Sabia…
Por que os aviões deixam uma linha branca?
Resposta direta
Essa linha branca é um rasto de condensação: o vapor de água dos motores congela imediatamente em cristais de gelo quando o ar exterior está abaixo de cerca de −40 °C, o que é comum acima dos 8.000 m (26.000 pés). Não é fumo nem combustível, mas uma nuvem de gelo artificial que persiste em ar húmido.

Água, não fumo
Ao queimar querosene, um motor a jato produz principalmente dióxido de carbono e vapor de água: por cada quilograma de combustível queimado, libertam-se cerca de 1,25 kg de água na forma de gás. Esse vapor sai do bocal a várias centenas de graus e mistura-se em fração de segundo com o ar, que na altitude de cruzeiro está entre −40 e −60 °C. A mistura satura-se, o vapor condensa-se em partículas de fuligem e enxofre provenientes do próprio gás de escape, e as gotículas congelam formando cristais de gelo. O resultado é uma nuvem cirro linear gerada pelo avião, visível do solo como uma faixa branca.
Por que acontece às vezes e às vezes não
A formação depende da temperatura e da humidade do ar, não do avião. O critério de Schmidt-Appleman, formulado em meados do século XX, estabelece o limiar: abaixo de cerca de −40 °C, o rasto de condensação forma-se quase sempre; no ar quente em baixa altitude não ocorre, por isso os aviões a decolar ou a aterrar não deixam rasto. Se o ar ambiente estiver seco, os cristais sublimam em segundos, e o rasto mede apenas algumas centenas de metros. Se o ar estiver saturado em relação ao gelo, o rasto sobrevive durante horas, o vento dispersa-o, e pode transformar-se numa camada de nuvens cirros que cobre dezenas de quilómetros.
A pegada climática
Os rastos de condensação persistentes não são inofensivos. Capturam mais radiação infravermelha emitida pela Terra do que refletem luz solar, pelo que têm um efeito de aquecimento no balanço global. Estudos da EASA e da NASA estimam que o seu efeito climático é comparável ao do CO2 emitido pela própria aviação, embora com muito mais incerteza. Por isso, testam-se rotas de voo que evitam camadas de ar húmido, assim como combustíveis com menos enxofre e fuligem, que geram menos núcleos de condensação. Já as teorias de pulverização química não têm qualquer fundamento: a composição dos rastos de condensação é medida em voo há décadas, e é gelo.
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