Variante do Bristol Britannia

Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)

Versão mista de passageiros e carga da Série 250 construída para a RAF como Britannia C.1: 20 aviões com piso reforçado em todo o comprimento, porta de carga dianteira e assentos virados para a retaguarda, ao serviço de 1959 a 1975.

Ficha do Bristol Britannia

Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)
Bristol 253 Britannia C 1 RAF XL636Bill Larkins (CC BY SA), vía commons
20
Unidades construídas
7448 km
Alcance
115
Passageiros

História

O Bristol 253 foi a versão de produção do Britannia concebida especificamente para a Royal Air Force, que o operou como Britannia C.1. Derivava da Série 200, um desenvolvimento de longo alcance, misto de passageiros e carga, que a Bristol tinha destinado às companhias aéreas mas que não encontrou cliente civil; a empresa acabou por o oferecer à RAF, e a Série 250 tornou-se a expressão militarizada desse conceito. O Ministry of Supply contratou-o ao abrigo da especificação C176P e, em 1959, o Transport Command da RAF comprou toda a série: três Model 252, designados Britannia C.2, e vinte Model 253, o Britannia C.1. Os 252 tinham sido originalmente encomendados com a intenção de os alugar a operadores charter civis, ao passo que o 253 foi construído desde o início segundo os requisitos da RAF. Foi assim que um avião concebido para as rotas do Império acabou por ser a espinha dorsal do transporte aéreo estratégico britânico.

A diferença essencial entre as duas versões militares residia no piso da cabina. O 253 recebeu um piso reforçado em todo o comprimento e provisão para assentos virados para a retaguarda, uma disposição que a RAF preferia por razões de segurança em caso de acidente. Partilhava com o 252 a grande porta de carga dianteira que distinguia a Série 250 dos 310 civis, e era em essência um cargueiro que também podia ser usado para transporte de tropas e evacuação médica. A propulsão vinha de quatro turbo-hélices Bristol Proteus: o Proteus 765 de 4.120 ehp foi inicialmente instalado nos 252, enquanto o Proteus 255 militar, semelhante ao 765 e com injeção de água-metanol para compensar a perda de rendimento do motor em certas condições, fornecia 4.455 ehp no 253. As hélices eram unidades de Havilland de quatro pás. Com uma carga útil máxima de 37.400 lb, o 253 podia cobrir 4.628 milhas terrestres em ar calmo a uma velocidade de cruzeiro de 360 mph, e o seu peso vazio era de 90.600 lb. Esses valores de carga útil e alcance explicam por que a RAF o valorizava tanto face ao Hastings de motores de pistão que substituiu.

Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)
Bristol Britannia 253 (ex RAF C.1) XM496 "Regulus", preservado em Kemble (2)Jeroen Stroes Aviation Photography (CC BY), vía commons

A RAF já conhecia bem o Britannia através do desenvolvimento atribulado do tipo: o segundo protótipo, G-ALRX, tinha-se perdido em fevereiro de 1954 nos lodaçais do estuário do Severn depois de uma falha no redutor ter provocado um incêndio de motor, e os problemas de formação de gelo nas entradas de ar do Proteus tinham atrasado a entrada ao serviço do avião de linha na BOAC. Quando os C.1 chegaram aos esquadrões, esses defeitos já estavam corrigidos e o avião tinha ganho a reputação de máquina fiável e silenciosa.

Os vinte C.1 receberam nomes de estrelas, como Bellatrix, Argo, Vega, Sirius, Regulus, Schedar e Arcturus. O primeiro, XL636 «Argo», foi entregue ao 99 Squadron em RAF Lyneham, Wiltshire, em 4 de junho de 1959, e o 511 Squadron foi reconstituído na mesma base em 15 de dezembro de 1959 como segunda unidade de Britannia para voos de transporte de tropas de longo alcance. Ambos os esquadrões tinham voado anteriormente o Handley Page Hastings e, antes disso, o Avro York. Inicialmente cada unidade operava os seus aviões separadamente; em setembro de 1960 foi introduzida a manutenção centralizada e a frota passou a ser partilhada, com tripulações de ambos os esquadrões a voar qualquer avião. Em junho de 1970, quando Lyneham se tornou a casa dos novos Lockheed Hercules, a frota de Britannia mudou-se para RAF Brize Norton, no Oxfordshire, que já acolhia os Short Belfast do 53 Squadron e os VC10 do 10 Squadron.

Durante dezasseis anos o C.1 foi o transporte de longo alcance por excelência da RAF. Voou a rota do Extremo Oriente via El Adem, Adém e Gan até Changi, em Singapura, e realizou as evacuações de cidadãos britânicos do Congo em 1960, do Kuwait e de Belize em 1961 e de Adém em 1967. Este último teatro cobrou o único C.1 destruído ao serviço: em 12 de outubro de 1967 o XL638 «Sirius» ficou danificado sem reparação possível depois de ultrapassar o fim da pista em RAF Khormaksar. O resto da frota sobreviveu intacta até meados da década de 1970, quando a aparente distensão da Guerra Fria reduziu a necessidade de uma grande capacidade de transporte aéreo estratégico. Os Britannia foram retirados no final de 1975, o 511 Squadron foi dissolvido em 6 de janeiro de 1976 e os aviões foram armazenados em RAF Kemble e St Athan.

Longe de irem para a sucata, as máquinas ex-RAF foram avidamente disputadas por operadores de carga: tinham o piso reforçado, a grande porta dianteira, relativamente poucas horas de voo e custos de operação económicos. Civilizados e redesignados 253F, regressaram ao papel cargueiro para o qual a Série 200 tinha sido concebida. Essa segunda vida não esteve isenta de acidentes: em 30 de setembro de 1977 um 253 da Interconair despenhou-se num voo de transferência, e em 16 de fevereiro de 1980 um 253F da Redcoat Air Cargo caiu em Billerica, Massachusetts, pouco depois de descolar de Boston, com o cisalhamento do vento e a turbulência entre os fatores contribuintes. No Zaire, várias companhias mantiveram Britannia em voos regulares de carga a partir de N'djili até ao início da década de 1990, graças a peças sobressalentes compradas ao Royal Aircraft Establishment e à Cubana. Hoje o XM496 «Regulus» sobrevive completo no Cotswold Airport, em Kemble, com as cores da RAF, enquanto no museu de Cosford um 312 civil, o G-AOVF, ostenta a libré do Air Support Command como XM497 «Schedar».

Multimédia

Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)
Bristol Britannia 253 (ex RAF C.1) XM496 "Regulus", preservado em Kemble (2)Jeroen Stroes Aviation Photography (CC BY), vía commons
Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)
Bristol Britannia 253 (ex RAF C.1) XM496 "Regulus", preservado em Kemblewiltshirespotter (CC BY SA), vía commons
Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)
Bristol 175 Britannia C 1 (253), RAFMike Freer - Touchdown-aviation (GFDL), vía commons
Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)
Bristol 175 Britannia C 1 (253), RAF St Athan (2)Mike Freer - Touchdown-aviation (GFDL), vía commons
Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)
Bristol 175 Britannia C 1 (253), RAF St Athan (1)Mike Freer - Touchdown-aviation (GFDL), vía commons
Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)
Bristol 175 Britannia C 1 (253), RAF Brize NortonMike Freer - Touchdown-aviation (GFDL), vía commons
Bristol Britannia 253 (Britannia C.1)
Bristol Britannia C.1 XL636 "Argo", esquadrão n.º 99 da RAF, em voo