Variante do Mitsubishi A6M Zero
Mitsubishi A6M Zero A6M5b Modelo 52 Otsu
Subvariante A6M5 Modelo 52 com uma metralhadora Tipo 3 de 13,2 mm no nariz, para-brisas blindado de 45 mm e extintores nos tanques de combustível; construída entre abril e outubro de 1944.
- 1 de abril de 1944
- Primeiro voo
- 470
- Unidades construídas
- 1920 km
- Alcance
História
O A6M5b, designado pela Marinha Imperial Japonesa como Tipo 0 Modelo 52 Otsu (五二型乙), foi a segunda subvariante do Modelo 52 e a primeira em que o Zero recebeu, ainda que de forma limitada, a proteção e o armamento pesado que lhe faltavam desde a sua concepção. Na nomenclatura naval japonesa, o caractere otsu (乙) marcava a segunda modificação menor de uma dada combinação de célula e motor, razão pela qual os observadores ocidentais passaram a conhecer a aeronave com o sufixo "b". A célula e o motor eram os do Modelo 52: o mesmo radial de catorze cilindros Nakajima NK1F Sakae 21, com 1.130 cv na descolagem, que já equipava os Modelos 32, 22, 52 e 52 Ko, acionando uma hélice metálica tripá, além da asa de ponta arredondada com 11,0 m de envergadura introduzida com o A6M5 de base.
A experiência de combate no final de 1943 e início de 1944 havia mostrado que as duas metralhadoras Tipo 97 de 7,7 mm montadas sobre o motor causavam pouco dano a caças americanos cada vez mais robustos e blindados. O Modelo 52 Otsu respondeu substituindo a arma do lado direito do nariz por uma Tipo 3 de 13,2 mm, derivada da Browning, com velocidade de saída de 790 m/s, alcance efetivo de 900 m e cadência de tiro de 800 disparos por minuto, alimentada com 240 projéteis, contra os 750 m/s e 600 m da Tipo 97 que substituiu. A arma, mais volumosa, exigiu uma abertura maior no capô, dando ao nariz do 52 Otsu o seu característico aspecto assimétrico, além de uma saída de gases revista junto ao para-brisas. A metralhadora de 7,7 mm do lado esquerdo foi mantida, assim como os dois canhões Tipo 99 de 20 mm alimentados por correia herdados do 52 Ko, que nesta versão receberam um carenado no bordo de ataque da asa.
A segunda linha de melhorias dizia respeito à proteção do piloto e do sistema de combustível. Foi instalado um vidro blindado de 45 mm de espessura no para-brisas frontal, e previu-se uma placa de aço de 8 mm atrás do assento. Os tanques de combustível receberam um sistema de extinção de incêndio, a primeira tentativa séria de corrigir a vulnerabilidade ao fogo que tinha custado tantas aeronaves e pilotos. Outras alterações menores incluíram um cone de hélice maior, sugerindo uma mudança de hélice, e um novo tanque largável ventral dotado de estabilizadores e suspenso por um tubo inclinado.
Segundo dados oficiais japoneses, o 52 Otsu pesava 1.912 kg vazio e 2.765 kg em peso normal de carregamento, mantendo quase intacto o desempenho do Modelo 52 de base: velocidade máxima de 564,4 km/h a 6.000 m, subida a essa altitude em sete minutos e um segundo, teto de serviço de 11.740 m e autonomia normal de 1.920 km. Foi, de fato, a última versão do Zero cujo aumento de peso não prejudicou de forma perceptível a manobrabilidade e a subida; com o 52 Hei que se seguiu, esses valores caíram claramente.
O primeiro exemplar foi concluído em abril de 1944 e a variante permaneceu em produção até outubro de 1944, quando deu lugar ao A6M5c Modelo 52 Hei, que entrou em produção tanto na Mitsubishi quanto na Nakajima nesse mesmo mês. Ambas as empresas construíram o 52 Otsu; a Wikipédia em francês atribui à Mitsubishi uma produção de 470 aeronaves dessa versão, número que não pôde ser confirmado em outras fontes. A aeronave chegou à frente durante o colapso da aviação naval japonesa no Pacífico central, entre a Batalha do Mar das Filipinas e a campanha de Leyte, após a qual muitos Modelos 52 de todas as subvariantes acabaram sendo usados em missões de ataque especial. Unidades como o Grupo Aéreo de Genzan operaram-no no Japão como treinador operacional, ao lado do biplace A6M5-K.
Pelo menos um exemplar sobrevive parcialmente: os destroços recuperados pelo Australian War Memorial em Rabaul no início da década de 1970 e hoje armazenados na Fantasy of Flight, na Flórida, cujas características da cabine correspondem a um Modelo 52b construído pela Nakajima, muito provavelmente uma das 123 aeronaves que o Japão perdeu durante o ataque aliado a essa base.