Versão do Energia
Energia-Buran (1K)
A configuração do Energia com o orbitador Buran montado de lado. Voou uma só vez, a 15 de novembro de 1988, a partir de Baikonur: o foguetão 1L colocou o Buran (voo 1K1) numa trajetória suborbital, o orbitador concluiu a inserção com os seus próprios motores e aterrou automaticamente.

- 15 de novembro de 1988
- Primeiro lançamento
- 100 000 kg
- Capacidade para LEO
- Não
- Reutilizável
História
O que designa «1K»
O nome desta variante mistura dois esquemas de numeração diferentes, que convém separar. «Energia-Buran» é o nome da configuração: o lançador Energia (índice GRAU 11K25) com o orbitador Buran como carga. «1K», porém, não é um número de foguetão, mas de orbitador: a Wikipédia em inglês atribui ao Buran o índice GRAU «11F35 1K» e o número de construção 1.01, e chama «1K1» ao seu único voo orbital, isto é, primeiro orbitador, primeiro voo. O foguetão que o lançou tinha o seu próprio número de série: segundo as mesmas fontes, era o Energia «1L», tal como o veículo do primeiro voo, o que transportou o Polyus em 1987, figura como «6SL». «Energia-Buran (1K)» identifica, portanto, o voo pela sua carga; o veículo Energia efetivo desta missão era o 1L.
Uma configuração construída para o vaivém
Os trabalhos no sistema Energia/Buran começaram em 1976, depois da decisão de cancelar o N1, e as instalações construídas para esse foguetão foram reaproveitadas para este. O Energia foi concebido especificamente para lançar o vaivém soviético reutilizável, razão pela qual leva a carga ao lado do conjunto e não no topo, como é habitual. Combinava quatro propulsores laterais, cada um movido por um motor RD-170 de quatro câmaras que queimava querosene e oxigénio líquido, com um estágio central equipado com quatro motores RD-0120 (11D122) de câmara única alimentados a hidrogénio líquido e oxigénio líquido.

A Wikipédia em inglês distingue duas variantes operacionais que funcionavam de maneira funcionalmente diferente: o Energia-Polyus, a configuração inicial de ensaio, em que o próprio Polyus atuava como estágio final para colocar a carga em órbita, e o Energia-Buran, em que o orbitador era simultaneamente a carga e a fonte do impulso de inserção orbital. A Wikipédia em russo explica-o com mais pormenor: na prática o Energia não era um foguetão de dois estágios, mas de três, porque o segundo estágio conferia à carga apenas uma velocidade suborbital de cerca de 6 km/s, e o resto provinha de um estágio superior adicional ou dos motores da própria carga. No caso do Buran, o seu sistema de propulsão combinado (ODU) permitiu-lhe atingir a velocidade orbital depois de se separar do lançador.
O voo de 15 de novembro de 1988
O segundo e último lançamento do Energia teve lugar a 15 de novembro de 1988, a partir da plataforma 110/37 do Cosmódromo de Baikonur, transportando o Buran sem tripulação. A hora difere entre as duas fontes: a tabela de lançamentos do artigo sobre o Energia indica 03:00:01, enquanto o artigo sobre o Buran indica 03:00:02 UTC. A sua designação internacional era 1988-100A. A sequência de lançamento automática decorreu como especificado, e o Energia colocou o conjunto numa órbita temporária com perigeu negativo: a tabela indica −11,2 × 154,2 km com uma inclinação de 51,64° na separação da carga. Foi o primeiro voo do Energia em que a carga chegou efetivamente à órbita, ao contrário do voo do Polyus de 1987.
Após a separação, o Buran acionou os motores no apogeu durante uma queima de 66,7 m/s e atingiu uma órbita final de 251 × 263 km. Deu duas voltas à Terra e, depois, os motores ODU dispararam automaticamente para iniciar a descida na atmosfera, o regresso ao local de lançamento e a aterragem horizontal numa pista.
A aterragem automática
O orbitador efetuou uma aproximação automática à pista do sítio 251 e tocou o solo sob controlo próprio às 06:24:42 UTC, imobilizando-se às 06:25:24, 206 minutos após o lançamento. Com vento cruzado de 61,2 km/h, aterrou a menos de 3 metros lateralmente e 10 metros longitudinalmente da marca-alvo. Segundo a Wikipédia em inglês, no ponto-chave dos 20 km o sistema automático escolheu uma manobra improvável, estimada em 3 % de probabilidade, para prolongar a planagem e dissipar o excesso de energia. Foi o primeiro avião espacial a realizar um voo não tripulado com aterragem totalmente automática. Apurou-se mais tarde que o Buran perdera apenas oito dos seus ladrilhos térmicos.
O fim
Em 1989 projetou-se para 1993 um segundo voo não tripulado do Buran, com duração de 15 a 20 dias, mas a dissolução da União Soviética secou o financiamento e o programa foi oficialmente cancelado em 1993. A produção do Energia terminou com o fim do projeto do vaivém e, de forma mais definitiva, com a queda da União Soviética em 1991; a Wikipédia em russo situa a suspensão dos trabalhos do «Energia-Buran» no início da década de 1990. O orbitador estava guardado no Edifício 112 de Baikonur, um hangar construído no final da década de 1960 para o programa lunar, que ruiu a 12 de maio de 2002. O voo 1K1 permaneceu assim como a única missão da configuração Energia-Buran.

Multimédia


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