Variante do Boeing B-17 Flying Fortress
Boeing B-17 Flying Fortress C-108 Flying Fortress
Quatro B-17 convertidos em aviões de transporte durante a Segunda Guerra Mundial: dois aviões VIP (um deles o «Bataan» do general MacArthur), um cargueiro e um avião-cisterna de combustível.
Ficha do Boeing B-17 Flying Fortress

- 4
- Unidades construídas
- 5300 km
- Alcance
História
A designação C-108 Flying Fortress abrange quatro bombardeiros B-17 que as United States Army Air Forces transformaram em aviões de transporte durante a Segunda Guerra Mundial. Não se tratou de uma série de produção, mas de um conjunto de conversões experimentais, cada uma com uma finalidade diferente: dois transportes VIP, um cargueiro e um avião-cisterna de combustível. A própria Boeing converteu o primeiro avião; os outros três foram retrabalhados pelo Fairfield Air Service Command em Patterson Field, no Ohio, no âmbito de um programa destinado a dar uma segunda vida a bombardeiros já tornados obsoletos por tipos mais recentes.
O primeiro foi o XC-108, um B-17E com o número de série 41-2593. Construído pela Boeing em Seattle (número de construtor 2404), tinha sido entregue como bombardeiro e atribuído ao 91st Bombardment Group em Walla Walla, no estado de Washington, antes de atravessar o Pacífico rumo à Austrália. Ali perdeu todo o armamento, exceto a torreta de cauda e uma única metralhadora de calibre 0.50 num nariz retirado de um B-17F, e a blindagem foi removida. O interior tornou-se um escritório voador, com assentos, mesas, janelas adicionais na fuselagem, instalações de cozinha e espaço habitável, além de uma porta rebatível com degraus na fuselagem traseira para facilitar o embarque. Em novembro de 1943 foi atribuído ao general Douglas MacArthur, que lhe deu o nome «Bataan» e mandou pintar no nariz o contorno de Luzon sobre fundo azul. Pilotado por Weldon E. «Dusty» Rhoades, piloto da United Airlines antes da guerra, transportou o general entre a Austrália, a Nova Guiné e as Filipinas até ser substituído por um C-54 convertido, o «Bataan II». A 4 de agosto de 1945 partiu de Manila com o general Sutherland a bordo para o voo de regresso aos Estados Unidos, passou por grandes reparações em Wright Field e a 30 de outubro de 1945 foi colocado em armazenamento em Walnut Ridge, onde acabou por ser desmantelado. As fontes divergem quanto à data da conversão: a Wikipedia situa-a em 1943, enquanto a Pacific Wrecks a data de junho de 1942.

Uma conversão semelhante foi feita num B-17F-40-VE (42-6036), que foi designado YC-108 e serviu igualmente como transporte VIP.
O terceiro avião, o XC-108A, foi o mais ambicioso. Era o B-17E 41-2595, alcunhado «Desert Rat», entregue a 14 de abril de 1942 e usado como avião de treino em MacDill, Walla Walla e Ainsworth até ser transferido para Wright Field em março de 1943. Entrou no programa a 17 de agosto de 1943 e a sua conversão ficou concluída em março de 1944. O objetivo era descobrir se um bombardeiro obsoleto podia tornar-se um cargueiro prático: armas, blindagem e equipamento militar foram retirados, os postos da tripulação foram deslocados, as portas do porão de bombas foram seladas, várias anteparas foram removidas para ganhar volume, e o nariz envidraçado do bombardeiro deu lugar a um cone de nariz sólido e articulado, com acesso ao cockpit pela passagem rastejante por baixo dele. Foi instalada uma grande porta de carga, articulada para cima, na posição lateral esquerda. No final de março de 1944 partiu para a Índia pelas Caraíbas, pelo Brasil, por Ascensão e por África, num voo de transferência atormentado por problemas de motor, durante o qual o motor número três se incendiou sobre a selva brasileira. A partir da Índia transportou abastecimentos e pessoal sobre os Himalaias — a rota do «Hump» — até à base de B-29 de Chengdu, na China, mas a falta de peças sobresselentes para os seus motores Cyclone e os problemas crónicos de motor tornaram-no impraticável. Em outubro de 1944 regressou aos Estados Unidos pela rota de transferência do Atlântico Norte, chegando a Dow Field, perto de Bangor, no Maine, a 18 de outubro; ali, a 1379th Base Unit usou-o em voos de carga para a Gronelândia, a Terra Nova e o nordeste dos Estados Unidos, e outras fontes mencionam também uma rota para a Escócia. O seu último voo operacional teve lugar em meados de dezembro de 1945.
O quarto e último, o XC-108B, foi o B-17F 42-30190 convertido em avião-cisterna: uma fuselagem sem armas nem blindagem, cheia de depósitos de combustível, destinada a transportar combustível da Índia para Chengdu.
A experiência não deu origem a nenhum programa de refabrico, embora muitos outros B-17 tenham feito trabalho semelhante sob as designações CB-17G (transporte de tropas, 25 aviões) e VB-17G (transporte de estado-maior, 8 aviões). O único sobrevivente é o XC-108A «Desert Rat»: vendido como sucata a um ferro-velho de automóveis perto de Dow Field, os seus restos foram engolidos pela vegetação; em 1968, um grupo que procurava um B-25 desmembrou-o e levou os motores, as hélices e o trem de aterragem. Em 1985, Steve Alex, de Bangor, comprou o que restava e revendeu-o por 7.250 dólares a Mike Kellner, de Marengo, no Illinois, que o transferiu para o seu estado natal em 1995 e desde então o tem vindo a restaurar para a configuração B-17E.
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Os dados técnicos citados referem-se ao XC-108: quatro motores radiais Wright R-1820-65 de 1.200 hp, capacidade para 64 soldados ou 8.000 lb de carga, velocidade máxima de 507 km/h e alcance de 5.300 km.
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