit") do 837.º Esquadrão de Bombardeio, 487.º Grupo de Bombardeio
Consolidated B-24 Liberator B-24H
B-24H-15 CF Liberator (n.º de série 41-29347, "Alley Ooop") do 780.º Esquadrão de Bombardeio, 465.º Grupo de Bombardeio, no aeródromo de Pantanella, Itália
Consolidated B-24 Liberator B-24H
B-24H Liberator (n.º de série 42-52440, "Calamity Jane") do 725.º Esquadrão de Bombardeio, 451.º Grupo de Bombardeio, em formação sobre a Itália, 31 de janeiro de 1945
Consolidated B-24 Liberator B-24H
B-24H Liberator do 576th BS, 392nd BG, em voo após atacar Salzbergen, 16 de fevereiro de 1945
Consolidated B-24 Liberator B-24H
Ford B-24H-1 FO Liberator (n.º de série 42-7479, "War Horse") do 579th BS, 392nd BG, lançando bombas, 31 de dezembro de 1943
Consolidated B-24 Liberator B-24H
Consolidated B-24H Liberator do 572nd BS, 392nd BG, em voo, 1944
Consolidated B-24 Liberator B-24H
Consolidated B-24H Liberator do 392nd BG a caminho de Bremen, 13 de novembro de 1943
Consolidated B-24 Liberator B-24H
B-24H Liberator (n.º de série 41-29332, "Boobie Trap") do 722nd BS, 450th BG, bombardeando Ploiești