Variante do Sukhoi Su-27
Sukhoi Su-27SM
O Su-27SM («seriyny modernizirovanny», de série modernizado) é a modernização de meia-vida com a qual a Rússia converteu os seus Su-27 soviéticos em caças polivalentes de geração «4+». O protótipo voou em 27 de dezembro de 2002 e os primeiros cinco aparelhos foram entregues em Lípetsk em 26 de dezembro de 2003. Traz um sistema de armas capaz de empregar o míssil R-77 e armamento guiado ar-superfície, cabine com indicadores multifunção, recetor de alerta radar L-150 e reabastecimento em voo. As unidades receberam 45 aparelhos até 2009 e mais 12 até 2011, e dela derivam a versão de exportação Su-27SKM e o patamar posterior Su-27SM3.
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- 27 de dezembro de 2002
- Primeiro voo
- 3900 km
- Alcance
História
Origem e desenvolvimento
O Su-27 de série que a Força Aérea russa herdou após a dissolução soviética era um interceptor puro: o seu sistema de controlo de tiro só entendia o modo ar-ar e o seu armamento guiado limitava-se aos mísseis R-27 e R-73. Durante os anos noventa a Sukhoi tinha ensaiado no demonstrador Su-27M e nos programas de exportação um conjunto de melhorias que nunca chegaram às unidades russas por falta de fundos. Quando no início da década de 2000 o orçamento permitiu atuar sobre a frota, o gabinete de projeto e a fábrica de Komsomolsk do Amur (KnAAPO) propuseram não construir aviões novos, mas aplicar às células existentes um pacote de modernização de série: daí o sufixo SM, «seriyny modernizirovanny», que as fontes anglo-saxónicas traduzem como «Serial Modernized».
As linhas gerais dessa modernização foram ensaiadas sobre um Su-27 de série, o exemplar n.º 38-02 com número de bordo 56, retirado diretamente de um regimento de caça que partilhava com a fábrica o aeródromo de Dzemgi. A conversão terminou no final de 2002 e em 27 de dezembro de 2002 o piloto de ensaios da Sukhoi Yevgueni Frólov levou-o ao ar pela primeira vez. Após alguns voos em Komsomolsk e depois em Jukovski, o Su-27SM de cabeceira transferiu-se para Akhtubinsk para os ensaios estatais. No início de 2003 juntou-se-lhe um segundo aparelho, o n.º 40-02, que desde 1998 servia de banco de ensaios para a modernização do Su-27SK de exportação e já tinha recebido sonda de reabastecimento e navegação melhorada, época em que ficou conhecido como Su-30KI; com o número de bordo 305 passou a ser considerado o padrão do monolugar de exportação modernizado Su-27SKM. Segundo a Wikipédia russa, a primeira etapa dos ensaios estatais foi superada em 2004, ano que a Wikipédia inglesa toma como arranque oficial do programa.
Diferenças em relação ao Su-27 básico
A alteração de maior fundo está no sistema de controlo de tiro. O SUV-27E original foi reelaborado no SUV-VESh, que permite lançar até seis mísseis ar-ar R-77 (RVV-AE) de guiamento radar ativo e acrescenta o míssil antinavio Kh-31A. O complexo de pontaria radar passou a ser o RLPK-27VESh, desenvolvimento do RLPK-27E do Su-27SK ao qual se somou um canal ar-superfície: o radar N001V consegue cartografar o terreno por feixe real e por abertura sintética com resolução média e alta, detetar e seguir alvos terrestres e navais, selecionar alvos móveis — um carro de combate que se desloque entre 15 e 90 km/h — e, em modo de deteção distante, ver um caça a mais de 150 km. A Wikipédia inglesa descreve o mesmo salto como um radar ligeiramente melhorado, um sistema de pontaria optoeletrónico novo e um computador de missão mais avançado, que habilitam o mapeamento por abertura sintética e a deteção de alvos marítimos.

O sistema optoeletrónico foi modernizado para o OEPS-27MK, com a nova estação ótico-localizadora OLS-27MK e o visor de capacete Sura-K, e o colimador de cabeça alta passou a ser o SILS-27ME. A cabine abandonou a instrumentação analógica: três indicadores multifunção de cristal líquido a cores concentram a informação de voo, navegação e armamento. A aviónica foi reforçada para sobreviver num ambiente de contramedidas intensas: instalou-se um novo recetor de alerta radar, o L-150 — a Wikipédia inglesa identifica o novo recetor como Pastel, substituto do SPO-15 Beryoza dos aviões originais —, e os contentores de perturbação Sorbtsiya das pontas das asas deram lugar aos Khibiny. Acrescentaram-se um sistema de reabastecimento em voo, um assento ejetável aperfeiçoado e um sistema de navegação melhorado. Um lote de 24 Su-27SM recebeu ainda motores ligeiramente mais potentes.
Quanto a armamento, o Su-27SM incorpora os mísseis ar-superfície Kh-29T (TE) e Kh-29L, os antirradar Kh-31P e as bombas guiadas KAB-500KR e KAB-1500KR, além do R-77 ar-ar. A ficha da Airwar detalha que, com os seus 10 pontos de fixação, pode transportar até 8 mísseis R-27 ou RVV-AE e até 6 R-73; em missão de ataque, 6 Kh-29T, Kh-29L, S-25LD ou KAB-500Kr, 4 antirradar Kh-31P ou Kh-25MP ou 2 mísseis de médio alcance Kh-59M, em todos os casos com um contentor externo de controlo de armamento. A carga bélica máxima sobe para 8000 kg, o canhão continua a ser o GSh-301 de 30 mm com 150 projéteis, e a massa máxima à descolagem passa para 33000 kg (17000 kg vazio e 23700 kg de descolagem normal). Os dois AL-31F, com 7770 kgf a seco e 12500 kgf com pós-combustão, mantêm o desempenho da família: 1400 km/h ao nível do mar, 2500 km/h (Mach 2,35) em altitude, 18000 m de teto, 3900 km de alcance prático e 9 g de fator de carga. As dimensões não mudam: 14,70 m de envergadura, 21,93 m de comprimento, 6,36 m de altura e 62,04 m² de superfície alar. A OTAN não tem sido coerente ao denominá-lo: há listas que lhe chamam Flanker-B Mod. 1 e outras Flanker-E.
Produção
Ainda antes de terminarem os ensaios dos dois protótipos, a KnAAPO começou no início de 2003, por encomenda da Força Aérea, a modernização em série dos caças das unidades. Em 26 de dezembro de 2003 os primeiros cinco Su-27SM foram entregues e voaram para o Centro de emprego em combate e reciclagem de Lípetsk: era a primeira vez na história da aviação militar russa que um grupo de aviões de combate modernizados ao nível da geração «4+» entrava numa unidade de linha. Até 2009 as tropas receberam 45 aparelhos; em 2008 começaram os trabalhos sobre o remanescente de células de exportação Su-27SK que ficou sem comprador, e daí saíram mais 12 aviões até 2011. Em 2012 dava-se por modernizada metade da frota de Su-27, e em janeiro de 2014 a Força Aérea russa contava com 70 Su-27SM e 12 Su-27SM3 junto a 225 Su-27 não modernizados e 52 Su-27UB.

Do Su-27SM derivou o Su-27SKM, versão de exportação que voou pela primeira vez em 2002 e cujo desempenho se aproxima do dos Su-30MKK e Su-30MK2; soma cabine avançada, contramedidas eletrónicas mais elaboradas e sonda de reabastecimento. A Indonésia recebeu três em 2010 e em 2016 elevou os seus dois Su-27SK ao mesmo padrão. A Sukhoi propôs também um Su-27SM2 com tecnologia do Su-35BM — radar Irbis-E, motores e aviónica potenciados — que nunca entrou em serviço devido ao seu custo; o nome Su-27SM2 chegou a aplicar-se ao próprio Su-35 antes da sua designação definitiva.
Serviço operacional
Os Su-27SM foram distribuídos pelos regimentos de caça da Força Aérea e, depois, das Forças Aeroespaciais, onde conviveram com os Su-27 originais e com as versões mais novas da família. O recetor de alerta L-150 e o sistema de armas transitaram sem alterações para os patamares SM2 e SM3, e o próprio Su-27SM é a base sobre a qual se aplica o pacote Su-27SM3. O Military Balance 2024 atribui às Forças Aeroespaciais 47 Su-27SM e 24 Su-27SM3, além de 12 Su-27 e 18 Su-27UB.
Legado
O Su-27SM foi o primeiro programa russo que converteu uma frota herdada em caças polivalentes em vez de a substituir, e demonstrou que a célula do Su-27 admitia um sistema de armas ar-superfície completo sem alterar a sua aerodinâmica. O seu desenvolvimento alimentou o Su-27SKM exportado para a Indonésia e serviu de ponte para o Su-27SM3 e, em última instância, para o Su-35S.
Multimédia





















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