Variante do Consolidated B-24 Liberator

Consolidated B-24 Liberator GR Mk.V

Versão de patrulha antissubmarina de muito longo alcance do Liberator para o RAF Coastal Command: bombardeiros B-24D (Liberator III) modificados na Grã-Bretanha com radar ASV, foco Leigh, mais combustível e menos blindagem, usados para fechar o vazio aéreo sobre o Atlântico central.

Ficha do Consolidated B-24 Liberator

Consolidated B-24 Liberator GR Mk.V
Tripulação do Liberator GR Mk VA BZ818 «C», Esquadrão n.º 53 da RAF, com pombos-correio em St Eval (IWM CH12364)

História

O Liberator GR Mk.V foi a resposta do RAF Coastal Command a um problema que a Batalha do Atlântico tinha tornado urgente: encontrar e atacar submarinos alemães longe de terra. Não era um avião novo, mas uma conversão do Consolidated B-24D, que ao serviço britânico se chamava Liberator Mk.III, ou Mk.IIIA no caso dos aparelhos do Lend-Lease entregues com equipamento e armas americanos. A maioria desses Liberator III e IIIA foi para o Coastal Command, que chegou a formar com eles até doze esquadras. Sobre essa célula, foram feitas na Grã-Bretanha modificações extensas em 122 aviões, que receberam a designação GR Mk.V; as letras GR significam General Reconnaissance, o termo da RAF para a patrulha marítima.

Todas as alterações apontavam no mesmo sentido: mais horas sobre o mar e melhores meios para encontrar um submarino de noite. A capacidade de combustível foi aumentada à custa da blindagem e da proteção dos depósitos, e o armamento defensivo foi aligeirado em relação ao bombardeiro. O radar ASV (Air-to-Surface Vessel) ia normalmente numa carenagem sob o queixo, por baixo do envidraçado do nariz, embora nalguns aviões ficasse num radome retrátil montado no lugar da torre ventral de bola. A isto juntava-se o foco Leigh, um potente projetor usado para iluminar um submarino à superfície durante a aproximação final de um ataque noturno.

Consolidated B-24 Liberator GR Mk.V
F/O K. O. Moore e a sua tripulação do Esquadrão n.º 224 diante do seu Liberator V, St Eval, junho de 1944 (IWM CH13725)

Um estudo técnico das variantes do B-24 detalha o seu armamento: uma metralhadora de calibre .303 ou .50 no nariz, duas .50 na torre dorsal, quatro .303 ou duas .50 nas posições laterais e quatro .303 numa torre de cauda Boulton Paul, com previsão para 5.400 lb de bombas ou cargas de profundidade. Alguns aviões receberam também foguetes. As fontes descrevem ou oito lançadores de comprimento zero, quatro sob cada asa, ou pequenas asas auxiliares de cada lado da parte inferior da fuselagem dianteira com oito foguetes; uma identifica-os como foguetes de alta velocidade de cinco polegadas e outra como projéteis britânicos RP-3, uma discrepância que o material consultado não resolve.

Estas alterações fazem sentido à luz do local onde o avião iria voar. Na Batalha do Atlântico, uma vasta extensão de oceano, o chamado vazio do Atlântico central (Mid-Atlantic gap), ficava fora do alcance dos aviões antissubmarinos baseados em terra do Coastal Command; ali os U-boote atacavam os comboios com relativa impunidade, e nele concentravam-se muitas das perdas de navios mercantes. Os aviões de muito longo alcance, conhecidos como VLR (Very Long Range), foram a ferramenta usada para o fechar, e as fontes descrevem o Liberator GR Mk.V especificamente como um avião empregado em missões VLR. O vazio foi finalmente fechado em maio de 1943, à medida que cresciam em conjunto os números de Liberator VLR e de porta-aviões de escolta, se resolviam os problemas de bases e os Liberator VLR canadianos entravam em operação na Terra Nova.

O foco Leigh tinha entrado em serviço em junho de 1941 depois de vencer a indiferença do Air Ministry, e exigia um avião grande, como o Wellington ou o Liberator, capaz de levar o gerador que o alimentava. A razão era tática: com o radar de onda métrica, o eco do submarino perdia-se no ruído do mar antes de o avião chegar ao alcance visual, e o foco permitia concluir o ataque de noite, quando os submarinos navegavam à superfície para recarregar as baterias. Os alemães responderam com o recetor Metox, que captava essas emissões e avisava o submarino; a chegada de radares centimétricos que o Metox não conseguia detetar, combinada com o foco Leigh, revelou-se letal para os U-boote.

Segundo a história de John Rickard, o GR V serviu em onze esquadras da RAF, as n.º 53, 59, 86, 120, 159, 160, 200, 224, 311, 354 e 547, bem como na Esquadra n.º 10 da Royal Canadian Air Force. Todas, exceto a n.º 159, o usaram em trabalho antissubmarino ou de proteção da navegação. Uma fotografia do Imperial War Museum mostra um GR V da Esquadra n.º 86 em 1943, e a Esquadra n.º 311, checoslovaca, do Coastal Command, voou Liberator Mk.V entre junho de 1943 e fevereiro de 1945. Tripulações britânicas, checoslovacas e canadianas partilharam assim o mesmo avião na patrulha oceânica.

Consolidated B-24 Liberator GR Mk.V
Tripulação do Liberator Mk V «H for Harry», Esquadrão n.º 53 da RAF, St Eval, fevereiro de 1944 (IWM CH12366)

Dentro da família britânica do Liberator, o GR V situa-se entre o GR III, o B-24D de patrulha com radar de antenas Yagi e foco Leigh, e os GR VI e GR VIII, que levaram a mesma missão para os B-24G, H e J. Não deve ser confundido com o Liberator B Mk.V, um bombardeiro B-24D com mais combustível e menos blindagem que conservava o armamento do Mk.III: os dois partilham um número, não uma função. O material consultado não indica uma data de primeiro voo ou de entrada em serviço específica do GR V, nem o seu alcance em números.

Multimédia

Consolidated B-24 Liberator GR Mk.V
F/O K. O. Moore e a sua tripulação do Esquadrão n.º 224 diante do seu Liberator V, St Eval, junho de 1944 (IWM CH13725)
Consolidated B-24 Liberator GR Mk.V
Tripulação do Liberator Mk V «H for Harry», Esquadrão n.º 53 da RAF, St Eval, fevereiro de 1944 (IWM CH12366)
Consolidated B-24 Liberator GR Mk.V
Liberator GR Mk V da 111.ª (Coastal) OTU em manutenção em Oakes Field, Nassau (IWM CH14622)
Consolidated B-24 Liberator GR Mk.V
Liberator GR Mk V BZ877 «2-Q», Esquadrão n.º 86 da RAF, em voo (IWM CH11800)