Sabia…
Por que as companhias aéreas não colam publicidade nos seus aviões?
Resposta direta
As companhias aéreas vendem alguma publicidade, mas de forma comedida: mesas rebatíveis, compartimentos de bagagem, revistas e ecrãs. Não vão mais além porque cada elemento da cabine deve cumprir normas de inflamabilidade e certificação, porque uma cabine saturada de anúncios prejudica a imagem da marca e porque a receita seria insignificante face à venda de bilhetes.

A cabine é um espaço certificado
Um avião não é uma placa publicitária: qualquer material instalado na cabine, desde a folha de vinil numa mesa rebatível até ao autocolante num compartimento de bagagem, deve passar os testes de inflamabilidade, fumo e toxicidade exigidos pela FAA e pela EASA no âmbito das normas para aviões comerciais (Part 25 e CS-25). Qualquer alteração exige documentação, aprovação e, por vezes, uma revisão do cálculo de peso e centragem. Isso transforma numa campanha que, num autocarro, se fecharia numa tarde, um projeto de engenharia com custos e cronograma próprios, o que explica por que a pouca publicidade existente se limita a espaços previamente aprovados.
A marca vale mais do que o anúncio
As companhias aéreas investem milhões para dar à sua cabine uma imagem de ordem, limpeza e tranquilidade; uma superfície coberta de publicidade de terceiros contradiz essa mensagem e irrita, segundo as próprias sondagens de satisfação das companhias, um passageiro que já está a bordo sem possibilidade de fuga. Além disso, os anunciantes preferidos de uma companhia aérea são os seus próprios produtos: cartões de fidelização, venda a bordo, upgrades e aluguer de automóveis, que geram mais receita adicional do que qualquer terceiro.
Nem o exterior é gratuito
Pintar um avião com uma decoração publicitária custa vários dias em terra num hangar, a tinta aumenta o peso e, com ele, o consumo de combustível, e o contrato tem de compensar essa receita perdida. Por isso existem decorações especiais (destinos, filmes, patrocínios desportivos), mas contam-se em unidades isoladas e são, na maioria, acordos de imagem mútuos, não publicidade no sentido habitual. Comparado com as receitas de um único voo cheio, o que um anunciante está disposto a pagar pela fuselagem raramente compensa o esforço.
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