Variante do Dassault Mirage III
Dassault Mirage IIIA
O Mirage IIIA foi a série de pré-produção de dez aeronaves com a qual a Dassault transformou o protótipo Mirage III 001 num caça operacional. Encomendados em maio de 1957, eram maiores que o protótipo e traziam o turborreator com pós-combustão Atar 09B, radar, aviónica de padrão operacional e previsão para um foguete propulsor SEPR. O primeiro voou em 12 de maio de 1958 e ultrapassou Mach 2 em 24 de outubro de 1958, sendo a primeira aeronave francesa a fazê-lo sob observação oficial. Cada célula cobriu parte do programa de ensaios, e delas surgiram as versões de produção do Mirage III e do Mirage 5.

- 12 de maio de 1958
- Primeiro voo
- 10
- Unidades construídas
História
Do protótipo à pré-produção
O Mirage IIIA foi a série de pré-produção de dez aeronaves com a qual a Dassault levou o conceito do protótipo Mirage III 001 até à configuração da qual emergiriam as versões de produção. A linhagem começa com o MD 550 Mystère Delta, que voou pela primeira vez em 25 de junho de 1955 em Melun-Villaroche, pilotado por Roland Glavany, e continua com o protótipo Mirage III 001, que descolou em 17 de novembro de 1956. Esse protótipo atingiu Mach 1,52, limite imposto pela forma das suas tomadas de ar; com os semicones móveis conhecidos como "souris" (ratos), alcançou Mach 1,65 em voo nivelado em 19 de setembro de 1957, e Mach 1,8 com o foguete SEPR 66 herdado do Mirage I.
O sucesso do protótipo levou a uma encomenda de dez aeronaves de pré-produção, já colocada em maio de 1957. Embora o Mirage III tivesse sido concebido como interceptor, o lote foi encomendado com a intenção de desenvolver o tipo também para funções adicionais.
O que mudou em relação ao protótipo
Os IIIA eram algo maiores para acomodar todo o equipamento necessário. Segundo a Wikipédia em francês, a fuselagem foi alongada em 1,40 m, a envergadura cresceu 0,64 m e a área alar passou de 29 para 34,85 m². A Wikipédia em inglês dá valores ligeiramente diferentes: quase 2 m mais comprido, uma asa com 17,3 por cento mais área e uma relação espessura-corda reduzida para 4,5 por cento. A fuselagem alongada seguia a regra da área. O exemplar conservado no Musée de l'Air et de l'Espace é catalogado com dimensões de 8,22 m por 14,20 m.
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A propulsão era assegurada por um SNECMA Atar 09B com 42,8 kN a seco e cerca de 58,8 kN com pós-combustão. A nova pós-combustão do Atar 09 tinha sido testada pela primeira vez em janeiro de 1957 com 54,9 kN e foi rapidamente melhorada para 58,8 kN. Manteve-se a previsão para um foguete propulsor SEPR, designado SEPR 84 ou SEPR 841 conforme a fonte (13,34 kN na lista de variantes da Wikipédia em inglês). A aeronave levava um radar Dassault Super Aida ou Thomson-CSF Cyrano I bis, aviónica de padrão operacional e um paraquedas de freio para encurtar a corrida de aterragem.
Primeiro voo e Mach 2
A primeira aeronave de pré-produção voou em 12 de maio de 1958, pilotada por Roland Glavany. Em 24 de outubro de 1958, novamente com Glavany aos comandos, ultrapassou Mach 2: o Musée de l'Air et de l'Espace regista-a como a primeira aeronave francesa a superar essa velocidade sob observação oficial. Em ensaios posteriores, usando o foguete SEPR, alcançou Mach 2,2, tornando-se a primeira aeronave de conceção europeia capaz de ultrapassar Mach 2 em voo nivelado.
Um programa de ensaios repartido
Para acelerar o desenvolvimento, cada uma das dez aeronaves recebeu uma parte específica do programa. Os ensaios incluíram a avaliação do mais recente motor-foguete SEPR 841, vários depósitos largáveis subalares e outros sistemas importantes. Em junho de 1959, o IIIA número 3 estabeleceu um novo recorde de velocidade em circuito fechado de 100 km. A décima e última aeronave saiu de linha em dezembro de 1959; as últimas seis eram já em grande parte representativas do padrão inicial de produção. Um acidente causou a perda do número 5 em outubro de 1960, e o número 03 despenhou-se na aproximação em 28 de outubro de 1968, por causa desconhecida; o piloto ejetou-se.
O banco de ensaios Avon
Em 1960 a Austrália escolheu o Mirage III para substituir os seus F-86 Sabre. Um IIIA foi equipado com um Rolls-Royce Avon 67 de 71,1 kN como aeronave de ensaio para a avaliação australiana, sob a designação Mirage IIIO. Voou em fevereiro de 1961, mas o Avon não foi adotado nas aeronaves de produção.
O primeiro contacto de Israel
Em 1959 Israel enviou um dos seus melhores pilotos para experimentar o Mirage IIIA. O relatório foi entusiástico, e o Mirage III recebeu então a alcunha que manteria ao longo de toda a sua carreira israelita: "Shahak". Essa avaliação abriu caminho à encomenda israelita de 1960, que se materializou na variante de exportação IIICJ.
Legado e aeronaves sobreviventes
O IIIA nunca entrou ao serviço de primeira linha: esse papel coube ao Mirage IIIC, o primeiro modelo de produção, que voou em outubro de 1960 e era menos de meio metro mais comprido. Segundo o Musée de l'Air et de l'Espace, o IIIA permitiu definir as versões de produção do Mirage III e do Mirage 5, das quais se construiriam mais de 1.400 exemplares em toda a família.

Sobrevivem pelo menos quatro: o número 01 no salão dos protótipos do Musée de l'Air et de l'Espace, em Le Bourget; o número 02 no ISAE-Supaéro, em Toulouse; o número 06 no Château de Savigny-lès-Beaune; e o número 09 no Musée européen de l'aviation de chasse, em Montélimar.
Multimédia
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