Versão do Ariane 5

Ariane 5G

Versão original («genérica») do lançador pesado europeu Ariane 5: estágio principal criogénico EPC H158 com motor Vulcain 1, dois propulsores sólidos EAP P238 e estágio superior de propulsores armazenáveis EPS L9.7 com motor Aestus. Voou 16 vezes entre 1996 e 2003, incluindo o voo inaugural falhado 501 e duas falhas parciais.

Ficha do Ariane 5

Ariane 5G
SMART 1 erguido sobre o lançador Ariane 5 no Edifício de Montagem Final, Kourou (setembro de 2003, último voo do Ariane 5G)European Space Agency (CC BY SA), vía commons
4 de junho de 1996
Primeiro lançamento
16 000 kg
Capacidade para LEO
Não
Reutilizável

História

O Ariane 5G — o «G» de genérico — foi a configuração original do lançador pesado europeu Ariane 5 e a única com que o programa voou até à chegada do Ariane 5ECA, em dezembro de 2002. Reunia os três elementos que dariam forma a toda a família: dois propulsores laterais de combustível sólido EAP na versão P238, um estágio principal criogénico EPC H158, alimentado com hidrogénio e oxigénio líquidos e impulsionado por um único motor Vulcain 1, e um estágio superior de propulsores armazenáveis, o EPS na versão L9.7, com motor Aestus que queimava monometilhidrazina e tetróxido de azoto. O EPC H158 tinha 23,8 m de comprimento e 5,4 m de diâmetro, pesava cerca de 12.200 kg em vazio e 170.500 kg totalmente carregado; o seu Vulcain 1 produzia 1.015 kN de impulso no vácuo durante cerca de 605 segundos. O EPS transportava cerca de 10.000 kg de propulsor armazenável e o seu Aestus fornecia 27 kN. Com uma massa à descolagem de 737 toneladas, o lançador foi concebido para levar cargas pesadas para a órbita de transferência geoestacionária, muitas vezes duas de cada vez graças ao adaptador de lançamento duplo SYLDA.

A sua estreia foi um fracasso célebre. O voo 501 descolou de Kourou a 4 de junho de 1996 com os quatro satélites científicos Cluster da ESA. Cerca de 37 segundos após o início da sequência de ignição do motor principal — 30 segundos após a descolagem — o foguetão perdeu por completo a informação de guiamento e de atitude: as tubeiras dos propulsores e, um pouco depois, a do Vulcain rodaram para as posições extremas, o lançador desviou-se bruscamente da trajetória, desintegrou-se e autodestruiu-se a uma altitude de cerca de 3.700 m. A Comissão de Inquérito independente, constituída pelo diretor-geral da ESA, Jean-Marie Luton, e pelo presidente do CNES, Alain Bensoussan, atribuiu a falha a erros de especificação e de conceção no software do sistema de referência inercial, cujas duas unidades falharam em simultâneo. Esse software, escrito em Ada, vinha do Ariane 4 e tinha sido reutilizado juntamente com todo o seu subsistema, embora a função em causa não fosse sequer necessária no Ariane 5: a conversão de um valor de vírgula flutuante de 64 bits para um inteiro com sinal de 16 bits, a variável de desvio horizontal, provocou um excesso de capacidade e uma exceção do processador. O relatório pedia a correção do sistema inercial, a desativação da sua função de alinhamento após a descolagem, o reexame de todo o software embarcado e ensaios de qualificação mais representativos.

Ariane 5G
Zona de queda de fragmentos do lançamento fracassado da Ariane 501Phrd (CC BY), vía commons

O segundo voo de qualificação, o 502, a 30 de outubro de 1997, foi uma falha parcial: um problema de rolamento causado pela tubeira do Vulcain levou ao desligamento prematuro do estágio principal e, embora o estágio superior funcionasse corretamente, a carga — maquetes MaqSat, o satélite TEAMSAT e a experiência YES — não atingiu a órbita prevista. O terceiro, o 503, a 21 de outubro de 1998, foi bem-sucedido com uma maquete MaqSat e a cápsula experimental de reentrada ARD. A 10 de dezembro de 1999, o voo 504 inaugurou o serviço comercial ao colocar em órbita o observatório de raios X XMM-Newton.

Seguiram-se lançamentos duplos e triplos para operadores de telecomunicações: Insat 3B e AsiaStar em março de 2000, Astra 2B e GE 7 em setembro, PAS 1R com o satélite de radioamador AMSAT P3D em novembro, e Astra 2D com GE 8 em dezembro; Eurobird 1 e BSAT-2a seguiram-se em março de 2001. A 12 de julho de 2001, o 5G sofreu a sua segunda falha parcial, deixando Artemis e BSAT-2b numa órbita com apenas metade da altura prevista. O satélite de telecomunicações Artemis da ESA acabou por atingir a órbita prevista a 31 de janeiro de 2003 com o seu sistema experimental de propulsão iónica. O programa só voltou a voar a 1 de março de 2002, quando o 5G colocou a cerca de 800 km o satélite ambiental Envisat, de 8.111 kg: manteve-se como a maior carga única lançada por um foguetão europeu até ao primeiro ATV, em março de 2008.

Vieram depois Stellat 5 e N-Star c, Atlantic Bird 1 com o satélite meteorológico MSG 1, Insat 3A com Galaxy 12, e Optus C1 com BSAT-2c. A 27 de setembro de 2003, no voo 162, o último Ariane 5G lançou três satélites: Insat 3E, eBird 1 e SMART-1, a primeira sonda lunar europeia.

No total, o 5G voou 16 vezes, com 13 sucessos, uma falha (501) e duas falhas parciais (502 e o voo de julho de 2001). Para uma órbita baixa circular de 260 km inclinada 51,6°, a sua capacidade indica-se como 16.000 kg. O seu sucessor imediato foi o 5G+, com um EPS melhorado, que voou pela primeira vez a 2 de março de 2004.

Desenho de três vistas

Desenho de três vistas de Vista em corte
Vista em corteCorte transversal da terceira Ariane 5G (voo V112, foguete 503) com o ARD e o Maqsat 3Uwe W. (CC BY SA), vía commons

Multimédia

Ariane 5G
Zona de queda de fragmentos do lançamento fracassado da Ariane 501Phrd (CC BY), vía commons
Ariane 5G
Perfil de voo do Ariane 501 (V88), voo inaugural do Ariane 5G
Ariane 5G
Ariane 501 (voo V88): Ariane 5G com os quatro satélites Cluster, diagramaPhrd / Stahlkocher (CC BY SA), vía commons
Fontes: Gunter's Space Page — Ariane-5