Sabia…
Por que razão as cabines dos aviões são pressurizadas?
Resposta direta
As cabines são pressurizadas porque, na altitude de cruzeiro (10.000-12.000 m), a pressão exterior é apenas um quarto da do nível do mar e o oxigénio não bastaria para manter a consciência por mais de um minuto. O ar comprimido dos motores mantém a cabine a uma altitude de pressão de 1.800-2.400 m.

O ar a 11.000 metros
Os jatos comerciais voam a altitudes entre 9.000 e 12.500 m, porque o ar mais rarefeito oferece menos resistência e os motores funcionam de forma mais eficiente. Mas esse mesmo ar rarefeito é letal para os seres humanos: a 11.000 m de altitude, a pressão atmosférica é de cerca de 230 hPa, menos de um quarto dos 1.013 hPa ao nível do mar, e a pressão parcial de oxigénio é tão baixa que um adulto desprotegido perde a consciência em 30-60 segundos. Acima dos 3.000 m já surgem os primeiros sinais de mal de altitude (hipóxia): dores de cabeça, fadiga, discernimento reduzido. A pressurização da cabine é a única forma prática de levar centenas de passageiros a essa altitude sem máscaras.
Como funciona a pressurização
O ar é extraído dos compressores dos motores (no 787, de compressores elétricos), arrefecido nos packs de ar condicionado e conduzido para a cabine. Uma válvula de escape na traseira da fuselagem regula a quantidade de ar que sai, e assim a pressão interna. Durante o cruzeiro, a cabine é mantida a uma altitude de pressão de 1.800-2.400 m (6.000-8.000 ft), cerca de 750-800 hPa, o que equivale a uma diferença de pressão de 0,5-0,6 bar em relação ao ar exterior. Esta diferença empurra para fora com uma força de cerca de 5 toneladas por cada metro quadrado de fuselagem, razão pela qual a estrutura é concebida como um recipiente de pressão com janelas pequenas e arredondadas.
Por que não à pressão do nível do mar
Manter uma pressão interna de 1.013 hPa exigiria uma fuselagem mais pesada e reduziria a sua vida à fadiga a cada ciclo de pressurização. A altitude de cabine de 2.400 m é um compromisso: a maioria das pessoas tolera-a sem problemas, embora explique os ouvidos entupidos, a secura e o cansaço em voos de longo curso. Aviões mais recentes, como o A350 e o 787, com fuselagens de fibra de carbono, reduzem a altitude de cabine para cerca de 1.800 m, para maior conforto.
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