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Por que a Boeing encerrou a produção do 747?

Resposta direta

A Boeing encerrou o 747 porque jatos bimotores como o 777, 787 e A350 transportam, com metade dos motores, quase tantos passageiros e consomem muito menos combustível por assento, enquanto as companhias aéreas passaram a preferir voos diretos a grandes redes em hub. A versão de passageiros 747-8 vendeu pouco; o último 747, um cargueiro, foi entregue em 31 de janeiro de 2023.

Por que a Boeing encerrou a produção do 747?
Boeing 747-400 da Lufthansa a descolar de BostonFoto: 4300streetcar (CC BY 4.0)

Dois motores fazem o trabalho de quatro

A Boeing encerrou a produção do 747 porque o mercado que ele atendia desapareceu. Quando entrou em serviço em 1970, atravessar um oceano exigia, por razões de segurança e desempenho, quatro motores. As normas ETOPS, que desde a década de 1980 permitem que aviões bimotores voem cada vez mais longe de um aeroporto de alternativa, junto com o surgimento de motores turbofan enormes e altamente confiáveis, mudaram essa conta. Um 777-300ER ou um A350-1000 transporta, com metade dos motores, quase tantos passageiros quanto um 747, o que significa menos combustível por assento e menos manutenção.

Uma mudança no modelo de negócio

O 747 foi projetado para concentrar grandes volumes de passageiros entre aeroportos-hub. A partir dos anos 2000, as companhias aéreas perceberam que os viajantes preferem voos diretos com alta frequência e que um bimotor menor torna rentáveis rotas em que um jumbo voaria apenas pela metade. O 787 e o A350 abriram centenas de conexões de longa distância entre cidades secundárias que um 747 nunca teria justificado, e a demanda por aeronaves de altíssima capacidade encolheu para um punhado de operadores.

A última tentativa e o fim da produção

A Boeing respondeu com o 747-8, apresentado em 2005 com motores derivados do 787 e uma asa nova, mas a versão de passageiros encontrou poucos compradores: cerca de 48 unidades, contra as quase 700 do 747-400. Foi o cargueiro 747-8F, valorizado por seu nariz basculante, que manteve a linha de montagem em Everett funcionando na última década, com um ritmo de apenas alguns aviões por ano. Em julho de 2020, em plena pandemia, a Boeing confirmou o fim da produção. A última unidade, um 747-8F para a Atlas Air, foi entregue em 31 de janeiro de 2023. Em 54 anos, foram construídas 1.574 unidades, e centenas delas, majoritariamente cargueiros, continuarão voando por muitos anos.

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