Variante do Mitsubishi A6M Zero

Mitsubishi A6M Zero A6M3 Tipo 0 Modelo 22

Versão do A6M3 que restaurou a asa dobrável de 12 m do Modelo 21 e ampliou o combustível interno para recuperar o alcance perdido com o Modelo 32; cerca de 560 foram construídos apenas pela Mitsubishi a partir do final de 1942.

Ficha do Mitsubishi A6M Zero

Mitsubishi A6M Zero A6M3 Tipo 0 Modelo 22
Mitsubishi A6M3-22 Reisen "ZeroGillfoto from Juneau, Alaska, United States (CC BY SA), vía commons
560
Unidades construídas

História

Origem: corrigindo o Modelo 32

O Modelo 22 foi uma resposta emergencial a um problema operacional. O A6M3 Modelo 32, a primeira grande revisão do Zero em serviço, havia recebido o motor Nakajima Sakae 21 com compressor de duas velocidades e pontas de asa recortadas e quadradas, que melhoravam a taxa de rolagem e a velocidade de mergulho. O motor mais longo e mais consumidor de combustível, porém, obrigou a um tanque de fuselagem menor, e a combinação de menor capacidade com maior consumo reduziu o raio de ação em cerca de 15 por cento em relação ao Modelo 21. Na campanha de Salomão, com caças baseados em Rabaul tendo que voar quase no limite de sua autonomia para alcançar Guadalcanal e retornar, essa perda era inaceitável: o Modelo 32 ficou confinado a missões ofensivas de curto alcance e interceptação.

A solução foi manter o motor e a fuselagem do Modelo 32 e voltar à asa do Modelo 21, com sua envergadura de 12,0 m e pontas dobráveis para uso embarcado. A asa redesenhada deslocou os tanques para fora e elevou a capacidade interna a 570 L, e foi instalada tubulação para um tanque largável de 330 L sob cada asa. A tabela técnica japonesa atribui ao Modelo 22 uma carga normal de combustível de 60 L na fuselagem e 520 L nas asas, mais um tanque ventral de 320 L em condição de sobrecarga. A aeronave assim recuperou uma autonomia comparável à do Modelo 21.

Produção e designação

O novo tipo estava pronto para o serviço em dezembro de 1942, ainda antes de a Marinha aceitá-lo formalmente, e a partir de então foi produzido apenas pela Mitsubishi, que construía o Modelo 32 desde junho de 1942. Fontes japonesas e a Wikipédia em inglês concordam em um número de cerca de 560 aeronaves, incluindo a subvariante com armamento reforçado. A Mitsubishi o chamava de A6M3a, e sob a nomenclatura naval reformada em abril de 1942, na qual o primeiro dígito indica a revisão da célula e o segundo a revisão do motor, tornou-se o Modelo 22: segunda célula, segundo motor.

Mitsubishi A6M Zero A6M3 Tipo 0 Modelo 22
Mitsubishi A6M3-22 (c/n 3148), Auckland War Memorial MuseumAndré Gerwing (CC BY SA), vía commons

Para os Aliados, o Modelo 22 compartilhava com o Modelo 32 o nome de código "Hamp", atribuído quando a inteligência técnica acreditou inicialmente que as asas quadradas do Modelo 32 pertenciam a uma aeronave diferente; uma vez confirmado que eram Zeros, o nome caiu em desuso em favor do genérico "Zeke".

A subvariante 22 Kō

A partir da primavera de 1943 foi construído o Modelo 22 Kō, no qual os canhões de asa Tipo 99 Modelo 1 de cano curto foram substituídos pelo Tipo 99 Modelo 2 Mark 3 de cano longo e maior velocidade de saída, mantendo tambores de 100 tiros por canhão. Esse armamento se tornou o padrão para todo Zero posterior. A produção do 22 Kō continuou até agosto de 1943, quando começou a linha do Modelo 52.

Outro detalhe de engenharia distingue a família 22: enquanto o Modelo 32 havia aliviado as forças de controle dos ailerons em alta velocidade encurtando a asa, o 22 e o 22 Kō o fizeram reinstalando os tabs de balanceamento dos ailerons que haviam sido removidos no Modelo 21 após os desmembramentos em voo investigados no chamado incidente Shimokawa.

Desempenho

Com a potência de decolagem de 1.130 cv do Sakae 21 e uma hélice de velocidade constante Hamilton de três pás e 3,05 m de diâmetro, o Modelo 22 alcançava 540,8 km/h a 6.000 m, apenas ligeiramente abaixo dos 544,5 km/h do Modelo 32, e subia a essa altitude em 7 minutos e 19 segundos. O teto de serviço era de 10.700 m. O preço da asa longa foi o limite de mergulho, que caiu de 666,7 km/h para 629,7 km/h. O peso vazio era de 1.863 kg e o peso normal carregado de 2.679 kg, com comprimento de 9,121 m, altura de 3,57 m e área alar de 22,44 m². O armamento permaneceu em dois canhões de 20 mm nas asas e duas metralhadoras Tipo 97 de 7,7 mm no nariz, com previsão para duas bombas de 30 kg ou 60 kg.

Serviço

O Modelo 22 chegou às unidades em Rabaul e em Salomão a partir do início de 1943 e foi a montaria de alguns dos ases mais conhecidos da Marinha naquela campanha de desgaste; a historiografia japonesa o recorda nas fotografias do 251º Kōkūtai sobre Salomão. Ironicamente, quando chegou, campos avançados já haviam sido construídos no arquipélago e o alcance recuperado havia perdido parte de seu valor. Uma hipótese publicada na revista "Maru" também descreve um suposto "Modelo 12", um 22 sem gancho de apontamento ou dobramento de asa, para uso terrestre. Um Modelo 22 modificado com a asa e os ailerons do futuro Modelo 52, por vezes designado Modelo 42 e construído em 1943, é considerado o protótipo direto do A6M5.

Mitsubishi A6M Zero A6M3 Tipo 0 Modelo 22
A6M3 Model 22, asa principal direita e depósito de combustível

Para os Aliados, o 22 era difícil de distinguir dos primeiros Modelo 52: fotografias tiradas no segundo semestre de 1943 no aeródromo de Lakunai, em Rabaul, mostram uma aeronave com capô do Modelo 22 e pontas de asa arredondadas, interpretada tanto como um 22 tardio quanto como um 52 inicial. Hoje, vários dos poucos Zeros aeronavegáveis são Modelo 22 restaurados, embora movidos por motores americanos Pratt & Whitney R-1830 em vez do Sakae original.

Multimédia

Mitsubishi A6M Zero A6M3 Tipo 0 Modelo 22
Mitsubishi A6M3-22 (c/n 3148), Auckland War Memorial MuseumAndré Gerwing (CC BY SA), vía commons
Mitsubishi A6M Zero A6M3 Tipo 0 Modelo 22
A6M3 Model 22, asa principal direita e depósito de combustível
Mitsubishi A6M Zero A6M3 Tipo 0 Modelo 22
A6M3 Model 22 (Nishizawa, UI-105)