Variante do Sukhoi Su-57

Sukhoi Su-57 Sukhoi/HAL FGFA

O FGFA (Fifth Generation Fighter Aircraft), mais tarde chamado Perspective Multi-Role Fighter (PMF) pelo Ministério da Defesa da Índia, era o derivado biplace do PAK FA/Su-57 que a Sukhoi e a Hindustan Aeronautics Limited (HAL) iam desenvolver em conjunto para a Força Aérea Indiana. Acordado em 2007, devia incluir 43 melhorias em relação à aeronave russa, mas, após anos de atrasos, disputas sobre custos e repartição do trabalho e dúvidas sobre a sua furtividade, a Índia abandonou o programa em 2018 sem que se tivesse construído qualquer protótipo.

Ficha do Sukhoi Su-57

Imagem pendente

História

Origens: uma oferta russa e um acordo de 2007

A ideia de um caça russo-indiano de quinta geração é anterior ao primeiro voo do PAK FA. Segundo a GlobalSecurity, em junho de 2001 a Rússia ofereceu à Índia o «desenvolvimento e produção conjuntos» de um novo caça de quinta geração e, em novembro de 2001, o vice-primeiro-ministro russo Ilya Klebanov anunciou que os dois países tinham acordado desenvolvê-lo em conjunto, na sequência de uma visita de quatro dias do primeiro-ministro da Índia à Rússia. Depois do êxito do projeto conjunto BrahMos, no início de 2007 a Rússia e a Índia acordaram estudar e desenvolver em conjunto um programa de Fifth Generation Fighter Aircraft (FGFA) e, a 18 de outubro de 2007, assinaram o contrato para que a Sukhoi e a HAL desenvolvessem em conjunto um derivado do PAK FA com esse nome. O Ministério da Defesa da Índia chamou-lhe mais tarde Perspective Multi-Role Fighter (PMF).

Projeto preliminar e repartição do trabalho (2009-2010)

Em fevereiro de 2009, segundo o diretor-geral da Sukhoi, Mikhail Pogosyan, a Índia receberia inicialmente o mesmo caça PAK FA que a Rússia, sendo a única diferença o software. Essa abordagem cedo mudou: enquanto a versão russa seria monolugar, a indiana seguiria a doutrina operacional própria da Índia, que exigia um maior raio de combate, e as asas e as superfícies de comando tiveram de ser retrabalhadas. A 11 de setembro de 2010 noticiou-se que os dois países tinham acordado um contrato de projeto preliminar, sujeito à aprovação do Conselho de Ministros indiano e, em dezembro de 2010, a HAL, a Rosoboronexport e a Sukhoi assinaram o memorando de entendimento para o projeto preliminar; esperava-se que o desenvolvimento demorasse entre oito e dez anos.

Os planos de 2010 previam cerca de 500 aeronaves, com opções para mais: a Força Aérea Russa receberia 200 PAK FA monolugares e 50 biplace, e a Força Aérea Indiana 166 FGFA monolugares e 48 biplace. Os monolugares seriam montados na Rússia e a HAL montaria os biplace. A HAL negociou uma quota de 25 % do trabalho de projeto e desenvolvimento, incluindo software crítico como o computador de missão, os sistemas de navegação, a maioria dos ecrãs do cockpit, os sistemas de lançamento de contramedidas e a modificação do protótipo da Sukhoi segundo os requisitos indianos. Nesse ano, Pogosyan projetou um mercado de 1.000 aeronaves ao longo de quatro décadas (200 cada para a Rússia e a Índia e 600 para outros países), e o ministro russo do Comércio, Viktor Khristenko, disse que ambos os países «partilhariam benefícios» com a venda da aeronave no mercado interno e em mercados terceiros.

O que distinguiria o FGFA

O FGFA destinava-se a ser a principal versão de exportação do PAK FA e devia diferir dos protótipos voadores através de um total de 43 melhorias, que abrangiam furtividade, supercruzeiro, sensores, ligação em rede e aviónica de combate. A Rússia aceitou a exigência da Força Aérea Indiana de que fosse biplace, com um piloto e um operador de sistemas de armas. Seria armado sobretudo com armamento indiano, como o míssil Astra além do alcance visual, mantendo a compatibilidade com vários tipos de mísseis, e incluiria sistemas de terceiros e um radar AESA diferente, designado N079. A HAL contribuiria com a sua experiência em compósitos, por exemplo na fuselagem, para substituir muitos dos painéis metálicos do PAK FA, complementando a experiência russa em estruturas de titânio.

Os relatos sobre a extensão real dessas diferenças eram contraditórios: enquanto a Índia detalhava numerosas melhorias, Pogosyan, já então à frente da United Aircraft Corporation (UAC), disse em 2013 que o PAK FA e o FGFA usariam «sistemas de bordo e aviónica idênticos». Em agosto de 2014, a UAC tinha concluído o projeto de engenharia inicial (front end engineering design) contratado com a HAL em 2010.

Atrasos, custos e uma quota cada vez menor (2012-2016)

Em maio de 2012, o Ministério da Defesa da Índia anunciou um atraso de dois anos. Ashok Nayak, presidente cessante da HAL, explicou que a Força Aérea Indiana tinha exigido 40-45 melhorias em relação ao PAK FA, mais tarde formalmente acordadas. Cada força aérea planeava comprar cerca de 250 aeronaves a um custo estimado de 100 milhões de dólares cada, cerca de 25 mil milhões de dólares no total, sem contar o desenvolvimento; em outubro de 2012, a Índia tinha reduzido a sua compra para 144 aeronaves, o seu investimento inicial tinha passado de 5 mil milhões para 6 mil milhões de dólares e o custo total estimado do programa subira para 30 mil milhões.

Em 2013 soube-se que os caças russo e indiano usariam a mesma aviónica, e a Rússia admitiu enormes atrasos e derrapagens de custos. O contrato continuava por finalizar e a Força Aérea Indiana acusou a HAL de ceder até metade da quota indiana do trabalho de desenvolvimento: a Índia contribuía com 15 % do trabalho de investigação e desenvolvimento, mas fornecia metade do custo. A 9 de março de 2015 noticiou-se que o acordo final reduziria o prazo de entrega de 92 para 36 meses, que a Índia abdicaria de uma repartição do trabalho de 50:50 para evitar mais atrasos e que o primeiro lote seria construído na Rússia e os lotes seguintes pela HAL. Em outubro de 2015, o chefe da Força Aérea Indiana, Arup Raha, reconheceu problemas de repartição do trabalho, de maturidade técnica e de «visibilidade de custos»; os protótipos russos continuavam a fazer amplo uso de metal nas suas células.

A 25 de janeiro de 2016 noticiou-se que os dois países estavam a reduzir o investimento para 4 mil milhões de dólares cada um, com 1.000 milhões no primeiro ano e 500 milhões por ano nos seis anos seguintes e, em setembro de 2016, anunciaram um acordo pormenorizado de repartição do trabalho para a produção conjunta. A GlobalSecurity situa em 8,63 mil milhões de dólares o acordo negociado pela HAL e pela Sukhoi para adaptar o PAK FA aos requisitos indianos, que passaram a cerca de 50 melhorias, incluindo um radar de 360 graus e motores mais potentes.

Impasse e saída da Índia (2017-2018)

As conversações foram retomadas em fevereiro de 2017 durante a visita do ministro da Defesa Manohar Parrikar a Moscovo e, em maio de 2017, anunciou-se um pacto «marco» para finalizar o projeto detalhado. Mais tarde, nesse mês, segundo a Wikipédia, a Rússia exigiu subitamente sete mil milhões de dólares que a Índia não podia pagar, e constituiu-se uma comissão indiana para avaliar a necessidade do FGFA à luz do aumento de preço e dos progressos do AMCA da própria HAL da Índia. Em julho de 2017, um grupo de peritos chefiado pelo marechal do ar reformado S. Varthaman concluiu que não havia conflito entre os dois programas. A 2 de setembro de 2017, a Força Aérea Indiana citou programas de manutenção exigentes e custos de manutenção elevados como as principais razões da sua relutância. Estudou-se também um Su-35 mais furtivo como alternativa mais barata. A própria Força Aérea Indiana estava dividida: os oficiais da «escola francesa» (Mirage, Jaguar) tendiam a opor-se ao FGFA, enquanto os da «escola russa» (MiG, Sukhoi) o apoiavam.

Segundo a GlobalSecurity, o conselheiro de Segurança Nacional Ajit Doval comunicou a decisão de pôr fim ao programa a uma delegação ministerial russa no final de fevereiro de 2018: a Rússia podia prosseguir sozinha e a Índia poderia juntar-se mais tarde ou comprar a aeronave totalmente desenvolvida. A 20 de abril de 2018 noticiou-se que a Índia tinha abandonado o projeto, insatisfeita com as capacidades do Su-57, sobretudo o seu grau de baixa observabilidade. As críticas incluíam uma furtividade limitada ao arco frontal de 60 graus e a ausência de supercruzeiro, bem como o incumprimento dos requisitos de aviónica de combate, radares e sensores. A Rostec negou em abril de 2018 ter recebido qualquer notificação e, a 13 de julho de 2018, a ministra da Defesa Nirmala Sitharaman confirmou que a Índia já não era participante, embora pudesse voltar a integrar o programa mais tarde.

Depois do FGFA

A Rússia não considerou o programa encerrado: a 19 de agosto de 2018, o presidente da UAC, Yuri Slyusar, disse que «o tema não está encerrado», e o embaixador russo Nikolay Kudashev insistiu a 11 de outubro de 2018 que o projeto continuava na agenda. A 9 de julho de 2019, a Rússia ofereceu à Índia o regresso ao programa Su-57 e o chefe da Força Aérea Indiana, Birender Singh Dhanoa, disse ao Krasnaya Zvezda que a aeronave poderia ser avaliada depois de entrar em serviço na Rússia. Em outubro de 2019, o seu sucessor, R. K. S. Bhadauria, afirmou que a Índia não importaria caças furtivos como o Su-57 e se concentraria no AMCA. Nunca se construiu nenhum FGFA; as ofertas posteriores do Su-57E à Índia, a partir de 2025, dizem respeito à aeronave russa de exportação e não ao programa conjunto.

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