Variante do McDonnell Douglas F-4 Phantom II
McDonnell Douglas F-4 Phantom II RF-4E
O RF-4E foi a versão de reconhecimento desarmada do Phantom destinada exclusivamente à exportação: o nariz de sensores do RF-4C montado sobre a célula e os motores mais potentes do F-4E. Foram construídos 149 para a Alemanha Ocidental, Israel, Irão, Grécia, Turquia e Japão; a maioria dos operadores acabou por dotá-lo de armamento, e a sua carreira estendeu-se de 1971 até à retirada japonesa de 2020.
Ficha do McDonnell Douglas F-4 Phantom II

- 149
- Unidades construídas
História
Origem e desenvolvimento
Quando, no final dos anos sessenta, os aliados dos Estados Unidos começaram a pedir um Phantom de reconhecimento, a resposta da McDonnell Douglas foi combinar o que já existia: o nariz alongado com câmaras, radar cartográfico e sensores infravermelhos que a USAF operava no RF-4C, sobre a célula do F-4E, a versão mais moderna do caça, com os seus motores mais potentes. O resultado foi o RF-4E, uma variante desarmada de reconhecimento concebida unicamente para a exportação e que nunca serviu nas forças norte-americanas. Foram construídos 149 exemplares.
O cliente que deu origem à versão foi a Luftwaffe da Alemanha Ocidental. No início dos anos sessenta a NATO tinha vindo a abandonar a doutrina de «represália maciça» da década anterior a favor da «resposta flexível», o que obrigava a Luftwaffe a reforçar os seus meios convencionais e a substituir os seus Lockheed F-104 Starfighter nas missões de reconhecimento e superioridade aérea. Em 1968 assinou com a McDonnell Douglas a compra de 88 RF-4E, na altura a maior encomenda de Phantom fora da USAF. O contrato incluía compensações industriais para a indústria alemã, em particular trabalho de fabrico para a Messerschmitt-Bölkow-Blohm, que produziu e forneceu componentes do F-4 à cadeia de St. Louis.
Diferenças em relação ao RF-4C
O RF-4E alemão estava equipado de forma semelhante aos RF-4C que a USAF tinha então em serviço, mas sobre a célula mais recente do F-4E e com motores de maior potência. Foi empregue como avião de reconhecimento diurno e noturno, com quatro câmaras capazes de cobrir 180 graus, sinalizadores especiais para o trabalho noturno e dois sistemas de reconhecimento noturno e em todas as condições meteorológicas: o IRRS de reconhecimento infravermelho e o radar aerotransportado de visão lateral SLAR, montado nas laterais da fuselagem. O avião podia revelar as fotografias em voo e lançá-las em cartuchos especiais para que chegassem o quanto antes às unidades de informações em terra. As missões voavam-se em geral a baixa cota e alta velocidade, usando o radar APQ-99 instalado no nariz para a navegação. Ao contrário do RF-4EJ japonês, uma conversão do F-4EJ que conservava o canhão M61 Vulcan no nariz e levava o equipamento de reconhecimento em barquinhas, o RF-4E não tinha canhão interno.
Produção e entregas
O primeiro RF-4E, batizado «Spirit of St. Louis», voou dos Estados Unidos com escala em Espanha até à Alemanha Ocidental a 16 de janeiro de 1971; no dia seguinte, no aeródromo de Bremgarten, foi aceite oficialmente pelo chefe da Luftwaffe, Günther Rall. As entregas alemãs concluíram-se em maio de 1972, e os RF-104G que até então tinham cumprido a missão foram modificados para servir em unidades de ataque ou de caça.
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Israel encomendou seis RF-4E dentro dos programas de ajuda Peace Echo; enquanto aguardava a sua chegada, a operação Night Light emprestou-lhe dois RF-4C da USAF. Ao rebentar a guerra do Yom Kipur em outubro de 1973 a Força Aérea israelita contava com 122 F-4E e 6 RF-4E, e o programa Peace Echo V, concluído em novembro de 1976, trouxe outros seis aviões de reconhecimento. No serviço israelita o F-4E chamava-se Kurnass («martelo pesado») e o RF-4E, Orev. Israel operou ainda três F-4E(S) equipados com o sistema de câmaras de grande altitude HIAC para missões de reconhecimento especiais. Ao Irão chegaram os primeiros RF-4E em 1970, ainda antes da sua grande encomenda de 177 F-4E. A Grécia incluiu seis RF-4E no programa de modernização que no final dos anos sessenta lhe trouxe também os Mirage F1 e 56 F-4E, e o 348.º Esquadrão trocou os seus RF-84F pelos novos RF-4E em 1979. A Turquia substituiu os RF-84F do 113 Filo por oito RF-4E. O Japão, cujos F-4EJ eram fabricados quase na totalidade pela Mitsubishi Heavy Industries, comprou os RF-4E diretamente à McDonnell Douglas: catorze aviões entregues entre novembro de 1974 e junho de 1975, semelhantes ao RF-4C mas com recetores de alerta radar e outros equipamentos de fabrico japonês.
Serviço operacional e modernizações
Na Alemanha os RF-4E equiparam as alas de reconhecimento AG 51 e AG 52. Os aviões foram atualizados em vários programas sucessivos: no âmbito do Peace Trout um recebeu no nariz um sistema ELINT derivado do APR-39 do F-4G, e outra modernização acrescentou a capacidade de lançar até seis bombas de fragmentação BL-755 ou 5.000 libras (2.268 kg) de outras cargas externas, juntamente com um lançador de chaff ALE-40, um sistema de bombardeamento e câmaras novas. Esse duplo papel foi abandonado em 1988 por razões de custo e o equipamento foi retirado. Com a redução das forças convencionais na Europa, a Luftwaffe começou a retirar os seus RF-4E em 1993 e 1994; o AG 51 recebeu Panavia Tornado e o AG 52 foi dissolvido. Os aviões excedentários foram cedidos a aliados da NATO: 32 à Turquia e 20 à Grécia.

Essa transferência deu ao RF-4E uma segunda vida no Mediterrâneo oriental. A Grécia, que queria aumentar os seus seis aviões de reconhecimento, aproveitou a retirada alemã de 1993 para reforçar o 348.º Esquadrão; em 1992 a sua força de Phantom somava 73 F-4E e 5 RF-4E. O modelo de reconhecimento foi retirado do serviço grego a 5 de maio de 2017, com a desativação do 348.º. A Turquia, que não tinha conseguido mais RF-4 dos Estados Unidos por falta de existências, recebeu os seus 32 ex-alemães entre 1992 e 1994, todos destinados ao 113 Filo de Eskişehir, e mais tarde equipou também com RF-4E o 173 Filo, quando este cedeu os seus F-4E ao 172. A 22 de junho de 2012 o Governo turco anunciou que forças sírias tinham abatido um RF-4E do 113 Filo com os seus dois tripulantes sobre o Mediterrâneo, ao largo da costa da província de Hatay, no que foi descrito como um voo de reconhecimento ao largo do litoral sírio; os destroços foram localizados em águas sírias. A 24 de fevereiro de 2015 outros dois RF-4E despenharam-se na região de Malatya, no sudeste do país, com a morte dos seus quatro tripulantes.
No Japão o RF-4E equipou o 501.º Hikōtai, que operou o avião de reconhecimento durante 45 anos; quinze F-4EJ foram ainda convertidos ao padrão RF-4EJ com barquinhas de reconhecimento. Para os render, a JASDF dotou vários F-15 Eagle de barquinhas de radar de abertura sintética. A 9 de março de 2020 retirou-se o RF-4 após quatro décadas e meia de serviço: uma formação de quatro aviões, RF-4E e RF-4EJ do 501.º, realizou a passagem cerimonial, entre eles o 47-6901, o primeiro RF-4E construído para o Japão e o primeiro entregue. Restava apenas o 301.º Hikōtai com os seus F-4EJ Kai como último esquadrão de Phantom do país.
Legado
A Alemanha, que chegou a ser o terceiro operador de Phantom exportados depois do Irão e de Israel, manteve o F-4 em serviço até 2013, embora os seus RF-4E tivessem desaparecido duas décadas antes. Da encomenda original de 88, nenhum continua na Luftwaffe; a contagem de operadores atribuía à Turquia 44 RF-4E em serviço, ao Japão 12 antes da sua retirada e ao Irão 3 dos 16 recebidos, e nenhum a Israel. Concebido como uma simples adaptação de exportação, o RF-4E acabou por ser o Phantom de reconhecimento de mais longa vida: quase cinquenta anos entre o voo do «Spirit of St. Louis» e a última passagem cerimonial do 501.º Hikōtai.
Multimédia
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