Versão do R-7 Semyorka

R-7 Semyorka Molniya (8K78)

O Molniya (GRAU 8K78) foi o membro de quatro estágios da família R-7, projetado no OKB-1 em 1959–1960 para enviar sondas a Vénus e a Marte. O seu quarto estágio, o Blok L, acendia em órbita para impelir as cargas para além da órbita baixa terrestre. Entre outubro de 1960 e outubro de 1967 voou 40 vezes a partir de Baikonur, lançando a Venera 1, a Mars 1, as sondas Zond, os módulos de aterragem lunares Luna E-6 e os primeiros satélites de comunicações Molniya-1, que lhe deram o nome. Foi sucedido pelo Molniya-M (8K78M), mais potente.

Ficha do R-7 Semyorka

R-7 Semyorka Molniya (8K78)
Blok L do foguete Molniya (8K78) junto a uma sonda planetária 2MV, em exposição de museuFrs vetlana (CC BY SA), vía commons
10 de outubro de 1960
Primeiro lançamento
Não
Reutilizável

História

Um lançador para os planetas

O Molniya (índice GRAU 8K78, designação Sheldon A-2-e, designação SL-6 do Departamento de Defesa dos EUA) foi o membro de quatro estágios da família R-7. Segundo fontes russas, foi projetado no OKB-1 em 1959–1960; a Wikipédia em inglês descreve-o como o resultado de um programa de emergência do gabinete de Korolev para dispor de um foguetão para sondas planetárias. Destinava-se inicialmente a enviar naves a Vénus e a Marte e, mais tarde, a lançar a série de sondas lunares Ye-6. O nome por que é conhecido surgiu depois, devido ao grande número de satélites de comunicações Molniya que colocou em órbita.

Arquitetura

O anterior foguetão Luna (8K72) enviara as sondas lunares de primeira geração numa trajetória de ascensão direta que se revelou imprecisa. O 8K78 substituiu essa abordagem: acrescentou um terceiro estágio maior e um quarto estágio inteiramente novo, o Blok L, concebido para acender em órbita e enviar a carga para fora da órbita baixa terrestre. O estágio central e os quatro propulsores laterais receberam os motores de primeiro estágio 8D74K, mais potentes.

R-7 Semyorka Molniya (8K78)
Blok L, quarto estágio do foguete Molniya (8K78), em exposição de museuFrs vetlana (CC BY SA), vía commons

A estrutura e o motor do terceiro estágio, o Blok I, baseavam-se no segundo estágio do míssil de combate R-9A (8K75). A estrutura do Blok L derivava do Blok E do 8K72, mas o seu motor era fundamentalmente novo: um projeto de ciclo fechado capaz de arrancar em ausência de peso.

As características publicadas indicam um comprimento de 43,44 m, um diâmetro de 10,3 m e uma massa de lançamento de 305 t, em quatro estágios: quatro propulsores laterais (Blok B, V, G e D) com um RD-107 cada um; o estágio central, Blok A, com um RD-108K; o terceiro estágio, Blok I; e o quarto estágio, Blok L, com um motor S1.5400. As fontes divergem quanto ao motor do Blok I: a Wikipédia em inglês indica o RD-0108, a Gunter's Space Page o RD-0107.

Estágios centrais e problemas de juventude

Os primeiros 8K78 voados usaram o estágio central do 8K74; os veículos voados em 1962–1963 utilizaram o estágio central 8K71, mais antigo, e o estágio central 8K74 regressou nos veículos voados a partir de 1964. Os veículos iniciais levavam também um Blok I defeituoso, propenso a vibrações e à cavitação das bombas. O estágio foi redesenhado e a versão melhorada voou pela primeira vez a 11 de novembro de 1963.

Uma revisão menor, o Molniya (E6), foi adaptada para as sondas lunares Luna E-6: o sistema de guiamento de todo o veículo lançador foi transferido para a própria sonda. As listas de lançamentos etiquetam também vários voos a partir de 1964 como «Molniya (M)», uma subversão que mantêm dentro do registo do 8K78 e separam do Molniya-M (8K78M), cuja lista própria começa a 4 de outubro de 1965 com a Luna 7.

Historial de serviço

As listas de lançamentos compiladas pela Wikipédia e pela Gunter's Space Page registam 40 lançamentos do 8K78 entre 10 de outubro de 1960 e 22 de outubro de 1967, todos a partir de Baikonur: da plataforma LC-1/5 e, a partir de novembro de 1965, também da LC-31/6. Desses 40 voos, 20 foram êxitos, 9 falhas e 11 falhas parciais.

Os dois primeiros lançamentos, a 10 e 14 de outubro de 1960, tentaram enviar sondas 1M a Marte, e ambos falharam. A 4 de fevereiro de 1961, uma sonda a Vénus terminou em falha parcial, catalogada como Sputnik 7; a 12 de fevereiro de 1961 o foguetão despachou a Venera 1. Na janela de 1962 para Vénus e Marte voou seis vezes entre 25 de agosto e 4 de novembro: cinco terminaram em falhas parciais, com cargas catalogadas como Sputnik 19 a 24, enquanto a Mars 1 partiu com êxito a 1 de novembro de 1962.

A partir de janeiro de 1963, o Molniya (E6) transportou as sondas de aterragem suave lunar Ye-6. Perderam-se duas tentativas antes de a Luna 4 ser lançada a 2 de abril de 1963. A Luna 5 e a Luna 6 seguiram-se a 9 de maio e 8 de junho de 1965, e a Luna 8 a 3 de dezembro de 1965. O veículo lançou também as sondas 3MV Zond 1 (2 de abril de 1964), Zond 2 (30 de novembro de 1964) e Zond 3 (18 de julho de 1965), bem como a Venera 2 e a Venera 3, a 12 e 16 de novembro de 1965, a partir da plataforma LC-31/6.

Das sondas planetárias aos satélites de comunicações

A primeira tentativa de colocar em órbita um satélite de comunicações Molniya-1, a 4 de junho de 1964, falhou. Seguiram-se a Kosmos 41, a 22 de agosto de 1964, e o Molniya-1 1, a 23 de abril de 1965. Estes satélites, enviados para órbitas altamente elípticas, tornaram o foguetão famoso e deram-lhe o nome. O 8K78M, mais potente, foi introduzido em 1965, mas o 8K78 continuou a voar até 1967: a partir de 1966, os seus lançamentos foram quase todos de satélites Molniya-1, e o último, a 22 de outubro de 1967, colocou em órbita o Molniya-1 7. Segundo a Wikipédia em russo, o Molniya serviu também de base aos Voskhod e Soyuz de três estágios.

Multimédia

R-7 Semyorka Molniya (8K78)
Blok L, quarto estágio do foguete Molniya (8K78), em exposição de museuFrs vetlana (CC BY SA), vía commons