Variante do Messerschmitt Me 262
Messerschmitt Me 262 A-1a
A primeira variante de produção do Me 262 e a sua versão de caça definitiva, apelidada de Schwalbe («Andorinha»). Propulsionado por dois turborreatores Jumo 004B-1 de 8,8 kN e armado com quatro canhões MK 108 de 30 mm no nariz, entrou em serviço em julho de 1944 e foi o avião com que o Erprobungskommando 262, o Kommando Nowotny, o JG 7 e o JV 44 travaram os primeiros combates de caças a jato da história. A sua célula serviu também de base aos kits /U de fábrica e /R de campanha.
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- 1050 km
- Alcance
História
Um caça nascido contra a vontade de Hitler
O Me 262 A-1a foi a primeira variante de produção do Me 262 e a versão de caça puro do jato da Messerschmitt, conhecida como Schwalbe («Andorinha»). A sua própria existência foi contestada. Quando Hitler viu o avião na demonstração de Insterburg, a 26 de novembro de 1943, e perguntou se podia transportar bombas, Willy Messerschmitt respondeu que sim; mas a empresa continuou a desenvolvê-lo como intercetor de bombardeiros, com quatro canhões MK 108 de 30 mm de baixa velocidade inicial no nariz. A 23 de maio de 1944, em Berchtesgaden, Erhard Milch admitiu perante Hitler que nenhum dos Me 262 já construídos podia transportar bombas, porque o aparelho estava a ser fabricado «exclusivamente como avião de caça». A 27 de maio, Hitler ordenou que fosse considerado estritamente um caça-bombardeiro, embora poucos dias depois tenha permitido que os ensaios como caça continuassem, desde que as primeiras unidades operacionais recebessem a versão bombardeiro, que viria a ser o A-2a Sturmvogel. Só a 4 de novembro de 1944 aceitou Hitler que pudesse ser construído como caça, e mesmo então insistiu em que fosse capaz de transportar pelo menos uma bomba de 250 kg. A Wikipédia assinala, no entanto, que o seu decreto atrasou em menos de três semanas a entrada em serviço operacional da primeira unidade de caça, o Kommando Nowotny: o fator decisivo foi a curta vida útil dos motores.
Motores, armamento e cabina
O A-1a era propulsionado por dois turborreatores Junkers Jumo 004B-1 com cerca de 8,8 kN (900 kgp) de tração cada um. Os motores da série B eram o padrão de produção e utilizavam muito menos crómio, níquel e molibdénio do que os motores da série A de pré-produção, o que os tornava mais leves mas menos duráveis. Eram postos a trabalhar por um pequeno motor de gasolina a dois tempos escondido atrás do cone do bocal, com arranque elétrico e uma corda de puxar como reserva.
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O armamento-padrão eram quatro canhões MK 108 de 30 mm e cano curto no nariz: o par superior com 100 munições por arma e o inferior com 80. O MK 108 tinha pouco alcance mas um poder destrutivo tremendo; os seus projéteis explosivos eram chamados «minas». A mira era inicialmente um refletor Revi 16B, mais tarde substituído pela mira giroscópica Askania EZ42. O para-brisas era blindado e o encosto do assento tinha placa de blindagem; o piloto, sem assento ejetável, sentava-se em posição elevada sob uma canópia de visão total que abria para a direita. A asa tinha uma enflechamento moderado, com flaps no bordo de fuga e slats no bordo de ataque, e o avião foi concebido para ser fácil de construir sem materiais críticos. Os valores de desempenho diferem consoante as fontes: a airvectors indica 12,5 m de envergadura, 10,58 m de comprimento, 3.795 kg em vazio, 6.390 kg de peso máximo, 870 km/h, um teto de 12.200 m e um alcance de 1.050 km; a aviation-history.com indica 12,60 m, 3.795 kg em vazio, 6.473 kg carregado, 900 km/h, um teto de 11.450 m e o mesmo alcance de 1.050 km, com rádios FuG 16ZY e FuG 25a.
Erprobungskommando 262: o batismo de fogo
A 19 de abril de 1944 foi formado em Lechfeld, a sul de Augsburgo, o Erprobungskommando 262, às ordens do Hauptmann Werner Thierfelder, para introduzir o Me 262 em serviço e treinar os seus pilotos; segundo a HistoryNet, esses pilotos redigiram o manual de operação do caça Me 262 A-1a. Thierfelder morreu a 18 de julho de 1944 quando o seu avião se incendiou. A 26 de julho de 1944, o Leutnant Alfred Schreiber, a pilotar um A-1a, atacou um Mosquito PR Mk XVI do N.º 540 Esquadrão da RAF sobre Munique: segundo a Wikipédia, o Mosquito evitou as três passagens e aterrou em Fermo, Itália, no primeiro uso ar-ar de um caça a jato; a HistoryNet, pelo contrário, atribui a Schreiber essa primeira vitória e mais quatro aviões de reconhecimento, o que faria dele o primeiro ás a jato. Schreiber morreu a 26 de novembro de 1944 depois de um motor se ter apagado na descolagem. A Wikipédia situa a primeira vitória de um Me 262 a 8 de agosto de 1944, quando o Lt. Joachim Weber abateu outro Mosquito de reconhecimento do N.º 540 Esquadrão sobre Munique.
Kommando Nowotny
Após a morte de Thierfelder, o Major Walter Nowotny assumiu o comando a 25 de setembro de 1944 e a unidade passou a chamar-se Kommando Nowotny, com base em Achmer e Hesepe. Embora continuasse a ser essencialmente uma unidade de ensaios, iniciou as primeiras operações de caças a jato do mundo a 3 de outubro de 1944. Os jatos eram muito vulneráveis na descolagem e na aterragem, pelo que Nowotny providenciou que Fw 190D os cobrissem durante essas fases. A 8 de novembro de 1944, apesar das ordens para permanecer em terra, Nowotny voou contra uma formação de bombardeiros a cerca de 9.100 m, reivindicou dois P-51D e foi abatido por outros Mustang depois de um motor falhar. Até 16 de novembro, 28 dos 30 Me 262 da unidade tinham sido danificados ou destruídos, contra 24 vitórias reivindicadas; a HistoryNet atribui-lhe 22 vitórias antes de ser absorvida pelo JG 7.
Jagdgeschwader 7
A 19 de novembro de 1944, os restos do Kommando Nowotny converteram-se na III. Gruppe do JG 7 e foram enviados para Brandenburg-Briest. O seu primeiro comandante, Johannes Steinhoff, recordava que os aviões chegaram em secções, em vagões de caminho de ferro vindos do sul, e que, no final de novembro, já voavam em formações de três. A 28 de novembro de 1944, dos quatro A-1a previstos para a primeira missão operacional da ala, só um conseguiu levantar voo, e o seu piloto, Hermann Büchner, abateu um avião de reconhecimento F-5E. As primeiras saídas a partir de Brandenburg-Briest, Oranienburg e Parchim foram realizadas por quatro a seis aviões; no final de fevereiro de 1945, o JG 7 tinha reivindicado cerca de 45 bombardeiros quadrimotores e 15 caças. A 18 de março de 1945, cerca de 37 Me 262 enfrentaram uma força de 1.330 bombardeiros e mais de 700 caças com destino a Berlim e utilizaram pela primeira vez o foguete R4M (24 por avião, o kit de campanha /R7): o JG 7 reivindicou 12 bombardeiros e um caça, embora os registos norte-americanos admitam apenas oito bombardeiros pesados perdidos, e a III./JG 7 tenha perdido três jatos.
O JV 44 e as táticas da velocidade
Em janeiro de 1945, Hitler mandou Adolf Galland formar um esquadrão de Me 262 pilotado por ases caídos em desgraça por se terem confrontado com Göring: o Jagdverband 44, com Lützow, Steinhoff, Bär, Herget, Krupinski e Barkhorn. Operando a partir de Munique-Riem, só entrou em combate a 4 de abril de 1945. Walter Krupinski descreveu as táticas: aproximar-se a grande velocidade, atingir os bombardeiros com força e escapar; os R4M podiam ser disparados de fora do alcance das armas de calibre .50 dos bombardeiros, mas a sua resistência aerodinâmica anulava a vantagem de velocidade sobre os Mustang. O jato virava pior do que os caças a pistão e ficava quase indefeso durante dois ou três minutos após a descolagem, quando os caças aliados o caçavam sobre as suas próprias bases.
Sobreviventes
Vários A-1a sobrevivem: o W.Nr. 500071 «White 3» da III./JG 7, um A-1a/R7 que Hans Guido Mutke aterrou na Suíça a 25 de abril de 1945, hoje no Deutsches Museum de Munique; o W.Nr. 501232 «Yellow 5» da 3./KG(J)6 no National Museum of the US Air Force; o W.Nr. 500491 «Yellow 7» da II./JG 7, um A-1a/R7 com os suportes originais de R4M, no National Air and Space Museum; o W.Nr. 112372 no RAF Museum Cosford; e outro reconstruído a partir de peças no Luftwaffenmuseum.
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Multimédia
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